
Foto: Redes sociais
Uma mulher foi morta a tiros na noite deste domingo (30/8), em Passa Quatro, no Sul de Minas. A vítima foi identificada como Dayane Aparecida Bonifácio Mota, de 33 anos. O ex-companheiro dela se entregou a polícia e confessou o crime.
Segundo o boletim de ocorrências registrado pela Polícia Militar, a irmã de Dayane presenciou a morte dela e acionou a polícia. Uma ambulância chegou a socorrer a mulher e a encaminhou para o hospital, mas ela não resistiu aos ferimentos e faleceu já na unidade de saúde.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) abriu um inquérito para apurar o crime, investigado como feminicídio. Ainda conforme a PC, a perícia esteve no local e realizou os trabalhos necessários para a coleta de vestígios. Um notebook pertencente à Dayene foi apreendido para auxiliar nas investigações.
Durante os levantamentos, também foi constatado que um veículo estacionado nas proximidades havia sido atingido por disparo de arma de fogo. O veículo seria da família do homem citado pelo assassino, como “pivô da separação”. Um projétil localizado no automóvel foi recolhido e encaminhado para análise pericial.
Após o crime, equipes da Polícia Militar, com apoio de policiais civis em Passa Quatro, iniciaram buscas pelo assassino. O homem se apresentou espontaneamente à PM e ao delegado de polícia em Passa Quatro, horas depois do crime. Após prestar depoimento, ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil em São Lourenço, onde foram adotadas as medidas cabíveis.
“A arma de fogo apontada como utilizada no crime ainda não havia sido localizada até a conclusão do registro da ocorrência. As investigações seguem em andamento para apuração completa dos fatos”, disse a PCMG.

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Homem confessou o crime!
O ex-companheiro da vítima, um homem de 35 anos, confessou o crime. Ele teria ido até o imóvel onde a mulher estava após deixar a filha na casa de familiares. Já no local, ele efetuou pelo menos três disparos de arma de fogo calibre .22 contra a vítima.
Em depoimento para a Polícia Militar, o homem disse que descobriu uma traição da mulher e, mesmo após a separação, estavam brigando. Ele alegou que estava em surto neste domingo, quando pegou a arma, deixou a filha na casa de familiares, e foi até a casa da ex, onde atirou contra ela.
Por meio de suas redes sociais, o homem chegou a publicar uma mensagem, onde escreveu “me perdoe. Tentei ser uma pessoa boa, sempre andar certo, sempre fiz tudo pra minha família. Mas uma pessoa que jurava me amar, me traiu quando saía pra trabalhar”, escreveu o assassino em seu instagram.

Print mostra publicação do ex-companheiro de Dayane, que a matou com 3 tiros
O ex-companheiro disse ainda que foi atrás do outro homem, que seria, segundo ele, o ‘pivô da separação’ com Dayane. Não o encontrando, ele efetuou tiros contra o carro do pai do homem e disse que jogou a arma de fogo às margens da rodovia MG-148. A arma não foi localizada.
Vereadora solta nota de repúdio
Por meio de suas redes sociais, a vereadora Flavia Pessoa emitiu uma nota de repúdio contra o assassinato de Dayane. Em suas palavras, ela disse que nada justifica tirar a vida de outra pessoa e que milhares de mulheres sofrem violência em silêncio e ainda são julgadas.
“Mais uma mulher foi assassinada pelo próprio EX marido. E precisamos dizer, sem rodeios: NADA justifica tirar a vida de outra pessoa. NADA!!! Nenhuma discussão, ciúme, separação ou qualquer circunstância pode transformar um feminicídio em algo aceitável. Enquanto isso, milhares de mulheres sofrem violência em silêncio. São agredidas, humilhadas, ameaçadas, controladas e, muitas vezes, permanecem caladas por medo. Essa é a realidade de muitas mulheres. Aqui em nossa cidade não é diferente”, escreveu a vereadora.
Ainda na nota, a vereadora disse que a violência contra a mulher não pode ser tratada pelo poder público como um problema menor ou como uma simples questão familiar. Mas, como uma questão de vida ou morte. Ainda citou o trauma da filha de Dayane, que agora ficou sem a mãe.
“VIDA ou MORTE. E lutar contra essa realidade não é fácil. Quem tenta fazer alguma coisa enfrenta resistência, críticas e, muitas vezes, o silêncio de quem deveria agir. Quem me acompanha sabe a LUTA que é. Uma LUTA solitária. Nem projetos aprovados referente a causa são colocados na prática. Mas não podemos desistir. Triste é sempre ter que levantar essa questão quando mais uma MULHER é VÍTIMA de uma crueldade dessas”, completou ela.
“Hoje, minha solidariedade está com essa família, que enfrenta uma dor que nenhuma palavra consegue explicar. E, principalmente, com a criança que terá sua vida marcada pelo trauma de perder a mãe dessa maneira. Uma criança não deveria carregar para o resto da vida as consequências da violência de um adulto. Que essa morte não seja apenas mais uma notícia. As pessoas dão sinais o tempo todo. NADA justifica tirar a VIDA de uma mulher. Enquanto eu tiver VOZ eu me posicionarei sempre e levarei esse tema adiante. Que seja um chamado à ação. Ou a sociedade acorda, as mulheres se unem e o poder público assume sua responsabilidade, ou nada muda”, encerrou a vereadora.

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