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Lili Ferreira conquista cinturão no mundial Karate Combat e mira lutar no UFC

Ela venceu cinco rounds contra a eslovaca Chochlikova, em Miami (EUA). Lili migrou para categoria peso palha e busca representar o Brasil no UFC.

Nayara Andery / 25 fevereiro 2026

A sul mineira Lili Ferreira é a campeã mundial do Karate Combat (KC 59) e foca em ingressar no UFC. Ela está de volta a Pouso Alegre (MG) após ganhar o cinturão da única luta feminina, entre as dez disputas que aconteceram em Miami (Estados Unidos), em 13 de fevereiro.

Lili, de 27 anos, venceu os cinco rounds contra a eslovaca Monika Volcano Chochlíková, na categoria peso palha (até 52kg). Esse é o primeiro cinturão dela no Karate Combat.

Dona de seis cinturões e mais prêmios, a atleta de Congonhal (MG) coleciona títulos internacionais. Além da vitória recente, ela é bicampeã do INVICTA, campeonato mundial de UFC feminino.

O Muay Thai é o esporte de Lili, mas ela se reinventa, treina com atletas de outros esportes e luta em competições rumo ao UFC. Ela explica que diferente do Invicta, o Karate Combat é um karate modificado que até lembra o MMA.

“Muda um pouquinho, que não tem a parte do Jiu-Jitsu. Para o MMA, muda essa parte de chão, não tem tempo. Você derrubou a menina ali, você tem cinco segundos. Às vezes, ele deixa um pouquinho enrolar mais, mas é pouca coisa, no máximo acho que uns 10 segundinhos e já levanta de novo e é a trocação.”

Ela fala do orgulho de levar o Brasil ao topo e ser uma das duas atletas mundiais a disputar a principal luta da noite no KC59. “A gente vê a força da mulher em meio de tantos homens, numa modalidade que eles acham que é apenas masculina. E as mulheres estão ganhando esse cenário, não só quanto na luta, em todos os esportes.”

Apesar da dificuldade da luta, Lili mostrou toda sua potência de golpes. Ela tem 1,54 m de altura e domina o Muay Thai, mas nos últimos anos tem competido no MMA.

Volkano se destaca no Muay Thai e K1. Tem 1,70 m e soma cinco títulos de campeã mundial e quatro de campeã europeia. A eslovaca (errata no vídeo cita escocesa) é segundo Lili, uma lutadora “da trocação, do kickboxing, do Muay Thai”.

Nova categoria rumo ao UFC

No Invicta Lili competiu na categoria peso átomo (47 kg). Para disputar e vencer a primeira luta no Karate Combat, em outubro de 2025, ela ganhou massa para lutar no peso palha (52 kg). Categoria necessária para ela buscar ser a nova brasileira no UFC, já que esse campeonato não possui o peso átomo.

Ela vai participar de uma luta internacional de MMA daqui a dois meses, para “entrar no UFC. Esse é o grande sonho dos atletas de MMA, entrar no maior evento que é o UFC. Tem que fazer história, fazer a nossa trajetória. Eu busco isso.”

A data e local da luta ainda serão definidos. A sul mineira queria lutar no Brasil, mas conta que a dificuldade é encontrar no país uma oponente para competir na mesma categoria e com o mesmo nível de experiência.

E o Karate Combat deu a Lili ainda mais visibilidade no esporte internacional, mesmo ela já tendo lutado no Invicta. “O Karate é uma mistura, e agora começaram a colocar outras modalidades. Ele tem uma visibilidade muito grande por ser um evento diferente. A partir do momento que eu lutei no ano passado lá, mudou muito, assim, de tudo.”

Determinação é uma das características de Lili Ferreira nas artes marciais. Ela sonha em se destacar cada vez mais no exterior, sem se desligar das raízes brasileiras. Para quem quer seguir esse legado, ela deixa algumas dicas.

“É não desistir, não desistir, persistir. Quando tá difícil é quando realmente você vai ver que vai ter resultado, tá? Porque a gente tem que passar pela dificuldade pra ter a glória, né? E ter fé. Eu acho que é uma das coisas mais importantes, é acreditar que se Deus coloca um sonho no seu coração, uma vontade, é porque vai ser realizado.”

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