Mãe denuncia que filho autista de 10 anos foi agredido pelo pai e registra BO
Em depoimento à polícia, pai disse que queria corrigir o filho, pois a criança teria "ficado agressiva e tentado desferir um soco" contra ele; imagens mostram hematomas na criança.
O vídeo mostra um menino de 10 anos chorando, assustado e pedindo ajuda à mãe. Nas imagens, divulgadas pela família nas redes sociais, ele aparece bastante abalado e chega a pedir que a polícia seja chamada. A gravação teria sido feita depois que a criança retornou da casa do pai, em Pouso Alegre, no Sul de Minas.
Segundo a mãe, Thais Rocha, o filho havia ido passar o fim de semana com o pai. Cerca de uma hora depois, teria ido correndo para a casa do padrasto (que segundo a mãe mora na mesma rua do pai), onde pediu ajuda e contou que havia sido agredido.
“Meu filho suado, tremendo, que eu fui tentar acudir, porque ele estava vomitando”, contou Thais ao Terra do Mandu. De acordo com ela, ao retirar a roupa do filho para dar banho, percebeu marcas pelo corpo.
Imagem cedida pela mãe
“Eu vi as marcas de agressão no corpo do meu filho, de borracha, que ele apanhou de borracha e chineladas. Eu tive que tomar uma providência”, relatou.
No boletim de ocorrência, a própria criança contou para a polícia que o pai utilizou uma mangueira e uma chinela para bater nele, além de dar tapas no rosto. O registro também relata que a criança apresentou dois episódios de vômito depois de retornar para casa.
Parte do boletim de ocorrências registrado pela PMMG / Imagem cedida pela mãe
O que diz o boletim de ocorrência
A Polícia Militar foi acionada e registrou a ocorrência. A criança foi encaminhada para atendimento na UPA Central de Pouso Alegre, onde, conforme o boletim, uma médica pediatra constatou diversas lesões e elaborou um relatório médico que foi anexado ao registro.
O menino também passou pelo procedimento de corpo de delito, segundo a mãe. “Lá foi constatada as agressões físicas, não só físicas, como psicológicas também, no corpo do meu filho. E eu dei a entrada com um boletim de ocorrência contra o genitor”, afirmou Thais.
Parte do boletim de ocorrências registrado pela PMMG / Imagem cedida pela mãe
Laudo médico registrado pela PCMG após atendimento na UPA de Pouso Alegre/MG / Imagem cedida pela mãe
Laudo médico registrado pela PCMG após atendimento na UPA de Pouso Alegre/MG / Imagem cedida pela mãe
O pai também apresentou sua versão à Polícia Militar. Segundo o boletim, ele contou que o filho havia ido passar o fim de semana em sua casa e que, em determinado momento, pegou uma bicicleta e saiu para a rua. Quando retornou, o pai afirmou que questionou o menino sobre o motivo de ter saído.
Ainda conforme o relato apresentado pelo homem à polícia, a criança teria ficado agressiva e tentado desferir um soco contra ele. O pai afirmou que, como forma de corrigir o filho, pegou uma chinela e deu alguns golpes na criança.
Parte do boletim de ocorrências registrado pela PMMG / Imagem cedida pela mãe
Mãe questiona forma de correção
Para Thais, a agressão não pode ser utilizada como forma de correção, especialmente diante das necessidades específicas do filho. “Ele tinha que ter acolhido, me informado. ‘Thais, está acontecendo isso e isso. Vamos mandar ele devolver a bicicleta, nós vamos sentar e entrar em um acordo, o que a gente pode estar fazendo melhor para o I.?’”, disse.
A mãe afirma que o filho é autista e possui outras condições que exigem acompanhamento. Segundo Thais, ele tem transtorno do espectro autista nível 1, TDAH, transtorno opositor desafiador e deficiência intelectual nível 1.
Para entender o comportamento de crianças autistas em situações de crise ou desregulação, o Terra do Mandu ouviu a psicóloga Caroline Godoy. Segundo a especialista, algumas crianças autistas podem ter mais dificuldade para compreender e administrar aquilo que estão sentindo.
“Muitas vezes, essas crianças não vão conseguir lidar com o que está acontecendo dentro delas e vão externalizar isso de uma forma um pouco mais equivocada. Então, elas podem se mostrar um pouco mais irritadas, um pouco mais agressivas, um pouco mais chorosas”, explicou Caroline.
A psicóloga afirma que o adulto tem papel importante nesse processo, ajudando a criança a entender o que está acontecendo e oferecendo ferramentas para que ela desenvolva a própria autorregulação.
“Quem oferece as ferramentas aos poucos e ajuda a criança a compreender o que está acontecendo e fornece as ferramentas para que ela vá aprendendo a lidar com ela mesma é o adulto que está ali”, afirmou. Caroline também ressaltou que esse processo exige paciência e entendimento.
Imagem cedida pela mãe
Medida protetiva
Thais contou ainda que possui uma medida protetiva de urgência contra o pai da criança, relacionada a situações anteriores. “Após nove meses de separação, ele invadiu a minha casa também, tanto que aí eu solicitei a medida protetiva”, relatou.
Segundo o boletim de ocorrência, a mãe afirmou que não teve contato pessoal com o homem no dia do episódio. A criança teria ido sozinha até a residência paterna para passar o fim de semana.
Por meio de nota, a advogada da mãe, Yasmim Ribeiro, informou que estão sendo tomadas “todas as medidas judiciais cabíveis”. Segundo ela, neste momento, a prioridade é a saúde e o acompanhamento da criança junto às instituições responsáveis.
A advogada também afirmou que as medidas protetivas e de urgência estão sendo cumpridas e que cabe ao Ministério Público avaliar a apresentação de eventual denúncia formal.
Caso será investigado
O pai, em flagrante, foi encaminhado para à autoridade policial. A ocorrência foi registrada pela Polícia Militar e deverá ser analisada pela Polícia Civil, que poderá reunir os depoimentos, documentos médicos e demais elementos para esclarecer o que aconteceu.
O Terra do Mandu não conseguiu contato com o pai para uma manifestação além da versão registrada no boletim de ocorrência. O espaço permanece aberto para que ele ou sua defesa se pronunciem.
A reportagem preserva a identidade da criança em razão de sua idade.
O vídeo mostra um menino de 10 anos chorando, assustado e pedindo ajuda à mãe. Nas imagens, divulgadas pela família nas redes sociais, ele aparece bastante abalado e chega a pedir que a polícia seja chamada. A gravação teria sido feita depois que a criança retornou da casa do pai, em Pouso Alegre, no Sul de Minas.
Segundo a mãe, Thais Rocha, o filho havia ido passar o fim de semana com o pai. Cerca de uma hora depois, teria ido correndo para a casa do padrasto (que segundo a mãe mora na mesma rua do pai), onde pediu ajuda e contou que havia sido agredido.
“Meu filho suado, tremendo, que eu fui tentar acudir, porque ele estava vomitando”, contou Thais ao Terra do Mandu. De acordo com ela, ao retirar a roupa do filho para dar banho, percebeu marcas pelo corpo.
Imagem cedida pela mãe
“Eu vi as marcas de agressão no corpo do meu filho, de borracha, que ele apanhou de borracha e chineladas. Eu tive que tomar uma providência”, relatou.
No boletim de ocorrência, a própria criança contou para a polícia que o pai utilizou uma mangueira e uma chinela para bater nele, além de dar tapas no rosto. O registro também relata que a criança apresentou dois episódios de vômito depois de retornar para casa.
Parte do boletim de ocorrências registrado pela PMMG / Imagem cedida pela mãe
O que diz o boletim de ocorrência
A Polícia Militar foi acionada e registrou a ocorrência. A criança foi encaminhada para atendimento na UPA Central de Pouso Alegre, onde, conforme o boletim, uma médica pediatra constatou diversas lesões e elaborou um relatório médico que foi anexado ao registro.
O menino também passou pelo procedimento de corpo de delito, segundo a mãe. “Lá foi constatada as agressões físicas, não só físicas, como psicológicas também, no corpo do meu filho. E eu dei a entrada com um boletim de ocorrência contra o genitor”, afirmou Thais.
Parte do boletim de ocorrências registrado pela PMMG / Imagem cedida pela mãe
Laudo médico registrado pela PCMG após atendimento na UPA de Pouso Alegre/MG / Imagem cedida pela mãe
Laudo médico registrado pela PCMG após atendimento na UPA de Pouso Alegre/MG / Imagem cedida pela mãe
O pai também apresentou sua versão à Polícia Militar. Segundo o boletim, ele contou que o filho havia ido passar o fim de semana em sua casa e que, em determinado momento, pegou uma bicicleta e saiu para a rua. Quando retornou, o pai afirmou que questionou o menino sobre o motivo de ter saído.
Ainda conforme o relato apresentado pelo homem à polícia, a criança teria ficado agressiva e tentado desferir um soco contra ele. O pai afirmou que, como forma de corrigir o filho, pegou uma chinela e deu alguns golpes na criança.
Parte do boletim de ocorrências registrado pela PMMG / Imagem cedida pela mãe
Mãe questiona forma de correção
Para Thais, a agressão não pode ser utilizada como forma de correção, especialmente diante das necessidades específicas do filho. “Ele tinha que ter acolhido, me informado. ‘Thais, está acontecendo isso e isso. Vamos mandar ele devolver a bicicleta, nós vamos sentar e entrar em um acordo, o que a gente pode estar fazendo melhor para o I.?’”, disse.
A mãe afirma que o filho é autista e possui outras condições que exigem acompanhamento. Segundo Thais, ele tem transtorno do espectro autista nível 1, TDAH, transtorno opositor desafiador e deficiência intelectual nível 1.
Para entender o comportamento de crianças autistas em situações de crise ou desregulação, o Terra do Mandu ouviu a psicóloga Caroline Godoy. Segundo a especialista, algumas crianças autistas podem ter mais dificuldade para compreender e administrar aquilo que estão sentindo.
“Muitas vezes, essas crianças não vão conseguir lidar com o que está acontecendo dentro delas e vão externalizar isso de uma forma um pouco mais equivocada. Então, elas podem se mostrar um pouco mais irritadas, um pouco mais agressivas, um pouco mais chorosas”, explicou Caroline.
A psicóloga afirma que o adulto tem papel importante nesse processo, ajudando a criança a entender o que está acontecendo e oferecendo ferramentas para que ela desenvolva a própria autorregulação.
“Quem oferece as ferramentas aos poucos e ajuda a criança a compreender o que está acontecendo e fornece as ferramentas para que ela vá aprendendo a lidar com ela mesma é o adulto que está ali”, afirmou. Caroline também ressaltou que esse processo exige paciência e entendimento.
Imagem cedida pela mãe
Medida protetiva
Thais contou ainda que possui uma medida protetiva de urgência contra o pai da criança, relacionada a situações anteriores. “Após nove meses de separação, ele invadiu a minha casa também, tanto que aí eu solicitei a medida protetiva”, relatou.
Segundo o boletim de ocorrência, a mãe afirmou que não teve contato pessoal com o homem no dia do episódio. A criança teria ido sozinha até a residência paterna para passar o fim de semana.
Por meio de nota, a advogada da mãe, Yasmim Ribeiro, informou que estão sendo tomadas “todas as medidas judiciais cabíveis”. Segundo ela, neste momento, a prioridade é a saúde e o acompanhamento da criança junto às instituições responsáveis.
A advogada também afirmou que as medidas protetivas e de urgência estão sendo cumpridas e que cabe ao Ministério Público avaliar a apresentação de eventual denúncia formal.
Caso será investigado
O pai, em flagrante, foi encaminhado para à autoridade policial. A ocorrência foi registrada pela Polícia Militar e deverá ser analisada pela Polícia Civil, que poderá reunir os depoimentos, documentos médicos e demais elementos para esclarecer o que aconteceu.
O Terra do Mandu não conseguiu contato com o pai para uma manifestação além da versão registrada no boletim de ocorrência. O espaço permanece aberto para que ele ou sua defesa se pronunciem.
A reportagem preserva a identidade da criança em razão de sua idade.
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