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Resistência contra o racismo, por João Pedro Ludovico

Terra do Mandu
20/11/2019

O estudante João Pedro Ludovico, de 17 anos, escreve sobre o Dia da Consciência Negra. Foto: reprodução

“Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele.” -Martin Luther King.

Hoje, dia 20 de novembro, é celebrado o Dia da Consciência Negra em nossa nação. Embora seja óbvio o motivo da existência dessa data, as vezes é necessário explicar para muitos a importância desse dia para a nossa comunidade negra.

No período pré-colonial e colonial, a principal mão de obra era a escrava, não somente no Brasil como em toda América, os portugueses e espanhóis escravizam negros do continente africano e impunham um trabalho desumano nas lavouras e minas. Os anos se passaram e narrativas visando a libertação dos negros foram crescendo, quando finalmente a Lei Eusébio de Queiroz -que proibiu o tráfico negreiro- foi aprovada. Embora essa lei estivesse em vigor, a escravidão não teve fim e os negros continuaram a ser explorados. Outras leis como a do Ventre Livre(1871) e dos Sexagenários(1885) procuraram estabelecer “benefícios” para os negros, mas não passavam de leis pífias para cumprir o ditado “lei para inglês ver”.

Zumbi dos Palmares, morto em 20 de novembro de 1695, ainda escravo. Imagem: reprodução

Após uma rigorosa pressão externa, a Lei Áurea, promulgada no dia 13 de maio de 1888, extinguiu o trabalho escravo no Brasil. Porém, libertou-se os negros, mas não deram condições para que eles pudessem ter ascensão econômica e social, assim nasceram as primeiras favelas e cortiços do Brasil. Vale ressaltar que o presidente Rodrigues Alves com sua política de higienização do Rio de Janeiro destruiu os cortiços para a criação de largas avenidas, novamente deixando negros desabrigados.

Ilustração da escravidão no Brasil. Foto: reprodução

Quando Abraham Lincoln, 16º presidente dos Estados Unidos, aboliu a escravatura em seu país, uma guerra civil entre Norte x Sul(separatista) foi instalada para evitar que isso ocorresse. Logo após a derrota, guerreiros inconformados do sul criaram a famosa Ku Klux Klan, que perseguia e exterminava negros.

Olho para um retrato da história, e vejo como movimentos negros, como os Panteras Negras de Malcolm X, o movimento de Nelson Mandela pelo fim do Apartheid ou até mesmo a revolta da chibata, no âmbito nacional, são descritas como movimentos terroristas e que incitam a violência. Ao invés de chamar de terroristas, prefiro denominar como movimentos de resistência contra o racismo. Não podemos deixar que as lutas de Martin Luther King, Rosa Parks e Malcolm X morram, elas expõe a importância de como a resistência levou às conquistas de direitos.

Quando pude ir ao cinema e ver o filme do Pantera Negra, minha felicidade se tornou inexplicável, em toda minha vida esperei por um filme com negros obtendo os papéis principais e fugindo do modo como a indústria -tanto musical como cinematográfica- exibe o negro, exatamente como Baco Exu do Blues diz: “Eles querem um preto com arma pra cima, num clipe na favela gritando: Cocaína, querem que nossa pele seja a pele do crime, que Pantera Negra só seja um filme”.

Poderia ficar ampliando ainda mais esse texto com histórias de resistência, porém, venho lembrá-los de negros que na história merecem seu reconhecimento por tudo que fizeram e o que representam para toda a comunidade negra: Machado de Assis, Luís Gama, Zumbi dos Palmares, Barack Obama, Muhammad Ali, Angela Davis, Milton Santos e Thomas Sankara.

Líderes negros que lutaram e lutam pela igualdade. Foto: reprodução

Espero que muitos, ao ler esse texto, mudem seus posicionamentos e deixem de olhar essa data como um empecilho para fins comerciais e sim para representatividade que ela é para toda uma população, que ao decorrer da história, sempre tentaram apagar seu histórico de lutas, vitórias, sofrimento e conquistas, se depender de mim, o sonho do Luther King ainda continua vivo e nunca irá morrer. Inclusive, recomendo grandes obras como os álbuns dos Racionais Mc’s.

Foto: reprodução

Texto escrito pelo estudante João Pedro Ludovico, de 17 anos. Ele irá fazer o curso de Direito.

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