Mercadão centenário guarda tradição mineira, histórias e atrai visitantes do Brasil e exterior
Prédio histórico é ponto de encontro para moradores e turistas e abriga famílias que construíram suas vidas atrás dos balcões; Terra do Mandu encontrou até uma visitante da França durante gravação nesta semana.
Quem entra no Mercado Municipal de Pouso Alegre, no Sul de Minas, encontra muito mais do que bancas de alimentos. Entre queijos, doces, frutas, cachaças, artesanatos, roupas, chapéus e tantos outros produtos, também estão histórias de famílias que passaram décadas trabalhando no mesmo lugar e de clientes que continuam voltando ao endereço depois de 30, 40 ou até 60 anos.
Construído em 1893, o Mercadão faz parte da história da cidade e, ao longo de mais de um século, passou por diferentes modificações. O que permaneceu é a característica de ser um espaço de encontro, onde moradores e visitantes circulam pelos corredores em busca de produtos, sabores e também de boas conversas.
“Porque aqui nós somos uma família. Nós somos uma família que foi criando os filhos com o tempo, foi criando, as crianças foram crescendo. Então a gente considera que o Mercadão é uma família”, conta Dinha Marques, empresária e proprietária de uma banca de frutas, verduras e legumes.
A banca, visitada durante a reportagem, tem cerca de 60 anos de tradição no local. A relação construída com os clientes é uma das marcas desse comércio. “Temos clientes de 35, 40 anos até hoje, que a gente atende com o maior carinho e dedicação”, relata a comerciante.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Do fumo de rolo aos produtos tradicionais
Entre os produtos que chamam a atenção de quem percorre os corredores está o fumo de rolo. A tradição permanece, mas a variedade de produtos e os diferentes usos fizeram com que ele continuasse presente nas bancas.
Há opções de fumo em rolo, desfiado e saborizado. Segundo os comerciantes, o produto é procurado por diferentes públicos, desde pessoas que fazem uso tradicional do fumo até consumidores que buscam outras formas de utilização, como preparo de banhos e cuidados com plantas.
A banca também representa uma história familiar. A proprietária trabalha no local ao lado do pai desde que a família adquiriu o espaço, em 1991.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Um amor que começou entre os corredores
No Mercadão, há também histórias que começaram atrás dos balcões e acabaram se transformando em uma vida inteira juntos. Miguel e Balbina completaram 48 anos de casamento e também 48 anos de trabalho no Mercado Municipal. A história dos dois começou justamente ali.
Miguel trabalhava em um supermercado ao lado do mercado e costumava passar pelo local. Balbina também frequentava o espaço. Os dois moravam no mesmo bairro e, entre conversas e encontros cotidianos, começaram uma relação que atravessaria décadas.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
“Começamos aqui dentro do mercado. Eu trabalhava no supermercado do lado e passava o tempo por aqui. A gente conversava, batia um papo. A gente morava no mesmo bairro”, lembra Miguel.
Depois vieram os filhos, que também passaram a ajudar no comércio. O trabalho, que inicialmente era uma forma de sustentar a família, acabou se tornando parte da própria história familiar.
Clientes que viraram amigos
A relação entre comerciantes e clientes também ultrapassa a simples compra e venda. Um dos exemplos é seu Eli, que mantém uma amizade de décadas com a família de Miguel e Balbina. Ele conta que é cliente há cerca de 40 anos, mas a amizade é ainda mais antiga.
“Eu passo aqui todo dia. Todo dia eu passo aqui”, conta. As conversas, os encontros e até o costume de tomar uma cachaça fazem parte da rotina. “Sou cliente dele e amigo. Uma amizade muito bonita desde criança. Nós fomos criados praticamente juntos”, relata.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Queijo, doce e sabores de Minas
Entre os produtos mais procurados pelos turistas estão os queijos. Fresco, meia-cura e outras variedades são levados por visitantes para outras cidades e estados. A tradição também aparece em produtos diferentes, como o picolé de queijo, produzido pela irmã de Balbina.
Além dos queijos, doces e outros alimentos típicos fazem parte do roteiro de quem visita o mercado. Para muitos turistas, a passagem pelo local também é uma oportunidade de levar para casa sabores associados à culinária mineira.
E não é apenas gente da região que circula por ali. Comerciantes relatam receber visitantes de diferentes cidades do Sul de Minas, do estado de São Paulo e de outras partes do país.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Petiscos e cachaça também fazem parte da tradição
Entre os boxes mais antigos está o Bar do Tibúrcio, que funciona desde 1969 e mantém a tradição dos petiscos. No cardápio aparecem torresmo, linguiça defumada, pé e joelho de porco, panceta, língua de vaca, fígado acebolado, peixe e queijo, entre outros tira-gostos que variam de acordo com o dia.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
E, para acompanhar, a cachaça também faz parte da experiência. A tradição da bebida também passa pela família. Uma das cachaças comercializadas é produzida por um primo da família, em uma receita que, segundo os comerciantes, tem mais de 50 anos e vem sendo mantida de geração em geração.
“Eu falo para todo mundo que o berço da gente foi o mercado”, conta Pomarola, que está praticamente desde o nascimento ligado ao espaço.
A relação é tão antiga que ele se aproxima dos 50 anos de vida tendo o Mercadão como cenário. “É praticamente uma vida que a gente dedica a cada dia, um dia a mais”, afirma.
Artesanato que conta a história da cidade
A variedade do Mercadão não se limita à alimentação. Pelos corredores também é possível encontrar roupas, calçados, chapéus e peças de artesanato que representam a região.
Entre os trabalhos está uma maquete da Catedral de Pouso Alegre, construída artesanalmente com materiais recicláveis, como papelão, palitos de dente e palitos de churrasco.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A produção da peça levou cerca de um ano e reproduz detalhes da igreja, transformando um dos símbolos da cidade em uma obra feita à mão.
Tradição que também chega de outros países
O Mercadão continua atraindo quem nasceu em Pouso Alegre, moradores da região e pessoas que vivem longe da cidade. Gustavo, que já morou em Pouso Alegre, voltou ao mercado para matar a saudade acompanhado da namorada, Chloe, que é francesa e estava conhecendo o espaço.
Para ele, apresentar o Mercadão também era uma forma de mostrar um pouco da cultura mineira. “É tradição, cultura mineira. E o sabor”, resume.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Entre os produtos que chamaram a atenção do casal estavam frutas e outros alimentos que, segundo Gustavo, apresentam uma variedade maior do que a encontrada no país de origem de Chloe. Queijo, doce de leite, cachaça e outros sabores típicos aparecem, para ele, como uma espécie de lembrança afetiva da cidade.
“Gosto, cachaça, queijo, doce de leite, tudo isso é muito bom e está aqui no coração, nostalgia pura. E ainda encontra tudo isso num lugar só”, afirma.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Um mercado feito de produtos, mas também de pessoas
Com mais de um século de história, o Mercado Municipal de Pouso Alegre passou por transformações, acompanhou o crescimento da cidade e viu diferentes gerações ocuparem seus boxes.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Mas algumas coisas continuam iguais: o encontro entre comerciantes e clientes, as receitas e produtos tradicionais, as conversas nos corredores e as histórias familiares que continuam sendo construídas atrás dos balcões.
Para quem chega pela primeira vez, o Mercadão pode ser um lugar para comprar queijo, doce, cachaça ou qualquer outro produto. Para quem frequenta há décadas, ele representa também amizade, trabalho, família e memória.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
É um pedaço da história de Pouso Alegre que continua sendo vivido todos os dias.
Quem entra no Mercado Municipal de Pouso Alegre, no Sul de Minas, encontra muito mais do que bancas de alimentos. Entre queijos, doces, frutas, cachaças, artesanatos, roupas, chapéus e tantos outros produtos, também estão histórias de famílias que passaram décadas trabalhando no mesmo lugar e de clientes que continuam voltando ao endereço depois de 30, 40 ou até 60 anos.
Construído em 1893, o Mercadão faz parte da história da cidade e, ao longo de mais de um século, passou por diferentes modificações. O que permaneceu é a característica de ser um espaço de encontro, onde moradores e visitantes circulam pelos corredores em busca de produtos, sabores e também de boas conversas.
“Porque aqui nós somos uma família. Nós somos uma família que foi criando os filhos com o tempo, foi criando, as crianças foram crescendo. Então a gente considera que o Mercadão é uma família”, conta Dinha Marques, empresária e proprietária de uma banca de frutas, verduras e legumes.
A banca, visitada durante a reportagem, tem cerca de 60 anos de tradição no local. A relação construída com os clientes é uma das marcas desse comércio. “Temos clientes de 35, 40 anos até hoje, que a gente atende com o maior carinho e dedicação”, relata a comerciante.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Do fumo de rolo aos produtos tradicionais
Entre os produtos que chamam a atenção de quem percorre os corredores está o fumo de rolo. A tradição permanece, mas a variedade de produtos e os diferentes usos fizeram com que ele continuasse presente nas bancas.
Há opções de fumo em rolo, desfiado e saborizado. Segundo os comerciantes, o produto é procurado por diferentes públicos, desde pessoas que fazem uso tradicional do fumo até consumidores que buscam outras formas de utilização, como preparo de banhos e cuidados com plantas.
A banca também representa uma história familiar. A proprietária trabalha no local ao lado do pai desde que a família adquiriu o espaço, em 1991.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Um amor que começou entre os corredores
No Mercadão, há também histórias que começaram atrás dos balcões e acabaram se transformando em uma vida inteira juntos. Miguel e Balbina completaram 48 anos de casamento e também 48 anos de trabalho no Mercado Municipal. A história dos dois começou justamente ali.
Miguel trabalhava em um supermercado ao lado do mercado e costumava passar pelo local. Balbina também frequentava o espaço. Os dois moravam no mesmo bairro e, entre conversas e encontros cotidianos, começaram uma relação que atravessaria décadas.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
“Começamos aqui dentro do mercado. Eu trabalhava no supermercado do lado e passava o tempo por aqui. A gente conversava, batia um papo. A gente morava no mesmo bairro”, lembra Miguel.
Depois vieram os filhos, que também passaram a ajudar no comércio. O trabalho, que inicialmente era uma forma de sustentar a família, acabou se tornando parte da própria história familiar.
Clientes que viraram amigos
A relação entre comerciantes e clientes também ultrapassa a simples compra e venda. Um dos exemplos é seu Eli, que mantém uma amizade de décadas com a família de Miguel e Balbina. Ele conta que é cliente há cerca de 40 anos, mas a amizade é ainda mais antiga.
“Eu passo aqui todo dia. Todo dia eu passo aqui”, conta. As conversas, os encontros e até o costume de tomar uma cachaça fazem parte da rotina. “Sou cliente dele e amigo. Uma amizade muito bonita desde criança. Nós fomos criados praticamente juntos”, relata.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Queijo, doce e sabores de Minas
Entre os produtos mais procurados pelos turistas estão os queijos. Fresco, meia-cura e outras variedades são levados por visitantes para outras cidades e estados. A tradição também aparece em produtos diferentes, como o picolé de queijo, produzido pela irmã de Balbina.
Além dos queijos, doces e outros alimentos típicos fazem parte do roteiro de quem visita o mercado. Para muitos turistas, a passagem pelo local também é uma oportunidade de levar para casa sabores associados à culinária mineira.
E não é apenas gente da região que circula por ali. Comerciantes relatam receber visitantes de diferentes cidades do Sul de Minas, do estado de São Paulo e de outras partes do país.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Petiscos e cachaça também fazem parte da tradição
Entre os boxes mais antigos está o Bar do Tibúrcio, que funciona desde 1969 e mantém a tradição dos petiscos. No cardápio aparecem torresmo, linguiça defumada, pé e joelho de porco, panceta, língua de vaca, fígado acebolado, peixe e queijo, entre outros tira-gostos que variam de acordo com o dia.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
E, para acompanhar, a cachaça também faz parte da experiência. A tradição da bebida também passa pela família. Uma das cachaças comercializadas é produzida por um primo da família, em uma receita que, segundo os comerciantes, tem mais de 50 anos e vem sendo mantida de geração em geração.
“Eu falo para todo mundo que o berço da gente foi o mercado”, conta Pomarola, que está praticamente desde o nascimento ligado ao espaço.
A relação é tão antiga que ele se aproxima dos 50 anos de vida tendo o Mercadão como cenário. “É praticamente uma vida que a gente dedica a cada dia, um dia a mais”, afirma.
Artesanato que conta a história da cidade
A variedade do Mercadão não se limita à alimentação. Pelos corredores também é possível encontrar roupas, calçados, chapéus e peças de artesanato que representam a região.
Entre os trabalhos está uma maquete da Catedral de Pouso Alegre, construída artesanalmente com materiais recicláveis, como papelão, palitos de dente e palitos de churrasco.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A produção da peça levou cerca de um ano e reproduz detalhes da igreja, transformando um dos símbolos da cidade em uma obra feita à mão.
Tradição que também chega de outros países
O Mercadão continua atraindo quem nasceu em Pouso Alegre, moradores da região e pessoas que vivem longe da cidade. Gustavo, que já morou em Pouso Alegre, voltou ao mercado para matar a saudade acompanhado da namorada, Chloe, que é francesa e estava conhecendo o espaço.
Para ele, apresentar o Mercadão também era uma forma de mostrar um pouco da cultura mineira. “É tradição, cultura mineira. E o sabor”, resume.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Entre os produtos que chamaram a atenção do casal estavam frutas e outros alimentos que, segundo Gustavo, apresentam uma variedade maior do que a encontrada no país de origem de Chloe. Queijo, doce de leite, cachaça e outros sabores típicos aparecem, para ele, como uma espécie de lembrança afetiva da cidade.
“Gosto, cachaça, queijo, doce de leite, tudo isso é muito bom e está aqui no coração, nostalgia pura. E ainda encontra tudo isso num lugar só”, afirma.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Um mercado feito de produtos, mas também de pessoas
Com mais de um século de história, o Mercado Municipal de Pouso Alegre passou por transformações, acompanhou o crescimento da cidade e viu diferentes gerações ocuparem seus boxes.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Mas algumas coisas continuam iguais: o encontro entre comerciantes e clientes, as receitas e produtos tradicionais, as conversas nos corredores e as histórias familiares que continuam sendo construídas atrás dos balcões.
Para quem chega pela primeira vez, o Mercadão pode ser um lugar para comprar queijo, doce, cachaça ou qualquer outro produto. Para quem frequenta há décadas, ele representa também amizade, trabalho, família e memória.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
É um pedaço da história de Pouso Alegre que continua sendo vivido todos os dias.
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