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Prefeito de Estiva nega agressão a árbitro e diz que apenas o segurou pela camiseta

Em vídeo publicado nas redes sociais, Vagner Abílio Belizário (Bilinho) apresentou sua versão sobre o episódio e afirmou que vai buscar provar sua versão na Justiça

Iago Almeida / 24 agosto 2026
Prefeito de Estiva nega agressão a árbitro e diz que apenas o segurou pela camiseta

Prefeito usou as redes sociais para se pronunciar, uma semana depois, do fato ocorrido no ginásio de Estiva/MG / Fotos: Reprodução

O prefeito de Estiva, no Sul de Minas, Vagner Abílio Belizário, conhecido como Bilinho, se manifestou sobre a ocorrência registrada por um árbitro de futebol amador, que afirmou ter sido agredido pelo chefe do Executivo Municipal dentro do Ginásio Poliesportivo da cidade.

Em um vídeo publicado nas redes sociais durante o fim de semana, o prefeito negou ter segurado o árbitro pelo pescoço ou agredido o homem e apresentou sua versão sobre o episódio, que teria sido ocorrido na sexta-feira (14/8).

Segundo Bilinho, ele foi até o poliesportivo depois de saber que o árbitro estaria no local para apitar uma partida. O prefeito afirmou que havia sido acordado anteriormente com a empresa responsável pela arbitragem que o profissional não seria mais escalado para jogos envolvendo equipes de Estiva.

Na manifestação, Bilinho afirmou que a decisão estaria relacionada a um episódio ocorrido durante o Campeonato Municipal de 2025. Segundo ele, o árbitro teria confraternizado com torcedores de uma das equipes que disputariam a final e enviado mensagens que, na avaliação do prefeito, provocaram a torcida adversária.

“O ano passado, o Campeonato Municipal de 2025, não foi realizada a final devido à conduta desse árbitro em estar confraternizando com torcida de um dos times que iria participar da final e também mandando mensagens provocando a torcida do outro time”, afirmou.

Ainda segundo Bilinho, a situação teria contribuído para que a final daquele campeonato não fosse realizada. “Isso causou um grande descrédito para o esporte da nossa cidade, culminando que não teve a final do campeonato em 2025”, disse.

O prefeito afirmou que, após conversar com a empresa responsável pela arbitragem, ficou definido que o árbitro não seria mais escalado para partidas envolvendo times de Estiva.

“Foi conversado com a empresa que fornece a arbitragem para a prefeitura de Estiva para que esse árbitro não fosse mais escalado para os jogos envolvendo os times de Estiva”, relatou.

Segundo Bilinho, o proprietário da empresa teria informado que faria a arbitragem da partida, mas não compareceu. Posteriormente, o árbitro teria sido chamado para assumir a função.

Prefeito admite contato físico, mas nega agressão

Bilinho afirmou que, ao chegar ao poliesportivo, questionou o árbitro sobre sua presença e explicou os motivos pelos quais ele não deveria apitar a partida.

“Eu fui chamado, me desloquei até o poliesportivo, chegando lá, perguntei para ele por que ele estava lá, ele disse que iria apitar o jogo, eu falei para ele que ele não iria apitar e expliquei para ele todas essas questões que envolveram o nome dele na final do campeonato do ano passado”, contou.

Ainda de acordo com o prefeito, o árbitro teria continuado a discutir e feito ataques verbais contra ele. “Mesmo assim, ele continuou desferindo contra mim vários ataques verbais, e falando que eu não mandava ali, que era ele que sabia quem ia apitar ou não”, afirmou.

Bilinho disse ainda que o árbitro estava com um celular e teria apontado o aparelho para o rosto dele. “Ele estava com o celular na mão, ele apontou o celular para o meu rosto e disse que iria começar a filmar. Eu afastei a mão dele com o celular, momento em que ele deu um tapa na minha mão”, relatou.

Na sequência, o prefeito reconheceu que houve contato físico entre os dois, mas negou a agressão descrita pelo árbitro. “Quando ele deu esse tapa na minha mão, eu o segurei pela camiseta. Segurei ele pela camiseta, afastei ele e perguntei para ele onde ele estava querendo chegar com aquilo”, afirmou.

Segundo Bilinho, outras pessoas intervieram e separaram os envolvidos. “Quando as pessoas interferiram e me seguraram, e seguraram ele também. Em momento algum, eu segurei ele pelo pescoço ou relei no braço dele”, declarou.

Prefeito questiona exame de corpo de delito

Durante o pronunciamento, Bilinho também questionou o fato de o árbitro não ter realizado exame de corpo de delito. O prefeito disse que o árbitro teria sido orientado a procurar atendimento médico, mas não teria realizado o exame.

“Toda essa versão que está sendo contada não passa de uma mentira deslavada. Tanto é mentira que ele acionou a Polícia Militar e mesmo tendo sido falado para ele para procurar o hospital, para fazer o exame de corpo de delito, ele não fez o exame de corpo de delito”, declarou.

Árbitro registra BO e diz ter sido agredido por prefeito de Estiva em amistoso

Árbitro mostrou roxo no braço e disse ter sido causado pelo prefeito de Estiva / Foto enviada ao Terra do Mandu

Bilinho também questionou as marcas apresentadas pelo árbitro em um vídeo. “Vocês acompanharam o vídeo que foi gravado por alguém, ele mostrando um roxo no braço, e daí a pessoa pergunta, e o pescoço? Ele fala, a marca do pescoço já sumiu. Como que marca de pescoço roxo na pele some de um dia para o outro?”, questionou.

O prefeito afirmou que a ausência do exame seria um dos pontos que, segundo ele, devem ser considerados na apuração. “Se ele foi agredido, o que não foi, por que então ele não procurou o hospital para fazer o exame de corpo de delito?”, disse.

Prefeito afirma que caso será resolvido na Justiça

Bilinho também afirmou que o episódio estaria sendo utilizado para prejudicar sua imagem e citou adversários políticos. “Tentaram me massacrar essa semana toda. Boa parte da oposição. Mas eu trago aqui os elementos que constituem a verdade do caso”, declarou.

Ele afirmou ainda que pretende levar sua versão à Justiça. “Com certeza, e vocês podem ter certeza, que tudo que eu estou falando aqui, eu vou provar por meio da Justiça, que é o lugar onde nós vamos resolver essas questões”, afirmou.

Ao finalizar o vídeo, o prefeito voltou a negar que tenha agredido o árbitro. “Eu volto a dizer, mais uma vez, por que não fez o exame de corpo de delito? Não fez porque não tinha marca alguma. Não fez porque eu não agredi ninguém”, declarou.

Caso segue em apuração

O caso foi registrado pela Polícia Militar e encaminhado para apuração das autoridades competentes, como a Polícia Civil, que abriu um inquérito de invstigação. O árbitro relatou aos policiais que teria sido impedido pelo prefeito de realizar a arbitragem e, posteriormente, segurado pelo pescoço.

Duas testemunhas também foram ouvidas pela polícia e, segundo o registro da ocorrência, teriam presenciado o episódio. O árbitro apresentou aos policiais imagens de marcas roxas em um dos braços.

O Terra do Mandu acompanha a apuração do caso. Até o momento, não há decisão judicial sobre o episódio e as circunstâncias da ocorrência ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades.

Vagner Abílio Belizário, o Bilinho, foi reeleito prefeito de Estiva nas eleições de 2024, pelo PSD, com 54,71% dos votos.

Árbitro envia nota e questiona versão do prefeito

Após a divulgação do pronunciamento do prefeito, o árbitro citado no caso enviou uma nota à redação do Terra do Mandu, questionando a versão dada por Bilinho e dizendo que existem testemunhas do ocorrido e que, inclusive, presenciaram a agressão por parte do prefeito. Veja a nota na íntegra:

“Lamento que decorrido uma semana após o ocorrido o prefeito vem a público e destroce os fatos, embora, assuma a autoria e materialidade. Diante de tamanha repercussão esperava ao menos um pedido de desculpas e não mais ataques.

Sobre a final do campeonato citado em dezembro estranhamente até o momento não existe documentação formal para aquele cancelamento, e a empresa também não foi contatada pelas vias previstas no contrato da licitação pública, e isso não autoriza a agressão e tampouco o abuso de autoridade, afinal o Prefeito deixou sua residência e foi até o poliesportivo impedir meu trabalho de forma arbitrária, no arrepio da lei.

Registro que apitei outras partidas normalmente, como a final do campeonato no bairro Pinhal 2, em Estiva, no dia 11 de julho. Onde o Diretor de Esportes estava presente, assim como vereadores, não houve qualquer impedimento, o evento foi inclusive publicado nas redes sociais da Prefeitura.

Diante da gravidade da situação de agressão fiz o boletim de ocorrência, existem testemunhas, inclusive o Diretor Municipal de Esportes no Boletim de Ocorrência afirmou que presenciou a agressão por parte do Prefeito. Mais uma vez lamento todo o ocorrido e transtorno causado, toda situação foi causada única e exclusivamente pela conduta do Prefeito”. 

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