Pouso Alegre recebe representantes de 19 cidades em articulação pelo turismo regional
Assembleia do Caminhos da Mantiqueira reuniu gestores e representantes do setor em Pouso Alegre; circuito aposta em ações conjuntas para divulgar destinos, gastronomia, artesanato e turismo de experiência
Turismo não termina na divisa de um município. É com essa proposta que 19 cidades do Sul de Minas trabalham juntas por meio do Circuito Turístico Caminhos da Mantiqueira. Nesta quinta-feira (24/9), Pouso Alegre recebeu a Assembleia de Setembro da Instância de Governança Regional (IGR), reunindo gestores públicos, empresários, representantes do trade turístico e integrantes da produção associada ao turismo.
O encontro aconteceu na Casa Bottazini, no bairro rural da Cava, e colocou em discussão projetos, experiências e estratégias para fortalecer a atividade turística de forma regional.
A IGR funciona como uma articulação entre os municípios e as políticas de regionalização do turismo. Na prática, a proposta é fazer com que as cidades compartilhem experiências, projetos e oportunidades, em vez de trabalharem de maneira isolada.
Uma IGR é um elo entre os municípios e a Política Nacional de Regionalização do Setor Turístico. É trazer as experiências e as prosperidades que estão tendo em cada município, voltadas para o turismo, porque o turismo não é somente uma cidade.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Segundo Eduardo Lanza, Gestor Da IGR Caminhos da Mantiqueira, entre as iniciativas desenvolvidas pelo circuito está a criação de um catálogo de experiências turísticas envolvendo os 19 municípios.
Também estão em andamento ações relacionadas ao artesanato, com capacitação e articulação para ampliar a atividade, além da participação em feiras e eventos em cidades como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. A intenção é apresentar a região como um conjunto de destinos que podem se complementar.
Artesanato também conta a história das cidades
Um dos exemplos apresentados durante o encontro foi o artesanato produzido em Pouso Alegre. Além de peças decorativas e utilitárias, os trabalhos carregam referências da cultura e da memória local.
Na Casa do Artesanato, instalada na antiga estação ferroviária de Pouso Alegre, artesãos produzem peças inspiradas em elementos que fazem parte do cotidiano da cidade e da identidade mineira.
Obra feita pelo artesão Pedro / Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Entre os trabalhos estão cartões-postais personalizados, crochê e fuxico. Para os artesãos, o objetivo é permitir que o visitante leve consigo uma lembrança da cidade.
“É a gente resgatar o que nós mais gostamos: lembranças. Lembranças que nós temos de trazer da cultura, da cidade”, contou a artesã Fátima Angélica Paula.
Ela também destaca que muitas dessas técnicas são transmitidas dentro das próprias famílias, passando de mães, avós e tias para novas gerações.
Cristina aposta em café e patrimônio histórico
Outro exemplo apresentado durante a assembleia foi Cristina, município integrante do Caminhos da Mantiqueira conhecido pelo patrimônio histórico e pela produção de cafés especiais.
A cidade preserva construções antigas e atrativos ligados à história ferroviária, além de áreas naturais, como o Parque Ecológico e uma cachoeira localizada na área urbana.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Cristina também tem no café uma das principais marcas de sua identidade. O município participa de concursos nacionais e internacionais desde 2001 e já teve café premiado como o melhor do mundo.
A produção também vem sendo incorporada ao turismo de experiência. Fazendas e sítios recebem visitantes para apresentar o processo de produção, incluindo propriedades ligadas à agricultura familiar e conduzidas por mulheres.
Há ainda experiências relacionadas ao artesanato produzido a partir da palha do café e à produção de laticínios. O município prepara para outubro o primeiro concurso de cafés especiais de Cristina.
A cerimônia de premiação está prevista para o dia 24 de outubro, e os cafés vencedores também deverão ser apresentados em um espaço na Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte.
Turismo de experiência ganha espaço
Para os integrantes do Circuito, uma das formas de atrair visitantes é oferecer experiências que vão além de uma simples hospedagem ou visita a um ponto turístico.
Paisagens, fazendas, olivais, vinícolas, gastronomia, produção artesanal e contato com a cultura local são alguns dos elementos que podem transformar uma viagem em uma experiência.
Foi justamente esse conceito que os participantes conheceram na Casa Bottazini, onde ocorreu a assembleia. O espaço, localizado na zona rural da Cava, reúne gastronomia, natureza, história familiar e produção de vinhos. A propriedade mantém uma pequena vinícola inspirada na trajetória da família Bottazini, de origem italiana.
“Eles eram fabricantes de vinho e de tonel na Itália. Na década de 1900 eles tiveram uma vinícola em Viadana, província de Mantova. Por conta do legado e da tradição, nós estamos continuando”, contou Cândido Bottazzini, viticultor responsável pela Casa Bottazzini.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A família também explica a origem do sobrenome Bottazini, relacionado à profissão do bisavô, fabricante de tonéis. A vinícola está no mercado há cerca de seis anos e produz diferentes variedades, entre elas rosé, chardonnay, niágara e bordô.
Além da produção própria, a Casa Bottazini integra uma rede de experiências que reúne outros empreendimentos e produtores da região, como produtores de cachaça, laticínios e alimentos.
Gastronomia como parte da identidade regional
A gastronomia aparece como outro elo entre os municípios do Circuito. A culinária mineira, já reconhecida nacionalmente, também funciona como uma ferramenta para apresentar os territórios, seus produtos e suas tradições.
Pão de queijo, cafés, queijos, doces, vinhos, cachaças e outros produtos regionais podem deixar de ser apenas itens de consumo e se transformar em experiências turísticas quando associados à história de quem produz e ao território onde são feitos.
Para os integrantes do Caminhos da Mantiqueira, essa integração entre gastronomia, cultura, natureza, produção rural, artesanato e hospitalidade ajuda a criar motivos para que o visitante permaneça mais tempo na região e conheça diferentes municípios.
União do setor
A assembleia também reforçou que o desenvolvimento do turismo depende da participação conjunta do poder público e da iniciativa privada.
Além dos gestores municipais, o encontro reuniu empresários, empreendedores, produtores e representantes da cadeia turística. A proposta é aproximar quem formula políticas públicas de quem coloca as experiências à disposição dos visitantes.
A cada mês, as assembleias do Caminhos da Mantiqueira percorrem diferentes municípios e funcionam como espaço para apresentação de projetos, troca de experiências e planejamento de novas ações.
Ao sediar a reunião, Pouso Alegre também apresentou aos representantes das cidades integrantes do circuito parte de sua estrutura turística e empreendimentos locais.
A Casa Bottazini foi escolhida justamente para mostrar como uma propriedade rural pode unir gastronomia, cultura, história, natureza e produção de vinhos em uma única experiência.
A ideia defendida pelo circuito é que, ao invés de disputar visitantes individualmente, os municípios possam criar uma rede de destinos complementares.
Assim, quem chega ao Sul de Minas em busca de café pode conhecer uma fazenda produtora, visitar um patrimônio histórico, experimentar a gastronomia local, conhecer um artesão ou passar por uma vinícola. Cada cidade contribui com uma parte dessa experiência — e a região inteira se beneficia.
Turismo não termina na divisa de um município. É com essa proposta que 19 cidades do Sul de Minas trabalham juntas por meio do Circuito Turístico Caminhos da Mantiqueira. Nesta quinta-feira (24/9), Pouso Alegre recebeu a Assembleia de Setembro da Instância de Governança Regional (IGR), reunindo gestores públicos, empresários, representantes do trade turístico e integrantes da produção associada ao turismo.
O encontro aconteceu na Casa Bottazini, no bairro rural da Cava, e colocou em discussão projetos, experiências e estratégias para fortalecer a atividade turística de forma regional.
A IGR funciona como uma articulação entre os municípios e as políticas de regionalização do turismo. Na prática, a proposta é fazer com que as cidades compartilhem experiências, projetos e oportunidades, em vez de trabalharem de maneira isolada.
Uma IGR é um elo entre os municípios e a Política Nacional de Regionalização do Setor Turístico. É trazer as experiências e as prosperidades que estão tendo em cada município, voltadas para o turismo, porque o turismo não é somente uma cidade.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Segundo Eduardo Lanza, Gestor Da IGR Caminhos da Mantiqueira, entre as iniciativas desenvolvidas pelo circuito está a criação de um catálogo de experiências turísticas envolvendo os 19 municípios.
Também estão em andamento ações relacionadas ao artesanato, com capacitação e articulação para ampliar a atividade, além da participação em feiras e eventos em cidades como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. A intenção é apresentar a região como um conjunto de destinos que podem se complementar.
Artesanato também conta a história das cidades
Um dos exemplos apresentados durante o encontro foi o artesanato produzido em Pouso Alegre. Além de peças decorativas e utilitárias, os trabalhos carregam referências da cultura e da memória local.
Na Casa do Artesanato, instalada na antiga estação ferroviária de Pouso Alegre, artesãos produzem peças inspiradas em elementos que fazem parte do cotidiano da cidade e da identidade mineira.
Obra feita pelo artesão Pedro / Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Entre os trabalhos estão cartões-postais personalizados, crochê e fuxico. Para os artesãos, o objetivo é permitir que o visitante leve consigo uma lembrança da cidade.
“É a gente resgatar o que nós mais gostamos: lembranças. Lembranças que nós temos de trazer da cultura, da cidade”, contou a artesã Fátima Angélica Paula.
Ela também destaca que muitas dessas técnicas são transmitidas dentro das próprias famílias, passando de mães, avós e tias para novas gerações.
Cristina aposta em café e patrimônio histórico
Outro exemplo apresentado durante a assembleia foi Cristina, município integrante do Caminhos da Mantiqueira conhecido pelo patrimônio histórico e pela produção de cafés especiais.
A cidade preserva construções antigas e atrativos ligados à história ferroviária, além de áreas naturais, como o Parque Ecológico e uma cachoeira localizada na área urbana.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Cristina também tem no café uma das principais marcas de sua identidade. O município participa de concursos nacionais e internacionais desde 2001 e já teve café premiado como o melhor do mundo.
A produção também vem sendo incorporada ao turismo de experiência. Fazendas e sítios recebem visitantes para apresentar o processo de produção, incluindo propriedades ligadas à agricultura familiar e conduzidas por mulheres.
Há ainda experiências relacionadas ao artesanato produzido a partir da palha do café e à produção de laticínios. O município prepara para outubro o primeiro concurso de cafés especiais de Cristina.
A cerimônia de premiação está prevista para o dia 24 de outubro, e os cafés vencedores também deverão ser apresentados em um espaço na Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte.
Turismo de experiência ganha espaço
Para os integrantes do Circuito, uma das formas de atrair visitantes é oferecer experiências que vão além de uma simples hospedagem ou visita a um ponto turístico.
Paisagens, fazendas, olivais, vinícolas, gastronomia, produção artesanal e contato com a cultura local são alguns dos elementos que podem transformar uma viagem em uma experiência.
Foi justamente esse conceito que os participantes conheceram na Casa Bottazini, onde ocorreu a assembleia. O espaço, localizado na zona rural da Cava, reúne gastronomia, natureza, história familiar e produção de vinhos. A propriedade mantém uma pequena vinícola inspirada na trajetória da família Bottazini, de origem italiana.
“Eles eram fabricantes de vinho e de tonel na Itália. Na década de 1900 eles tiveram uma vinícola em Viadana, província de Mantova. Por conta do legado e da tradição, nós estamos continuando”, contou Cândido Bottazzini, viticultor responsável pela Casa Bottazzini.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A família também explica a origem do sobrenome Bottazini, relacionado à profissão do bisavô, fabricante de tonéis. A vinícola está no mercado há cerca de seis anos e produz diferentes variedades, entre elas rosé, chardonnay, niágara e bordô.
Além da produção própria, a Casa Bottazini integra uma rede de experiências que reúne outros empreendimentos e produtores da região, como produtores de cachaça, laticínios e alimentos.
Gastronomia como parte da identidade regional
A gastronomia aparece como outro elo entre os municípios do Circuito. A culinária mineira, já reconhecida nacionalmente, também funciona como uma ferramenta para apresentar os territórios, seus produtos e suas tradições.
Pão de queijo, cafés, queijos, doces, vinhos, cachaças e outros produtos regionais podem deixar de ser apenas itens de consumo e se transformar em experiências turísticas quando associados à história de quem produz e ao território onde são feitos.
Para os integrantes do Caminhos da Mantiqueira, essa integração entre gastronomia, cultura, natureza, produção rural, artesanato e hospitalidade ajuda a criar motivos para que o visitante permaneça mais tempo na região e conheça diferentes municípios.
União do setor
A assembleia também reforçou que o desenvolvimento do turismo depende da participação conjunta do poder público e da iniciativa privada.
Além dos gestores municipais, o encontro reuniu empresários, empreendedores, produtores e representantes da cadeia turística. A proposta é aproximar quem formula políticas públicas de quem coloca as experiências à disposição dos visitantes.
A cada mês, as assembleias do Caminhos da Mantiqueira percorrem diferentes municípios e funcionam como espaço para apresentação de projetos, troca de experiências e planejamento de novas ações.
Ao sediar a reunião, Pouso Alegre também apresentou aos representantes das cidades integrantes do circuito parte de sua estrutura turística e empreendimentos locais.
A Casa Bottazini foi escolhida justamente para mostrar como uma propriedade rural pode unir gastronomia, cultura, história, natureza e produção de vinhos em uma única experiência.
A ideia defendida pelo circuito é que, ao invés de disputar visitantes individualmente, os municípios possam criar uma rede de destinos complementares.
Assim, quem chega ao Sul de Minas em busca de café pode conhecer uma fazenda produtora, visitar um patrimônio histórico, experimentar a gastronomia local, conhecer um artesão ou passar por uma vinícola. Cada cidade contribui com uma parte dessa experiência — e a região inteira se beneficia.
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