Casa do ex-presidente do Brasil Delfim Moreira conta a história da cidade que virou Vale da Eletrônica
Espaço reúne documentos, objetos e histórias de personagens que ajudaram a construir a identidade de Santa Rita do Sapucaí, como o legado de Sinhá Moreira
Antes de se tornar conhecida nacionalmente como Vale da Eletrônica, Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, já ocupava um espaço importante na história política e cultural do Brasil. Foi no município que viveu boa parte da vida Delfim Moreira, décimo presidente da República, que ocupou o cargo entre 1918 e 1919.
A antiga residência do político hoje abriga o Museu Histórico Delfim Moreira, espaço que preserva não apenas a trajetória do ex-presidente, mas também diferentes capítulos da formação do município.
Entre documentos, fotografias, móveis, objetos e registros audiovisuais, o visitante encontra pistas de como uma pequena cidade do interior mineiro construiu, ao longo de décadas, uma das histórias mais particulares de desenvolvimento tecnológico do país.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A história de um presidente que viveu em Santa Rita
Delfim Moreira nasceu em Cristina, também no Sul de Minas, mas chegou a Santa Rita do Sapucaí ainda criança, aos dez anos de idade, depois que seu pai adquiriu uma fazenda na região. A propriedade permanece até hoje com a família.
Foi no município que ele iniciou sua trajetória e, posteriormente, seguiu para São Paulo, onde cursou Direito na tradicional Faculdade do Largo de São Francisco. Entre seus contemporâneos estava Wenceslau Brás, também sul-mineiro e que posteriormente se tornaria presidente da República.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A trajetória política de Delfim Moreira começou como vereador em Santa Rita do Sapucaí/MG. Depois, ele chegou ao governo de Minas Gerais, tornou-se vice-presidente e assumiu a Presidência da República em 1919, após a morte de Rodrigues Alves.
Sua passagem pela Presidência foi curta. Delfim Moreira convocou novas eleições e morreu em 1920. Seu corpo está sepultado no cemitério municipal de Santa Rita do Sapucaí. Para o município, entretanto, a presença da família Moreira deixou marcas que ultrapassaram a política.
Uma casa que virou museu
A residência onde Delfim Moreira viveu foi transformada em museu em 1982. O imóvel passou por restauração em 2008 e atualmente é tombado como patrimônio cultural do município. O espaço preserva documentos, fotografias, móveis e objetos relacionados à trajetória do ex-presidente e à história de Santa Rita do Sapucaí.
Entre os materiais mais curiosos está um antigo registro cinematográfico recuperado por um dos responsáveis pelo museu. O filme, originalmente sem áudio, reúne imagens de Delfim Moreira ainda em vida, além de registros do seu sepultamento e de outros personagens da história local.
O material foi recuperado a partir do acervo do pai de Carlos Romero Carneiro, atual coordenador do Museu, que atuava como cinegrafista e registrava acontecimentos do cotidiano da cidade.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
De cidade histórica ao Vale da Eletrônica
Mas o museu não conta apenas a história de quem ocupou a Presidência da República. Ele ajuda a entender como Santa Rita do Sapucaí chegou ao título de Vale da Eletrônica.
A transformação começou a ser construída a partir de iniciativas de personagens que enxergaram na educação, na cultura e na formação profissional caminhos para o desenvolvimento do município.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Um dos nomes de destaque é Sinhá Moreira, sobrinha de Delfim Moreira. Segundo o museu, ela teve participação fundamental na criação de instituições que ajudaram a formar a base educacional e tecnológica que posteriormente transformaria Santa Rita.
Por meio de iniciativas ligadas à Fundação Educandário Santarritense, surgiram instituições que deram origem à Escola de Comércio, à FAI e ao Colégio Tecnológico. Ela também criou a Fundação Dona Mindoca Rennó Moreira, que posteriormente esteve ligada ao desenvolvimento de iniciativas que contribuíram para o surgimento do Inatel.
A atuação da família Moreira, portanto, atravessa diferentes gerações e ajuda a explicar uma característica marcante de Santa Rita: a capacidade de transformar educação e conhecimento em desenvolvimento.
O acervo do museu também apresenta outros períodos da história do município. A formação de Santa Rita do Sapucaí, a presença indígena, a chegada dos portugueses, a influência religiosa, os antigos ofícios e a relação da cidade com acontecimentos nacionais aparecem entre os registros preservados.
Também há referências à participação de moradores da região em momentos históricos como a Revolução Constitucionalista de 1932 e a Segunda Guerra Mundial. E uma parte da história que continua muito presente na cidade também ganhou espaço: o carnaval.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A rivalidade que virou patrimônio cultural
Santa Rita do Sapucaí é conhecida pela tradição carnavalesca e pela rivalidade entre os blocos Ride Palhaço e Democráticos. O Ride Palhaço surgiu em 1934, inspirado em uma música de carnaval que fazia sucesso na época. No mesmo período, uma divergência dentro da agremiação levou à criação dos Democráticos, inspirado no tradicional Clube dos Democráticos, do Rio de Janeiro.
A rivalidade entre os grupos atravessou décadas e se tornou uma das marcas culturais do município. Fotografias, documentos e objetos ajudam a preservar essa memória dentro do museu. Todos os anos, ambos blocos desfilam pelas ruas do município no Carnaval, arrastando multidões para a praça.
Uma cidade que olha para o futuro sem esquecer o passado
Hoje, Santa Rita do Sapucaí é reconhecida nacionalmente pela força de seu ecossistema de inovação, tecnologia e empreendedorismo. Empresas, instituições de ensino, eventos e iniciativas voltadas à eletrônica e à inovação fazem do município uma referência no setor.
Mas a história preservada no Museu Histórico Delfim Moreira mostra que essa transformação não aconteceu de uma hora para outra. A cidade que um dia teve apenas alguns milhares de moradores na área urbana e chegou a ter um presidente da República entre seus filhos adotivos construiu, ao longo das gerações, uma identidade própria.
De uma antiga residência presidencial, o museu ajuda a contar essa trajetória: uma cidade que preservou suas raízes enquanto construiu um caminho para o futuro. O Museu Histórico Delfim Moreira fica na entrada de Santa Rita do Sapucaí, próximo à BR-459. A visita é gratuita.
O espaço oferece visitas guiadas com duração aproximada de 30 minutos ou uma hora e meia. Também é possível conhecer o museu sem acompanhamento de guia. De segunda a sexta-feira, o funcionamento é das 8h às 11h30 e das 13h às 16h30. Aos fins de semana, as visitas são realizadas mediante agendamento.
Antes de se tornar conhecida nacionalmente como Vale da Eletrônica, Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, já ocupava um espaço importante na história política e cultural do Brasil. Foi no município que viveu boa parte da vida Delfim Moreira, décimo presidente da República, que ocupou o cargo entre 1918 e 1919.
A antiga residência do político hoje abriga o Museu Histórico Delfim Moreira, espaço que preserva não apenas a trajetória do ex-presidente, mas também diferentes capítulos da formação do município.
Entre documentos, fotografias, móveis, objetos e registros audiovisuais, o visitante encontra pistas de como uma pequena cidade do interior mineiro construiu, ao longo de décadas, uma das histórias mais particulares de desenvolvimento tecnológico do país.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A história de um presidente que viveu em Santa Rita
Delfim Moreira nasceu em Cristina, também no Sul de Minas, mas chegou a Santa Rita do Sapucaí ainda criança, aos dez anos de idade, depois que seu pai adquiriu uma fazenda na região. A propriedade permanece até hoje com a família.
Foi no município que ele iniciou sua trajetória e, posteriormente, seguiu para São Paulo, onde cursou Direito na tradicional Faculdade do Largo de São Francisco. Entre seus contemporâneos estava Wenceslau Brás, também sul-mineiro e que posteriormente se tornaria presidente da República.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A trajetória política de Delfim Moreira começou como vereador em Santa Rita do Sapucaí/MG. Depois, ele chegou ao governo de Minas Gerais, tornou-se vice-presidente e assumiu a Presidência da República em 1919, após a morte de Rodrigues Alves.
Sua passagem pela Presidência foi curta. Delfim Moreira convocou novas eleições e morreu em 1920. Seu corpo está sepultado no cemitério municipal de Santa Rita do Sapucaí. Para o município, entretanto, a presença da família Moreira deixou marcas que ultrapassaram a política.
Uma casa que virou museu
A residência onde Delfim Moreira viveu foi transformada em museu em 1982. O imóvel passou por restauração em 2008 e atualmente é tombado como patrimônio cultural do município. O espaço preserva documentos, fotografias, móveis e objetos relacionados à trajetória do ex-presidente e à história de Santa Rita do Sapucaí.
Entre os materiais mais curiosos está um antigo registro cinematográfico recuperado por um dos responsáveis pelo museu. O filme, originalmente sem áudio, reúne imagens de Delfim Moreira ainda em vida, além de registros do seu sepultamento e de outros personagens da história local.
O material foi recuperado a partir do acervo do pai de Carlos Romero Carneiro, atual coordenador do Museu, que atuava como cinegrafista e registrava acontecimentos do cotidiano da cidade.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
De cidade histórica ao Vale da Eletrônica
Mas o museu não conta apenas a história de quem ocupou a Presidência da República. Ele ajuda a entender como Santa Rita do Sapucaí chegou ao título de Vale da Eletrônica.
A transformação começou a ser construída a partir de iniciativas de personagens que enxergaram na educação, na cultura e na formação profissional caminhos para o desenvolvimento do município.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
Um dos nomes de destaque é Sinhá Moreira, sobrinha de Delfim Moreira. Segundo o museu, ela teve participação fundamental na criação de instituições que ajudaram a formar a base educacional e tecnológica que posteriormente transformaria Santa Rita.
Por meio de iniciativas ligadas à Fundação Educandário Santarritense, surgiram instituições que deram origem à Escola de Comércio, à FAI e ao Colégio Tecnológico. Ela também criou a Fundação Dona Mindoca Rennó Moreira, que posteriormente esteve ligada ao desenvolvimento de iniciativas que contribuíram para o surgimento do Inatel.
A atuação da família Moreira, portanto, atravessa diferentes gerações e ajuda a explicar uma característica marcante de Santa Rita: a capacidade de transformar educação e conhecimento em desenvolvimento.
O acervo do museu também apresenta outros períodos da história do município. A formação de Santa Rita do Sapucaí, a presença indígena, a chegada dos portugueses, a influência religiosa, os antigos ofícios e a relação da cidade com acontecimentos nacionais aparecem entre os registros preservados.
Também há referências à participação de moradores da região em momentos históricos como a Revolução Constitucionalista de 1932 e a Segunda Guerra Mundial. E uma parte da história que continua muito presente na cidade também ganhou espaço: o carnaval.
Foto: Iago Almeida/Terra do Mandu
A rivalidade que virou patrimônio cultural
Santa Rita do Sapucaí é conhecida pela tradição carnavalesca e pela rivalidade entre os blocos Ride Palhaço e Democráticos. O Ride Palhaço surgiu em 1934, inspirado em uma música de carnaval que fazia sucesso na época. No mesmo período, uma divergência dentro da agremiação levou à criação dos Democráticos, inspirado no tradicional Clube dos Democráticos, do Rio de Janeiro.
A rivalidade entre os grupos atravessou décadas e se tornou uma das marcas culturais do município. Fotografias, documentos e objetos ajudam a preservar essa memória dentro do museu. Todos os anos, ambos blocos desfilam pelas ruas do município no Carnaval, arrastando multidões para a praça.
Uma cidade que olha para o futuro sem esquecer o passado
Hoje, Santa Rita do Sapucaí é reconhecida nacionalmente pela força de seu ecossistema de inovação, tecnologia e empreendedorismo. Empresas, instituições de ensino, eventos e iniciativas voltadas à eletrônica e à inovação fazem do município uma referência no setor.
Mas a história preservada no Museu Histórico Delfim Moreira mostra que essa transformação não aconteceu de uma hora para outra. A cidade que um dia teve apenas alguns milhares de moradores na área urbana e chegou a ter um presidente da República entre seus filhos adotivos construiu, ao longo das gerações, uma identidade própria.
De uma antiga residência presidencial, o museu ajuda a contar essa trajetória: uma cidade que preservou suas raízes enquanto construiu um caminho para o futuro. O Museu Histórico Delfim Moreira fica na entrada de Santa Rita do Sapucaí, próximo à BR-459. A visita é gratuita.
O espaço oferece visitas guiadas com duração aproximada de 30 minutos ou uma hora e meia. Também é possível conhecer o museu sem acompanhamento de guia. De segunda a sexta-feira, o funcionamento é das 8h às 11h30 e das 13h às 16h30. Aos fins de semana, as visitas são realizadas mediante agendamento.
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