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Paciente de Pouso Alegre que recebeu medula do próprio filho comemora resultado do transplante

Magson Gomes
18/07/2019

O organismo dela aceitou a medula óssea do filho de 15 anos através do procedimento conhecido como transplante haploidêntico. Renata Couto continua internada e ainda recebe medicamentos e transfusões de sangue até suas plaquetas voltarem a funcionar sozinhas.

Renata Couto com o marido Luiz Paulo comemoram que a medula pegou – reprodução

A medula pegou. Essa era a notícia mais aguardada pela assistente de RH de Pouso Alegre, Renata Couto, que passou por um transplante de medula óssea para tratar um câncer de linfoma. O tipo de transplante realizado foi o haploidêntico, quando o doador é 50% compatível com o paciente, e o doador da medula óssea foi o filho de Renata, o adolescente Vinycius Couto, de 15 anos. O procedimento é feito há pouco tempo no Brasil e é indicado quando o paciente não encontra um doador 100% compatível.

A informação de que o organismo de Renata aceitou a medula do filho ocorreu no 18º dia após o transplante, prazo considerado até rápido pelos médicos que a acompanha no hospital de São Paulo onde a técnica foi realizada. Renata continua internada e passando pelo tratamento pós-transplante. Ela precisa tomar dezenas de medicamentos todos os dias e recebe transfusões de sangue dia sim, dia não para repor as plaquetas e hemácias que ainda não funcionam sozinhas.

“Mas isso, segundo os médicos, é mais que normal. Eles precisam que eu fique pelo menos cinco dias sem transfundir para poderem programar minha alta”, conta Renata.

E mesmo após deixar o hospital, Renata ainda terá que ficar em São Paulo por mais 90 dias e ir ao hospital praticamente todos os dias para exames e análises de possíveis rejeições, ou infecções.

Renata Couto com o filho doador Vinycius na semana do transplante – reprodução

Renata procura espaço para alugar perto do hospital

Renata até fez um apelo em seu perfil no facebook e pediu para reproduzirmos aqui da necessidade dela de encontrar um espaço para alugar que fique perto do hospital e já mobiliado, onde ela precisa fazer as refeições e ficar nesse período. “Preciso próximo ao hospital que fica na região da Mooca, Tatuapé, Belenzinho. Agradeço de coração a cada um que puder nos ajudar nessa busca por um local”.

Em vídeo, Renata agradeceu o resultado do transplante e o seu filho doador, ‘anjo sem asas’:

Posted by Renata Couto on Thursday, 11 July 2019

A luta de Renata e o tipo de transplante realizado

No mês passado, Terra do Mandu publicou uma reportagem contando a luta de Renata Couto contra o linfoma de Hodgkin que ela descobriu há 15 anos. Ela estava com 19 anos e tinha acabado de ter seu segundo filho; o menino Vinycius Guilherme Couto, que estava com três meses de vida. E seria Vinycius o doador da medula óssea para a mãe.

Renata com os filhos e o marido Luiz Paulo antes de se internar em São Paulo para o transplante. Foto: Terra do Mandu

Renata passou por todos os tratamentos possíveis e o organismo não reagia mais aos medicamentos. Só restava o transplante de medula. Como a assistente de RH não encontrou ao longo desses 15 anos nenhum doador 100% compatível no banco de medula, a alternativa foi buscar o transplante haploidêntico.

O hematologista Fabian de Souza Camargo explicou que o transplante haploidêntico é uma técnica mais moderna de transplante em que o doador não precisa ser 100% compatível. “O haploidêntico é 50% ou as vezes, um pouquinho mais e, geralmente é de família pai, mãe irmão ou até primo pode ser doador”.

Segundo os médicos, o ideal seria o paciente encontrar um doador 100% compatível, mas essa é uma tarefa difícil. As chances são de 25% para encontrar um doador desse tipo na família e 1 em 100 mil entre outras pessoas em um banco de medula óssea. “Às vezes, não dá tempo de esperar um transplante 100% compatível. Então, o haploidêntico vem suprir essa demanda de transplante de medula óssea. Quando chega para o transplante é realmente que ela já fez todos os tipos de tratamento e o transplante pode ser a última opção de cura e sobrevida para essa pessoa”, disse o médico Fabian Camargo.

Renata Couto com o filho doador Vinycius e a medula que foi transplantada – reprodução
Equipe do hospital faz festa para comemorar a ‘pega da medula’. Foto: reprodução

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