
Elizângela com o marido e filhos. Imagem enviado ao Terra do Mandu
Faleceu no início da madrugada deste sábado (30/5), no dia do aniversário de 32 anos, a vigilante patrimonial Elizângela Oliveira Lima. Elizângela lutava contra um câncer de mama triplo negativo, que é raro e um dos mais agressivos. Elizângela e de Pouso Alegre e estava internada no Hopsital do Câncer, em Barretos (SP). A doença foi descoberta nos primeiros meses de gravidez do quarto filho, em 2024.
Após ouvir os médicos sobre as possibilidades, a família decidiu manter a gestação e o pequeno Mateus e iniciar o tratamento contra o câncer após o nascimento do bebê. Mateus nasceu prematuro de 32 semanas, mas com saúde. Ele completou 1 ano nesta semana, dia 26/5.
A gravidez foi interrompida porque o câncer se tornou mais agressivo e Elizângela precisou passar por cirurgias. Foi aí também que ela passou a enfrentar as dificuldades impostas pelo plano de saúde da família, o Hapvida/Notredame.
“Assim que interrompeu a gestação, ela deveria só cicatrizar a cesárea e já iniciar, coisa de 7 dias a 14 dias uma cicatrização. Aí eles (convênio) começaram a dificultar o acesso ao tratamento, já logo de começo não liberaram imunoterapia e depois quimioterapia”, relatou o marido.
Diego conta que o primeiro pedido do medicamento de alto custo para tratar o câncer que havia atingido o pulmão foi ainda em dezembro do ano passado. Diego contou que a esposa sofreu muito e os familiares que estavam presentes no Hospital de Amor, em Barretos (SP), pediram a Deus que deixassem Elizângela descansar.
Diego ressalta que a esposa não merecida tamanho sofrimento e que o que ela sofreu “é culpa da demora do plano de saúde em liberar o medicamento”.
O Terra do Mandu contou aqui sobre a batalha judicial para Elizângela conseguir a liberação pelo plano de uma medicação de alto custo. Mesmo após liminar da justiça, a empresa não fez a liberação imediato do medicamento. Isso só aconteceu após a família procurar a imprensa, no dia 20 deste mês, para relatar o que estava ocorrendo.
No entanto, Diego Gomes, marido de Elizângela, contou que a esposa faleceu sem usar a medicação liberada na semana passada. Leia as matérias anteriores sobre a briga na justiça para ter o acesso ao medicamento.
Sobre a escolha de manter a gestação, Diego disse que os médicos avisaram que os dois caminhos eram fazer o aborto para iniciar o tratamento contra o câncer ou assumir os riscos da evolução da doença durante a gestação.
“A gente escolheu a atitude mais nobre, a minha esposa é a heroína do meu filho. Nisso que evoluiu a doença, mesmo ela fazendo a primeira quimioterapia, ela foi pra mesa de cirurgia, ela fez mastectomia, ela removeu a mama, aí tinha que esperar a cicatrização dessa cirurgia da mastectomia, com 30 dias, retornou de novo o câncer, na própria cicatrização. E aí ela teve que entrar pra segunda cirurgia”, explicou o marido.
Família fez vakinha
Diante da negativa do plano de fornecer o medicamento de imediato, parentes de Elizângela organizaram uma campanha para arrecadar dinheiro para arcar com o tratamento. O objetivo era conseguir R$ 145 mil para iniciar o tratamento com o remédio que o convênio não queria fornecer. Segundo a família, são necessários quase R$ 70 mil por mês para compra do medicamento para o tratamento da mulher.
Velório e sepultamento
O corpo de Elizângela será velado na Funerária Santa Edwiges, em Pouso Alegre, a partir das 16h deste sábado. O sepultamento, será na manhã deste domingo (1º/6).