
Foto gerada por Inteligência Artificial
O setor de alimentação fora do lar e de hospedagem do Sul de Minas tem registrado um aumento nas tentativas de golpe envolvendo pagamentos via PIX. Empresários de bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis e similares relatam que criminosos estão utilizando comprovantes falsos, ligações enganosas e até links maliciosos para tentar aplicar fraudes e causar prejuízos aos estabelecimentos.
Em Pouso Alegre, associados do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Pouso Alegre (SINDIPA/MG) relatam esse tipo de ocorrência. Segundo uma empresária do setor, as tentativas de golpe acontecem todos os finais de semana, envolvendo tanto pessoas desconhecidas quanto clientes que aparentam ser conhecidos. Diante da frequência das tentativas, ela precisou mudar a forma de receber pagamentos.
“Antes, eu conferia os comprovantes manualmente, mas, com o movimento do restaurante, isso ficou inviável. Hoje utilizamos um aplicativo que recebe o PIX e somente depois encaminha o valor para a conta da empresa. Pagamos uma taxa pelo serviço, mas vale muito mais a pena do que correr o risco de aceitar um comprovante falso. No salão, priorizamos o pagamento pela máquina de cartão para evitar dores de cabeça”, relatou a empresária, que não teve nome divulgado.
Outro associado do SINDIPA, do setor hoteleiro, informou que também enfrenta tentativas frequentes de fraude por meio de comprovantes falsos de PIX. “No hotel, aprendemos que reserva só é confirmada depois que o valor realmente entra na conta. O comprovante, por si só, não garante que o pagamento foi realizado”, contou o hoteleiro.
Em uma pizzaria da cidade, foram pelo menos quatro relatos entre os atendentes, sobre golpes nos últimos meses. “Cliente mandou um comprovante de PIX em formato estranho, sem ser os dados da pessoa titular, papel editado com CNPJ errado nosso. Verificado a conta nada de cair o valor. Outro cliente falou que pagou PIX e ia mandar o comprovante; aí falei motoboy não entregar a pizza, depois bloqueou número do nosso restaurante. E um trote do São Geraldo, quando coloquei número dele no PIX, peguei metade do CPF dele e consultei, o cara cheio de processos, furto, tráfico. Foi por telefone o pedido, não conseguia fazer pedido nos aplicativos e pediu pra abrir exceção pra ele no bairro Costa Rios”, explicou a empresária, dona da pizzaria.
Golpes na região de Varginha
No grupo de empresários do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Varginha (SEHAV), já foram registrados relatos de tentativas de golpe em Varginha e Três Corações.
Em muitos casos, os criminosos entram em contato utilizando números com DDD 11 e fazem pedidos de alimentos e bebidas com valores variados, entre R$150,00 e R$500,00, somente no último final de semana. Após o suposto pagamento, enviam um comprovante falso de PIX e pressionam o estabelecimento para que o pedido seja entregue rapidamente.
Há ainda situações curiosas. Um restaurante recebeu uma ligação de uma pessoa afirmando que havia realizado um pedido pelo site do estabelecimento e efetuado o pagamento. O detalhe é que o restaurante sequer possui site, evidenciando a tentativa de fraude.
Nova modalidade de golpe
Além dos comprovantes falsos, empresários também relatam uma nova modalidade de golpe. Os criminosos enviam links por aplicativos de mensagens ou e-mail, alegando se tratar de comprovantes, notas fiscais ou atualizações de cadastro.
Ao serem acessados, esses links podem instalar programas maliciosos e permitir tentativas de invasão dos computadores e sistemas das empresas. O presidente do SEHAV, da Abrasel no Sul de Minas, da ACIV e da ACNV, André Yuki, alerta que os empresários precisam redobrar a atenção diante do crescimento desse tipo de crime.
“Os golpistas estão cada vez mais sofisticados e exploram justamente os momentos de maior movimento dos estabelecimentos. É fundamental que nenhuma entrega seja liberada ou reserva confirmada apenas com base em um comprovante enviado pelo cliente. O único comprovante válido é a confirmação do crédito na conta da empresa. Também orientamos que nenhum link desconhecido seja aberto e que os colaboradores recebam treinamento para identificar essas tentativas de fraude”, afirmou.
Yuki reforça ainda que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar prejuízos. “Vale investir em sistemas que automatizam a conferência dos pagamentos, estabelecer protocolos internos e, sempre que houver qualquer dúvida, confirmar o recebimento diretamente na conta bancária antes de concluir a venda. Alguns minutos de conferência podem evitar prejuízos financeiros e muita dor de cabeça”, explicou.
O presidente do SINDIPA e vice-presidente da Abrasel no Sul de Minas, Rolando Brandão, destaca que o problema deixou de ser um caso isolado e já faz parte da rotina de muitos empresários da região.
“Infelizmente, recebemos relatos praticamente todos os finais de semana. Os criminosos contam com a correria dos restaurantes, hotéis e estabelecimentos para que ninguém tenha tempo de conferir o pagamento corretamente. Nossa orientação é que os empresários revisem seus processos internos, confirmem sempre o crédito na conta e nunca confiem apenas na imagem de um comprovante”, destacou.
Brandão também chama atenção para os riscos no ambiente digital. “Outro cuidado importante é jamais clicar em links enviados por desconhecidos ou supostos clientes. Muitos desses links têm como objetivo invadir computadores, capturar dados ou comprometer o sistema da empresa. A informação e a prevenção são as melhores formas de combater esse tipo de golpe”, concluiu.
Como evitar golpes do PIX
As entidades reforçam que, diante do aumento das tentativas de fraude, a troca de informações entre os empresários tem sido fundamental para identificar padrões de atuação dos criminosos e evitar novos prejuízos ao setor. Por isso, as entidades orientam que os empresários adotem algumas medidas simples para reduzir os riscos:
- Nunca liberar pedidos ou confirmar reservas apenas com base em um comprovante enviado pelo cliente;
- Conferir se o valor realmente foi creditado na conta bancária da empresa;
- Utilizar sistemas ou aplicativos que façam a validação automática dos pagamentos;
- Desconfiar de ligações, mensagens ou pedidos com pressão por rapidez na entrega;
- Não clicar em links enviados por pessoas desconhecidas ou de origem duvidosa;
- Treinar as equipes para reconhecer tentativas de fraude;
- Registrar boletim de ocorrência e comunicar a instituição financeira sempre que houver tentativa ou confirmação de golpe.