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Seleção Brasileira Paralímpica de Atletismo encerra treinos na altitude de Senador Amaral

Magson Gomes
15/12/2020

Treino nas estradas de terra de Minas. Foto: CPB

Altitude, estrada de terra e isolamento. Assim foi a rotina por um mês de quatro corredores que disputam provas de média e longa distância pela Seleção Brasileira de atletismo Paralímpica. Eles ficaram concentrados em Senador Amaral, no sul de Minas Gerais, para realizar essa parte da preparação para os Jogos de Tóquio, que ocorrerão em agosto de 2021. A preparação foi encerrada nesta terça-feira, dia 15.

A cidade mineira está a 1.560m do nível do mar, cerca de 800m mais alto que São Paulo, onde é o Centro de Treinamento Paralímpico.
O técnico da seleção, Fábio Breda, explica que, ao correr em locais com maior altitude, os atletas sentem mais dificuldades pois seu corpo não está adaptado a menor concentração de oxigênio no ar.

Geralmente, a equipe costumava ir à Colômbia para realizar este tipo de treino a mais de 2.600m de altitude. Mas, por conta da pandemia de Covid-19, a comissão técnica escolheu uma cidade brasileira em que os atletas poderiam realizar os treinos em altitude e seguir o protocolo de segurança para preservar a saúde de todos os participantes.

“Nós estávamos em total isolamento. O CPB montou toda uma estrutura para a gente treinar na pousada. Então, no salão de eventos colocaram os equipamentos para fazermos o trabalho de soltura e musculação, além de ter um massoterapeuta para dar todo o suporte necessário. Só saíamos para treinar”, relata Yeltsin Jacques, que foi ouro nos 1.500m e bronze nos 5.000m da classe T12 (atletas com baixa visão) nos Jogos Parapan-americanos de Lima 2019. Ele ainda elogia as estradas de terra, muito bonitas e boas para treino de altitude, com subidas e descidas.

“Durante a pandemia, nós ficamos muito tempo só treinando em casa. Eu tenho uma esteira e comprei alguns outros equipamentos para ajudar. Já tinha voltado a treinar na rua, porém, só estava treinando em baixa altitude e no asfalto, que causa grande impacto no corpo. Esse percurso aqui em Senador foi muito bom por ser estrada de terra, o que dá um descanso”, diz o atleta Júlio César Agripino, campeão dos 1.500m da classe T11 (atletas cegos) no Mundial de Atletismo em Dubai 2019.

“No começo, eu não senti muito, mas com o tempo veio a exaustão da altitude que exige mais do corpo. Estou muito feliz com o trabalho. É bom respirar outros ares. Fez muito bem para a nossa preparação”, completa.

Além de Júlio César e Yeltsin, os fundistas Edilene Boaventura (atleta cega) e Yagonny Sousa (T46, para amputados de braço) completam a Seleção que participou dessa preparação. Dois técnicos, um massoterapeuta e quatro atletas-guias também acompanharam o grupo para assegurar a qualidade e segurança dos treinos.

Atletas e membros da comissão técnica que participaram dos treinos em Senador Amaral. Foto: CPB

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