‘Mão na massa’: Crianças trocam telas pela cozinha e descobrem sabores e habilidades
Em Santa Rita do Sapucaí elas cozinham com os chefs, fazem suas refeições e levam para suas casas os pratos e as receitas que aprenderam pra fazer com as famílias; assista!
Entre panelas, ingredientes e muita curiosidade, crianças e adolescentes estão descobrindo que a cozinha também pode ser um espaço de aprendizado, convivência e novas oportunidades. A experiência acontece na Casa do Caminho, projeto social em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, onde crianças e adolescentes participam de atividades que vão muito além da sala de aula.
Eles aprendem, convivem e desenvolvem habilidades que podem levar para toda a vida. A presidente da Casa do Caminho, Bruna do Valle, explica que a instituição oferece diferentes atividades ao longo do ano, de acordo com as parcerias e propostas dos educadores. Entre elas estão natação, informática, inglês e artes.
A proposta é estimular o sentimento de pertencimento e mostrar aos participantes que eles podem desenvolver novas perspectivas e alcançar diferentes objetivos. Uma dessas experiências acontece na cozinha-escola. Todas as crianças são assistidas por profissionais voluntários.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Sob orientação dos chefs, os participantes colocam a mão na massa, aprendem receitas, conhecem ingredientes e descobrem os cuidados necessários para preparar uma refeição. Para o chef Pablo Barboza Nogueira, o contato com a gastronomia pode representar o início de um processo que, no futuro, pode até se transformar em uma profissão. Além de aprender a preparar os alimentos, as crianças também desenvolvem disciplina, organização e curiosidade por novos sabores e texturas.
“A gente está gerando uma perspectiva. Porque eu acho que a gastronomia é uma coisa muito forte, principalmente em Minas. Então eu acho muito legal você, além de estar entretendo eles, um momento que eles de repente estariam vendo TV no celular e estão aqui aprendendo uma profissão. Eu acho que aqui é o início de um processo no futuro”, acrescentou chef Pablo.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A presidente do projeto social destaca ainda que a atividade contribui para ampliar o contato dos participantes com diferentes alimentos e pode ajudar na construção de hábitos alimentares. A Casa do Caminho atende cerca de 60 crianças e adolescentes, entre 8 e 15 anos, e conta com apoio do Sebrae. As atividades também são abertas ao público de diferentes idades.
“Além de comer coisa gostosa, a oficina de culinária traz duas coisas muito importantes. Então, a disciplina, porque você precisa seguir uma receita, você precisa ouvir a orientação de como deve ser preparado. Além disso, também desenvolve a curiosidade por sabores, por texturas. E aí, isso vai também alterando naturalmente a realidade nutricional deles”, enfatiza Bruna do Valle.
Crianças levam os pratos preparados por eles
Os alimentos utilizados nas oficinas são obtidos por meio de doações. Além de tomarem café e almoçarem no local, os participantes cozinham e podem levar para casa aquilo que prepararam. Para a chef Ane Batista, acompanhar esse processo é gratificante, especialmente ao perceber o interesse das crianças pelas receitas e a vontade de repetir os preparos em casa.
Durante a reportagem, o Terra do Mandu acompanhou a preparação de cookies e pão de milho. Os pequenos cozinheiros explicaram os ingredientes utilizados, participaram do preparo e mostraram que já estão familiarizados com algumas etapas da cozinha.
Foto: Terra do Mandu
Alguns também contaram que pretendem repetir as receitas em casa, junto com os familiares. O repórter Iago Almeida aproveitou para experimentar os pratos feitos pelas crianças e conversou com elas.
“É bom, é confortável e eu gostei mais de colocar no forno”, disse um dos meninos que fazia os cookies. “Ah, ovo. Eu gosto de fazer ovo”, disse outro garoto. “Porque ele tá bem gostoso”, respondeu um menino que fazia o pão de milho, quando questionado o diferencial daquele pão.
Foto: Terra do Mandu
De uma infância na cozinha para o ensino
Quem também participa das atividades é a chef Rosimeire Vilas Boas. Foi ainda criança, dentro de casa e ao lado da família, que ela descobriu os primeiros segredos da cozinha. “Minha mãe falava que eu era lambida. O pessoal ia fazendo e eu perguntava, tem receita, eu quero fazer essa receita. Chegava em casa, punha a mão na massa.”, disse ela.
A curiosidade pelas receitas a fez escolher um caminho, ainda criança. Hoje, anos depois, ela transforma aquilo que aprendeu em uma oportunidade para ensinar outras meninas e meninos curiosos pela culinária. A alegria dela na cozinha, mostra o amor pela profissão e pelo dom que nasceu com ela.
Rosimeire conta que acompanhar o desenvolvimento dos pequenos e perceber o interesse deles pela cozinha é uma experiência gratificante. “Mas eu falo que eu não ensino, eu saio daqui mais aprendendo com eles do que ensinando. É muito gratificante”, completa a chef.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Muito além de cozinhar: ‘Uma receita para o futuro’
Mais do que ensinar a preparar um prato, a proposta é desenvolver autonomia. Saber cozinhar também significa aprender a se organizar, seguir orientações, fazer escolhas e cuidar da própria alimentação. Para a Casa do Caminho, essas habilidades podem contribuir para que os participantes descubram novos talentos e possibilidades profissionais.
A coordenadora da instituição, Rita Maria Murano, conta que a Casa do Caminho já acompanhou crianças e adolescentes que cresceram, ingressaram no mercado de trabalho e chegaram ao ensino superior. Para ela, acompanhar essa trajetória é uma das principais recompensas do trabalho desenvolvido pela instituição.
“Hoje nós já temos assistido que passou por aqui com 18 anos, que está fazendo curso Técnico de Eletrônica, está no SEBRAE, está no mercado de trabalho. Temos quem passou por aqui, está fazendo faculdade. E ver essas crianças crescendo aqui, aprendendo a ter autonomia, a descobrir talentos e trazendo essa alegria para a gente, que é esse tempero que a gente tem aqui, que são eles, é muito gratificante. Não tem valor no mundo que pague isso. É uma felicidade imensa”, conta Rita.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
No fim, a experiência vai muito além dos ingredientes e das receitas. Entre uma preparação e outra, as crianças aprendem sobre responsabilidade, convivência, autonomia e descobrem que também podem construir novos caminhos para o futuro.
Para Rita, iniciativas como a da Casa do Caminho podem servir de inspiração para que outras instituições desenvolvam projetos voltados às crianças e adolescentes. A ideia é ampliar o olhar para essa parcela da população e criar oportunidades para que cada uma delas possa descobrir seus talentos e acreditar nas próprias possibilidades.
“E que venha também servir de exemplo para outros lugares, que haja várias associações. Porque Santa Rita precisa de várias associações, Minas precisa, Brasil precisa, o mundo precisa que a gente olhe para essas crianças, porque é o nosso futuro. É possível acolher isso. Precisamos aprender e pôr a mão na massa e a fazer acontecer”, encerrou Rita Murano.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Porque, na Casa do Caminho, cada receita preparada também pode ser o começo de uma nova história.
Entre panelas, ingredientes e muita curiosidade, crianças e adolescentes estão descobrindo que a cozinha também pode ser um espaço de aprendizado, convivência e novas oportunidades. A experiência acontece na Casa do Caminho, projeto social em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, onde crianças e adolescentes participam de atividades que vão muito além da sala de aula.
Eles aprendem, convivem e desenvolvem habilidades que podem levar para toda a vida. A presidente da Casa do Caminho, Bruna do Valle, explica que a instituição oferece diferentes atividades ao longo do ano, de acordo com as parcerias e propostas dos educadores. Entre elas estão natação, informática, inglês e artes.
A proposta é estimular o sentimento de pertencimento e mostrar aos participantes que eles podem desenvolver novas perspectivas e alcançar diferentes objetivos. Uma dessas experiências acontece na cozinha-escola. Todas as crianças são assistidas por profissionais voluntários.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Sob orientação dos chefs, os participantes colocam a mão na massa, aprendem receitas, conhecem ingredientes e descobrem os cuidados necessários para preparar uma refeição. Para o chef Pablo Barboza Nogueira, o contato com a gastronomia pode representar o início de um processo que, no futuro, pode até se transformar em uma profissão. Além de aprender a preparar os alimentos, as crianças também desenvolvem disciplina, organização e curiosidade por novos sabores e texturas.
“A gente está gerando uma perspectiva. Porque eu acho que a gastronomia é uma coisa muito forte, principalmente em Minas. Então eu acho muito legal você, além de estar entretendo eles, um momento que eles de repente estariam vendo TV no celular e estão aqui aprendendo uma profissão. Eu acho que aqui é o início de um processo no futuro”, acrescentou chef Pablo.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A presidente do projeto social destaca ainda que a atividade contribui para ampliar o contato dos participantes com diferentes alimentos e pode ajudar na construção de hábitos alimentares. A Casa do Caminho atende cerca de 60 crianças e adolescentes, entre 8 e 15 anos, e conta com apoio do Sebrae. As atividades também são abertas ao público de diferentes idades.
“Além de comer coisa gostosa, a oficina de culinária traz duas coisas muito importantes. Então, a disciplina, porque você precisa seguir uma receita, você precisa ouvir a orientação de como deve ser preparado. Além disso, também desenvolve a curiosidade por sabores, por texturas. E aí, isso vai também alterando naturalmente a realidade nutricional deles”, enfatiza Bruna do Valle.
Crianças levam os pratos preparados por eles
Os alimentos utilizados nas oficinas são obtidos por meio de doações. Além de tomarem café e almoçarem no local, os participantes cozinham e podem levar para casa aquilo que prepararam. Para a chef Ane Batista, acompanhar esse processo é gratificante, especialmente ao perceber o interesse das crianças pelas receitas e a vontade de repetir os preparos em casa.
Durante a reportagem, o Terra do Mandu acompanhou a preparação de cookies e pão de milho. Os pequenos cozinheiros explicaram os ingredientes utilizados, participaram do preparo e mostraram que já estão familiarizados com algumas etapas da cozinha.
Foto: Terra do Mandu
Alguns também contaram que pretendem repetir as receitas em casa, junto com os familiares. O repórter Iago Almeida aproveitou para experimentar os pratos feitos pelas crianças e conversou com elas.
“É bom, é confortável e eu gostei mais de colocar no forno”, disse um dos meninos que fazia os cookies. “Ah, ovo. Eu gosto de fazer ovo”, disse outro garoto. “Porque ele tá bem gostoso”, respondeu um menino que fazia o pão de milho, quando questionado o diferencial daquele pão.
Foto: Terra do Mandu
De uma infância na cozinha para o ensino
Quem também participa das atividades é a chef Rosimeire Vilas Boas. Foi ainda criança, dentro de casa e ao lado da família, que ela descobriu os primeiros segredos da cozinha. “Minha mãe falava que eu era lambida. O pessoal ia fazendo e eu perguntava, tem receita, eu quero fazer essa receita. Chegava em casa, punha a mão na massa.”, disse ela.
A curiosidade pelas receitas a fez escolher um caminho, ainda criança. Hoje, anos depois, ela transforma aquilo que aprendeu em uma oportunidade para ensinar outras meninas e meninos curiosos pela culinária. A alegria dela na cozinha, mostra o amor pela profissão e pelo dom que nasceu com ela.
Rosimeire conta que acompanhar o desenvolvimento dos pequenos e perceber o interesse deles pela cozinha é uma experiência gratificante. “Mas eu falo que eu não ensino, eu saio daqui mais aprendendo com eles do que ensinando. É muito gratificante”, completa a chef.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Muito além de cozinhar: ‘Uma receita para o futuro’
Mais do que ensinar a preparar um prato, a proposta é desenvolver autonomia. Saber cozinhar também significa aprender a se organizar, seguir orientações, fazer escolhas e cuidar da própria alimentação. Para a Casa do Caminho, essas habilidades podem contribuir para que os participantes descubram novos talentos e possibilidades profissionais.
A coordenadora da instituição, Rita Maria Murano, conta que a Casa do Caminho já acompanhou crianças e adolescentes que cresceram, ingressaram no mercado de trabalho e chegaram ao ensino superior. Para ela, acompanhar essa trajetória é uma das principais recompensas do trabalho desenvolvido pela instituição.
“Hoje nós já temos assistido que passou por aqui com 18 anos, que está fazendo curso Técnico de Eletrônica, está no SEBRAE, está no mercado de trabalho. Temos quem passou por aqui, está fazendo faculdade. E ver essas crianças crescendo aqui, aprendendo a ter autonomia, a descobrir talentos e trazendo essa alegria para a gente, que é esse tempero que a gente tem aqui, que são eles, é muito gratificante. Não tem valor no mundo que pague isso. É uma felicidade imensa”, conta Rita.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
No fim, a experiência vai muito além dos ingredientes e das receitas. Entre uma preparação e outra, as crianças aprendem sobre responsabilidade, convivência, autonomia e descobrem que também podem construir novos caminhos para o futuro.
Para Rita, iniciativas como a da Casa do Caminho podem servir de inspiração para que outras instituições desenvolvam projetos voltados às crianças e adolescentes. A ideia é ampliar o olhar para essa parcela da população e criar oportunidades para que cada uma delas possa descobrir seus talentos e acreditar nas próprias possibilidades.
“E que venha também servir de exemplo para outros lugares, que haja várias associações. Porque Santa Rita precisa de várias associações, Minas precisa, Brasil precisa, o mundo precisa que a gente olhe para essas crianças, porque é o nosso futuro. É possível acolher isso. Precisamos aprender e pôr a mão na massa e a fazer acontecer”, encerrou Rita Murano.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Porque, na Casa do Caminho, cada receita preparada também pode ser o começo de uma nova história.
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