Após atropelamento e trombose, pequeno Samuel precisará fazer tratamento em Belo Horizonte

Menino de 4 anos, morador de Pouso Alegre, foi atropelado junto da irmã em abril, no São João. Repórter Iago Almeida ouviu a mãe dos dois, que contou como está a situação atual do filho.

Iago Almeida / 05 junho 2026

Internado há 40 dias no Complexo Hospitalar Samuel Libânio, em Pouso Alegre/MG, o pequeno Samuel, de apenas 4 anos, continua sua luta pela recuperação após ter sido atropelado no fim de abril, no bairro São João. Apesar dos desafios enfrentados desde o acidente, a família celebra os avanços conquistados e mantém a esperança de que ele volte a andar.

Ao lado do filho durante toda a internação, a mãe, Marisa Carreiro, relata que o quadro neurológico de Samuel é considerado positivo. “Graças a Deus, com o resultado de muita oração e muito propósito, o Samuel se encontra bem. A parte neurológica dele está bem. Ele conversa, brinca e come normalmente”, afirma.

Segundo ela, a principal preocupação neste momento está relacionada aos movimentos das pernas. Samuel sofreu lesões na região da coluna, entre as vértebras T4 e T5, o que comprometeu sua mobilidade. “Ele tem alguns reflexos, sente uma espécie de cosquinha na sola do pé, mas ainda não tem força para levantar e andar”, explica a mãe.

Complicações durante a internação

Durante o período de recuperação, Samuel também enfrentou uma trombose. De acordo com Marisa, a complicação surgiu após a transferência da UTI para a ala pediátrica, enquanto aguardava a realização de exames.

“Graças a Deus ele entrou com anticoagulantes e está reagindo muito bem. O inchaço já está diminuindo, ele não usa mais sonda, não está tendo febre e responde bem às medicações”, conta.

Apesar das dificuldades, a mãe destaca a força demonstrada pelo filho ao longo de todo o tratamento. “Ele reconhece todo mundo, conversa, ri e não se deixa abalar. É impressionante a força que aquele menino tem. Com apenas 4 anos, ele nos dá força todos os dias”. 

Foto enviada pela mãe

Tratamento em Belo Horizonte

A família já decidiu que Samuel será encaminhado para um tratamento especializado em Belo Horizonte, considerado essencial para a recuperação dos movimentos das pernas. Marisa afirma que a maior ferramenta para enfrentar esse momento tem sido a fé.

“Eu procuro mostrar para ele que Jesus está no controle de todas as coisas. Pode o mundo inteiro dizer que não, mas eu acredito que existe a possibilidade dele voltar a andar através da fé”, disse a mãe.

Mãe deixou o trabalho para acompanhar o filho

Desde o acidente, Marisa precisou deixar o emprego para se dedicar integralmente aos cuidados de Samuel. Ela e familiares se revezam no hospital para garantir que o menino esteja sempre acompanhado.

Para ajudar com as despesas do dia a dia, a mãe lançou uma rifa solidária. Segundo ela, o objetivo não é custear o tratamento em Belo Horizonte, mas suprir necessidades básicas decorrentes da nova rotina. Qualquer ajuda ou informação, basta falar com a mãe pelo (35) 99938-6091.

“Não é para o tratamento. Lá eles vão oferecer todo o suporte necessário. A ajuda é para comprar fraldas, leite, bolachas e outras coisas que ele precisa, como uma cadeira adaptada. Eu sempre trabalhei, mas pelos meus filhos eu pararia quantas vezes fosse necessário”, relata.

Marisa agradece o apoio que vem recebendo e afirma que a solidariedade tem sido fundamental neste momento. “Sou muito grata a quem está ajudando. Eu realmente não saberia o que fazer sem esse apoio”.

Dor do julgamento

Além da preocupação com a saúde do filho, a mãe também enfrenta o peso dos julgamentos e comentários feitos nas redes sociais após o acidente. “Eu procuro nem ler os comentários porque isso me faz muito mal. As pessoas não sabem o que aconteceu de verdade. Meus filhos não estavam sozinhos. Eles estavam indo para a casa da avó e havia responsáveis por perto. Eu jamais colocaria meus filhos em uma situação de risco”, lamentou.

Ela afirma que, se pudesse prever a tragédia, jamais permitiria que as crianças saíssem de casa naquele dia. “Se eu soubesse que tudo isso iria acontecer, eu nunca teria deixado eles passarem pelo portão”, enfatiza.

Perdão e esperança

Mesmo diante da dor, Marisa diz que perdoou o motorista envolvido no atropelamento. Para ela, o ocorrido foi uma fatalidade. “Você acha que aquela pessoa acordou de manhã querendo atropelar duas crianças? Eu tenho certeza que não. Não é hora de culpar ninguém. É hora de acolher, porque está difícil para todos”, cita a mãe.

A irmã de Samuel, Lavínia, que também estava presente no momento do acidente, não sofreu ferimentos graves e recebeu alta no mesmo dia. Ao falar sobre o filho, a emoção toma conta da mãe. “O Samuel foi um presente para nós. Foi um menino muito desejado, muito amado. Eu costumo dizer que ele é a minha vida”.

Agora, a família se apega à esperança e à fé na recuperação completa do menino. “Eu acredito que ele vai sair bem de lá. Independente da maneira que seja, nós vamos recebê-lo com todo amor do mundo. Só de ele estar conosco já é um grande presente. A ausência dele eu nem consigo imaginar”, encerrou Marisa.

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