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Nascem primeiros animais de programa de inseminação artificial em Pouso Alegre

Magson Gomes
14/01/2020

Programa de melhoramento genético da prefeitura tem 30 pequenos produtores cadastrados, com 110 vacas inseminadas. 17 animais já deram cria. Quando estiver produzindo, as crias vão dobrar a produção de leite da mãe.

Josafá José de Faria é produtor de leite no distrito São José do Pantano. Ele busca no pasto um bezerro nascido a menos de 15 dias, após inseminação artificial. Josafá é um dos 30 pequenos produtores rurais de Pouso Alegre beneficiados pelo Programa de Melhoramento Genético da prefeitura (PROGEN).

O pequeno produtor tem um rebanho de 10 vacas. Seis delas receberam sêmen selecionado. Duas já tiveram crias.

Com o melhoramento genético, o produtor espera dobrar a quantidade de leite, usando o mesmo número de animais. “A produção hoje são 95 litros. Com o melhoramento genético eu quero ver se consigo passar dos 200 litros por dia”, diz Josafá, que entrega o leite produzido em sua propriedade na cooperativa do distrito de São José do Pantano.

O produtor afirma que fazer o melhoramento genético por conta própria seria mais difícil. Cada tentativa de fecundação particular custa cerca de R$ 160.

“A gente até conseguiria. Demorava mais e iria ficar mais caro. [O PROGEN] foi uma ótima coisa que a gente recebeu. Não só eu, mas todos os companheiros que receberam. Excelente coisa que fizeram para gente aqui”, comemora o produtor.

É essa bezerra nascida a 10 dias da vaca morgana, com sêmen de um toro de raça holandesa, de genética apurada, que vai melhorar a produção de leite na propriedade, explica o técnico da Emater José Abílio.

“Exatamente. O objetivo da inseminação é você potencializar essas crias para um padrão de produção maior do que o produtor tinha. No primeiro ano, vai agregar de 30% a 40% de produção em relação ao produto que ele tinha. Isso com certeza. Mas há casos maiores”, afirma o extencionista da Emater

O programa de melhoramento genético foi iniciado a cerca de um ano. O resultado até o momento é de 17 bezerras e bezerros nascidos após a inseminação. Mais de 100 vacas receberam sêmen de bois selecionados das raças girolando e holandesa.

“O objetivo é trazer para o pequeno produtor um gado mais apurado, para melhor produção de leite. A produção sempre dobra. A bezerra nascida de inseminação vai dobrar o que era produzido pela mãe dela. Então, o produtor vai ter mais produtos para vender e obter mais lucros”, explica o secretário de Agricultura Dionício Pereira.

Os produtores interessados devem procurar a Secretaria Municipal de Agricultura e fazer o cadastro para participar do programa.

“O ganho de qualidade é exponencial. Todo animal inseminado, que vem de um touro central, tem um ganho de produtividade muito acima da média”, conta o extencionista da Emater José Abílio.

O técnico da Emater diz também que o produtor precisa ficar atento a outros parâmetros para cuidar de seu rebanho, com vacinas, alimentação e local de confinamento. “E assim, objetivando, não só a qualidade de vida do produtor, mas também a qualidade de vida do animal no ambiente que está vivendo.

Um casal nasceu no início do ano na propriedade de Josafá. Foto: Magson Gomes/Terra do Mandu

Números

Segundo a Emater, na região de Pouso Alegre são 8.740 propriedades com produção de leite que se enquadra na agricultura familiar. Juntas, elas respondem por 70% da produção de leite na região, com cerca de 20 milhões de litros por mês.

No município de Pouso Alegre são 1046 pequenos produtores de leite, com produção mensal de pouco mais de um milhão de litros/mês, percentual de 85% de toda a produção leiteira no município.

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