
Foto: Inatel
Identificar um problema, pesquisar possibilidades, desenvolver uma solução e colocá-la à prova. É esse processo que está por trás dos projetos apresentados por estudantes do Instituto Nacional de Telecomunicações ‒ Inatel na 45ª edição da Feira Tecnológica do Inatel ‒ FETIN, realizada de 24 a 26 de setembro.
Neste ano, 138 soluções tecnológicas produzidas pelos estudantes de engenharia são apresentadas ao público, mostrando como conhecimentos adquiridos em sala de aula podem ser aplicados na criação de tecnologias para problemas concretos.
Mais do que construir protótipos, os estudantes passam por etapas de pesquisa, planejamento, desenvolvimento, testes e aperfeiçoamento. Nesse processo, precisam tomar decisões, lidar com limitações técnicas e avaliar como uma tecnologia pode responder de fato à necessidade que motivou sua criação.
Entre os projetos da edição estão soluções voltadas à comunicação de pessoas com deficiência, à inclusão na prática de atividades físicas e ao uso de informações meteorológicas para aplicações na agricultura.
Mais informações e programação completa: https://inatel.br/fetin/programacao
Tecnologia para ampliar a autonomia na comunicação
O projeto “Controle Total” nasceu de uma necessidade concreta: ampliar a autonomia na comunicação de uma pessoa com paralisia cerebral, que enfrenta limitações motoras e na fala e tem o sonho de ingressar no ensino superior. A partir dessa demanda, estudantes desenvolveram uma tecnologia capaz de transformar movimentos em comandos para comunicação.
A solução combina um dispositivo físico e um software desenvolvido para atender às necessidades do usuário. Por meio de simples movimentos, ele consegue navegar pela interface, selecionar palavras, formar frases e acionar a reprodução por voz, sem depender de métodos convencionais de interação. A interface organiza as palavras por categorias e também permite acessar um teclado para criar termos e frases que não estejam previamente cadastrados.
Embora o primeiro protótipo tenha sido desenvolvido considerando as características motoras de um usuário específico, a estrutura pode ser personalizada para outras pessoas com limitações motoras semelhantes. O equipamento permite adequar sua configuração às características de cada usuário, ampliando as possibilidades de aplicação da tecnologia.
O desenvolvimento também priorizou uma solução de baixo custo e acessível. O protótipo utiliza componentes eletrônicos acessíveis no mercado e tem custo estimado entre R$150 e R$170 em materiais. Para o software, os estudantes partiram de uma plataforma de código aberto e realizaram as modificações necessárias para incorporar as funcionalidades do projeto.

Foto: Inatel
Visão computacional para tornar o exercício mais acessível
Para deficientes visuais, atividades físicas podem apresentar uma barreira que muitas vezes passa despercebida: boa parte das orientações sobre a execução de exercícios depende de referências visuais.
Espelhos, vídeos e a observação do próprio movimento são recursos comuns para identificar erros de postura ou corrigir a execução de um exercício. Foi a partir desse desafio que estudantes desenvolveram o “GuiaMove”, uma plataforma que utiliza visão computacional para acompanhar movimentos e oferecer orientações em tempo real.
A interface foi desenvolvida especificamente para pessoas cegas e utiliza comandos de voz. O usuário interage com a plataforma por meio da fala e recebe respostas e orientações também de forma sonora.
Durante a atividade, o sistema acompanha os movimentos e identifica possíveis desvios. Em um exercício, por exemplo, pode indicar ao usuário que a posição do joelho precisa ser corrigida. Dessa forma, a tecnologia busca oferecer, por meio de áudio, informações que normalmente seriam obtidas a partir de referências visuais durante a prática de exercícios.
O objetivo é ampliar a autonomia e o acesso de pessoas cegas à atividade física, utilizando recursos de inteligência computacional para transformar informações sobre o movimento corporal em orientações que possam ser compreendidas pelo usuário.
O projeto também mostra como uma tecnologia desenvolvida em um contexto educacional pode partir de uma barreira de acessibilidade e ser pensada para uma aplicação cotidiana, aproximando conhecimentos de computação e engenharia de uma necessidade social.

Foto: Inatel
Dados climáticos para apoiar a agricultura e prever mudanças climáticas
No campo, as condições meteorológicas influenciam decisões que vão desde o planejamento de atividades até o desenvolvimento das culturas. Com mudanças nos padrões climáticos e fenômenos como o El Niño, acompanhar essas informações pode se tornar ainda mais relevante para a produção agrícola.
O “AgroSynk”, desenvolvido por estudantes do Inatel em parceria com a empresa Ativa, utiliza dados meteorológicos para analisar condições climáticas e investigar como essas informações podem ser aplicadas na identificação de possíveis riscos e no apoio à produção agrícola.
Para isso, uma plataforma meteorológica foi instalada no campus do Inatel para coletar parâmetros relacionados às condições do ambiente. Os dados obtidos servem como base para o desenvolvimento de análises relacionadas à variabilidade climática e às possíveis consequências para a agricultura.
A proposta também considera fenômenos climáticos como o El Niño e busca explorar como o monitoramento das condições meteorológicas pode contribuir para antecipar problemas e apoiar decisões relacionadas à produção.
Nesse projeto, o desafio dos estudantes está em transformar dados coletados por sensores em informações que possam ter utilidade prática. A iniciativa aproxima conhecimentos de engenharia, análise de dados e monitoramento ambiental de uma demanda diretamente relacionada à produção de alimentos.
Quando o problema vira ponto de partida
Apesar de atuarem em áreas diferentes, os três projetos partem de uma mesma lógica: a tecnologia é utilizada como meio para responder a uma necessidade identificada no mundo real. Essa abordagem faz parte da proposta da FETIN de colocar os estudantes diante de situações que exigem mais do que o domínio de conceitos técnicos. Ao longo do desenvolvimento, eles precisam pesquisar, testar hipóteses, construir soluções, identificar limitações e adaptar os projetos conforme os resultados obtidos.
Para o estudante, o processo também aproxima a formação acadêmica de situações que encontrará fora da instituição de ensino, como compreender uma necessidade, trabalhar em equipe, lidar com diferentes áreas do conhecimento e avaliar a aplicação de uma solução.
“A FETIN deixa uma marca na formação do estudante porque coloca o futuro engenheiro diante de problemas reais, que exigem mais do que conhecimento técnico. Ele precisa compreender o contexto, se colocar no lugar das pessoas e pensar em como aquela tecnologia pode gerar impacto. É uma experiência que contribui para formar um profissional com uma visão mais ampla, capaz de enxergar a engenharia não apenas pelos componentes e códigos, mas pelo objetivo de beneficiar uma pessoa ou uma comunidade”, explica Filipe Bueno, coordenador da FETIN.
A 45ª FETIN será realizada de 24 a 26 de setembro, no campus do Inatel, em Santa Rita do Sapucaí. Além da exposição dos 138 projetos, a programação inclui atividades para estudantes do Ensino Médio, iniciativas de empreendedorismo, participação de estudantes internacionais e atrações abertas à comunidade.
Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel | Campus em Santa Rita do Sapucaí/MG | Av. João de Camargo, 510 – Centro – 37536-001