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Paciente de Pouso Alegre comemora ‘pega’ da medula óssea

Auxiliadora doou a medula para o filho Vitor, que se tratava em Pouso Alegre. Arquivo pessoal.

“Sua medula pegou” é a frase que surpreendeu Vitor Siqueira Santana, na última semana. Ele fazia tratamento em Pouso Alegre contra a leucemia, enquanto aguardava o transplante de medula óssea.

Vitor, o recém-transplantado

“O transplante deu certo. Meu corpo quer rejeitar mas, a medula em si está trabalhando, graças a Deus”, conta Vitor, de 22 anos. Ele se mudou de Tucuruí (PA) para Pouso Alegre, em 2020. Ao descobrir a leucemia, em 2021, ele começou a luta em busca de uma uma medula compatível.

A mãe, o pai e a irmã de 13 anos se mudaram para Pouso Alegre para ajudá-lo no tratamento. Como um doador desistiu, a médica aprovou que a mãe Auxiliadora Siqueira doasse a medula, mesmo com a chance de 50% de compatibilidade.

O transplante feito em 20 de agosto na Santa Casa de Belo Horizonte só teve sucesso confirmado em 7 de setembro. Foi em uma pesagem de rotina que Vitor recebeu o Certificado de Coragem, com a frase que a medula “pegou”. “Foi emocionante”, conta a mãe.

Um vídeo registrou a emoção da comemoração da equipe do hospital. Ele e a mãe devem ficar cerca de quatro meses na Santa Casa, para o tratamento pós-transplante. As reações do corpo de Vitor ao transplante mostram que o organismo tenta se adaptar à nova medula.

“A medula está reagindo, mas, o corpo tenta rejeitar. Isso gerou mudanças, entre elas, febre causada por vírus, reações na pele e a medicação foi iniciada”, explica a mãe. É com a fé e o apoio de amigos e até desconhecidos, que a família tenta superar as dificuldades.

“Agradecemos as orações e a ajuda de todos. Às vezes a gente tá abatido e isso tudo que a equipe do transplante faz é maravilhoso. Eu nunca fui tão bem tratada em um hospital, como fui em Pouso Alegre e principalmente em Belo Horizonte.”

Não é só a medula pegar, tem outros processos pós-transplantes. Tem casos que a medula não pega, é rejeitada, mas, mesmo assim a importância é ajudar a salvar vidas.

Mais pacientes lutam contra doenças relacionadas à medula

Entre os pacientes de Pouso Alegre que esperam esse transplante está o Miguel Reimbert,. Aos 15 anos, ele descobriu em julho de 2022 que é portador de Aplasia de Medula Óssea.

Uma campanha da família ganhou apoio de instituições e até do Pouso Alegre Futebol Clube, nos últimos meses. O foco é conscientizar a população sobre a importância da doação para ele e outros pacientes.

Miguel faz “transfusões de sangue, enquanto aguarda aprovação do Governo de Minas Gerais para iniciar tratamento de alto custo”, cita a mãe Gabriela Reimberg. Renata Couto, que há 18 anos luta contra o Linfoma de Hodgkin, sabe de perto o que é essa espera.

Ela já passou por dois transplantes e por isso ajuda pacientes da região e até de outros locais. Renata criou a campanha “Doe Vida e Vida”, que passou por 28 cidades estimulando a doação de medula. No Instagram @renata_couto33 ela faz vídeos para esclarecer dúvidas de pacientes e doadores.

Renata Couto é transplantada e ajuda em campanhas de conscientização e doação e medula óssea. Foto arquivo pessoal.

Tratamento a 260km de distância

Para Samyra Fátima Hernandez, de 15 anos, as dificuldades são o linfoma recém-descoberto e a distância para se tratar. Ele que mora em Perdões (MG), percorre 260km para fazer quimioterapia no Hospital Regional de Pouso Alegre.

Samyra Hernandez faz quimioterapia em Pouso Alegre. Foto arquivo pessoal.

A adolescente está no segundo ciclo do tratamento. O linfoma atingiu parte da clavícula e pescoço, mas, como não afetou a medula óssea, ela não precisa de transplante. Os efeitos da doença se acumulam com o cansaço das viagens de ida e volta. As quimioterapias são feitas por dez dias do mês.

Uma campanha ajuda a adolescente a custear os remédio para o tratamento, já que “tem medicação que não encontra no hospital”, esclarece Samyra. As doações que podem ser feitas pelo PIX (CPF) 18927370600, também ajudam ela a manter uma dieta equilibrada devido ao “tratamento exigir muito do meu rim e fígado”.

Confira a reportagem em vídeo:

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