Pouso Alegre

Nova Residência Inclusiva para PCDs dobra atendimentos em Pouso Alegre

Projeto atende pessoas com deficiência física, intelectual ou mental, em vulnerabilidade social. Novo local amplia de 12 para 24 vagas de moradia.

Nayara Andery / 30 junho 2026

A nova Residência Inclusiva em Pouso Alegre dá um salto no atendimento municipal a pessoas com deficiência em vulnerabilidade social. O projeto dobrou de 12 para 24 vagas de moradia. O sítio com duas casas de atendimento multidisciplinar foi inaugurado nesta terça-feira (30/6), no bairro Faisqueira.

São 12 pessoas transferidas da antiga sede, criada em 2023 no bairro Ipiranga, para o novo endereço. A área é de 3 mil metros quadrados. Três pessoas que estavam na fila de espera estão morando no local, totalizando 15 atendidos.

Gilmar Araújo, de 56 anos, tem transtorno intelectual. Afastado da família, ele morava nas ruas e com o decorrer do tempo, o quadro de saúde exigiu cuidados amplos. E há quatro anos se tornou morador da Residência Inclusiva.

Para Gilmar, é mais que um espaço. “Eles cuidam muito bem da gente, dão assistência que a gente precisa. O carinho, o atendimento médico, eles levam a gente para passear e tudo.” O sonho dele é ter autonomia e recuperar o convívio com a filha e a família.

Gilmar mora há quatro anos em Residência Inclusiva para pessoas com deficiência em vulnerabilidade social. Imagem Renan Bandana/Terra do Mandu.

“É dar atendimento com dignidade, por 24 horas”, detalha a secretária municipal de Políticas Sociais, Marcela Nascimento. O projeto atende pessoas com deficiência física, intelectual e mental, de 18 a 59 anos. Ele oferece desenvolvimento da autonomia de quem não têm condições de se sustentar ou amparo familiar adequado.

O acolhimento humanizado inclui pessoas que vivem casos de abandono, negligência, violência, rompimento ou fragilidade dos vínculos familiares e comunitários.

Entre essas histórias, está a de Alerrando Vitor, de 25 anos, com transtorno intelectual. Ele fala dos traumas vividos desde que foi abandonado pela mãe, aos 5 anos. A casa é um refúgio, com cuidado e amor que ele vivencia há dois meses.

“A gente tem tudo aqui, que não tem lá fora”, resume Alerrandro. O trauma do abandono “é uma dor muito grande que carrego no peito todos os dias. A Residência Inclusiva foi a solução quando eu estava nos piores momentos lá fora, que é abandono, maus tratos. E aqui dentro a gente tem o melhor”.

Como funciona

A Residência Inclusiva visa resgatar o ser humano. A pessoa pode morar no local sem limite de permanência, seja por dias, meses ou anos. O projeto oferece hospedagem, alimentação, cuidadores 24 horas, assistente social, terapeutas, psicólogo e psicopedagogo, direcionamento para o CAPS de saúde mental e Centro de Convivência.

As vagas são preenchidas após análise social feita da prefeitura e nos casos em que a justiça ou Ministério Público pedem a intervenção do Poder Executivo na vida do cidadão. Os pedidos podem ser feitos pela comunidade, no CREAS Central que fica na Praça CEU, na Avenida Perimetral.

Resultados

Valorizar a autonomia é algo que já gera resultados. Marcela conta que dois moradores saíram da Residência Inclusiva após ter a autonomia resgatada. Quem se desliga do projeto recebe acompanhamento da equipe.

E enquanto os moradores são acolhidos na casa, podem ter inserção social, seja com trabalho ou convivência em sociedade. A secretária acrescenta que “tem alguns que trabalham durante o dia e depois retornam para cá, recebendo os cuidados necessários”.

Os atendidos que têm parentes podem tentar resgatar esse convívio. Ação que tem apoio da equipe multidisciplinar. “Para que a família possa ter suporte e estrutura, eles possam ter ou a autonomia do autocuidado ou retornar para suas famílias. E aquela (família) que não tem condição de acolher, eles permanecem aqui, com atendimento digno.”

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