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Paciente de Pouso Alegre vai receber doação de medula óssea do próprio filho

Magson Gomes
10/06/2019

Renata Couto luta contra um linfoma há 15 anos, mesma idade do filho que fará a doação. Técnica é chamada de transplante haploidêntico, quando o doador é 50% compatível com o paciente.

Essa é uma história de luta pela vida e de amor entre mãe e filho. Há 15 anos, a assistente de RH Renata do Couto Rosa Ribeiro descobriu que tinha um câncer, era um linfoma de Hodgkin. Renata estava com 19 anos e tinha acabado de ter seu segundo filho; o menino Vinycius Guilherme que estava com três meses de vida. É Vinycius que será o doador da medula óssea para a mãe. O procedimento é chamado de transplante haploidêntico, quando o doador é 50% compatível.

Renata se emociona ao falar da doação do filho. “Meu herói. [quando era pequeno] ele me ajudou muito. Pegava as injeções que eu tinha que tomar diariamente. Teve uma vez na escola que ele desenhou uma cama, ele e uma injeçãozinha”, conta Renata.

Vinycius já fez todos os exames e a doação será nos próximos dias. “Quero muito poder ajuda-la. Acompanhei toda a história e é bem ruim a história dela. Espero que ela fique bem, melhore e que suma o câncer dela”.

O hematologista Fabian de Souza Camargo explica que o transplante haploidêntico é indicado para os pacientes que não encontram um doador 100% compatível no banco de medula óssea. “O transplante haploidêntico é uma técnica mais moderna de transplante em que o doador não precisa ser 100% compatível. O haploidêntico é 50% ou as vezes, um pouquinho mais e, geralmente é de família pai, mãe irmão ou até primo pode ser doador”.

Médico Fabian de Souza Camargo explica o procedimento. Foto: Terra do Mandu

Segundo os médicos, o ideal seria o paciente encontrar um doador 100% compatível, mas essa é uma tarefa difícil. As chances são de 25% para encontrar um doador desse tipo na família e 1 em 100 mil entre outras pessoas em um banco de medula óssea. “Às vezes, não dá tempo de esperar um transplante 100% compatível. Então, o haploidêntico vem suprir essa demanda de transplante de medula óssea. Quando chega para o transplante é realmente que ela já fez todos os tipos de tratamento e o transplante pode ser a última opção de cura e sobrevida para essa pessoa”, diz o médico Fabian Camargo.

LUTA DIÁRIA PELA VIDA

Desde que descobriu que estava com câncer, em 2004, Renata passou por diversos tratamentos e fez 11 cirurgias. Mas o linfoma sempre reaparecia. “De 2004 até 2010 eu fiz todas as quimioterapias existentes para o linfoma de Hodgkin. Tudo que existia eu tomei”, relembra Renata. Em 2008, ela se submeteu a um transplante da própria medula, mas seis meses depois o câncer reapareceu. A assistente de RH ainda fez um tratamento experimental oferecido por um laboratório e ficou um período curada. Mas o linfoma ressurgiu em 2017 e o transplante foi a indicação dos médicos. “É uma luta constante. Nós lutamos dia após dia pela vida”.

Renata se apoia na família.

Nos próximos dias, Renata vai se internar para iniciar o tratamento para o transplante e espera, logo estar de volta para continuar vendo os filhos crescer. “Eu creio e tenho fé que vai dar tudo certo”.

 

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