Pouso Alegre

Eclipse parcial da Lua poderá ser observado em cidades do Sul de Minas na madrugada

Em Itajubá, haverá programação com experimentos científicos, palestra e atividades para todas as idades. Astrônomo e Astrofísico explica o fenômeno; veja!

Iago Almeida / 27 agosto 2026
Eclipse parcial da Lua poderá ser observado em cidades do Sul de Minas na madrugada

Foto: Rodrigo Fernandes

O céu promete um espetáculo especial entre a noite desta quinta-feira (27/8) e a madrugada de sexta (28/8). Um eclipse parcial da Lua poderá ser observado de todo o Brasil, sem a necessidade de equipamentos especiais. O fenômeno acontece quando a Terra passa a se posicionar entre o Sol e a Lua e sua sombra é projetada sobre a superfície lunar.

Para quem pretende acompanhar o eclipse, o principal momento será durante a madrugada. A fase parcial começa às 23h34 desta quinta-feira e chega ao ponto máximo às 1h13 de sexta-feira, quando aproximadamente 96% da Lua estará dentro da sombra projetada pela Terra. O fenômeno parcial termina às 2h52.

O astrônomo e astrofísico Rodrigo Fernandes explicou ao Terra do Mandu como o alinhamento entre os três astros produz o fenômeno e quais são os melhores momentos para quem pretende olhar para o céu. Veja:

O que acontece durante um eclipse lunar?

Apesar de parecer que a Lua simplesmente “desaparece” em parte, o fenômeno é resultado de um alinhamento astronômico. O Sol continua iluminando a Lua, mas a Terra fica no caminho da luz e projeta sua sombra sobre o satélite natural.

No eclipse desta quinta-feira, porém, a Lua não ficará completamente coberta. Por isso, o fenômeno é classificado como eclipse lunar parcial.

Durante o momento de maior cobertura, uma pequena parte da superfície lunar continuará recebendo diretamente a luz do Sol. A região atingida pela sombra poderá ganhar também uma tonalidade avermelhada, efeito provocado pela passagem e pelo desvio da luz solar na atmosfera terrestre.

Segundo Rodrigo Fernandes, a observação também permite perceber, de forma visual, a dimensão da sombra da Terra no espaço e compreender um fenômeno que envolve diretamente os movimentos do Sol, da Terra e da Lua.

Dá para ver a olho nu?

Sim. E essa é uma das principais diferenças em relação aos eclipses solares. Como a observação é da Lua, não é necessário utilizar óculos especiais ou filtros. O fenômeno pode ser acompanhado diretamente, desde que o local tenha boas condições de visibilidade.

O ideal, segundo o especialista, é escolher um ponto com céu aberto, pouca iluminação artificial e uma visão desobstruída do horizonte. Quem estiver em áreas urbanas também poderá acompanhar, mas locais mais escuros tendem a proporcionar uma experiência melhor.

Binóculos e telescópios não são obrigatórios, mas podem deixar a observação ainda mais interessante, principalmente para perceber com maior definição a região da Lua atingida pela sombra.

Itajubá terá observação com telescópios e atividades gratuitas

Em Itajubá, no Sul de Minas, a experiência poderá ser ainda mais completa. Astrônomos da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA-MCTI) vão realizar uma programação gratuita e aberta ao público para acompanhar o eclipse.

As atividades serão realizadas no campus da Unifei, em frente ao Espaço Interciências. A programação começa às 21h desta quinta-feira e segue até 3h da madrugada de sexta-feira. A entrada será pela portaria principal da universidade.

Além de observar a Lua por telescópios, os visitantes poderão participar de atividades de divulgação científica e conversar com pesquisadores e integrantes das equipes envolvidas na programação.

Estão previstas observações do céu com telescópios, experimentos científicos, atividades de óptica, maquetes sobre o sistema Sol-Terra-Lua, exposição de filmes e vídeos de Astronomia e demonstrações relacionadas a foguetes, satélites e comunicação espacial.

Também haverá uma palestra de Astrofísica sobre “O que é Rotação Estelar?”, ministrada pelo pesquisador Danilo Ferreira da Rocha, do Laboratório Nacional de Astrofísica.

A programação inclui ainda a participação da equipe de competição tecnológica Beyond, com demonstrações relacionadas às áreas de foguetes e satélites.

O tempo é o principal fator para conseguir observar

Apesar de o eclipse ser visível de todo o território brasileiro, existe uma condição que pode impedir o espetáculo: o céu encoberto. Nuvens e chuva podem esconder a Lua justamente durante os momentos mais importantes do fenômeno. Por isso, além de escolher um local adequado, vale acompanhar a previsão do tempo antes de sair para observar.

Para quem tiver condições favoráveis, a noite será uma oportunidade de olhar para o céu e acompanhar um fenômeno astronômico que poderá ser visto simultaneamente de diferentes pontos do país.

O eclipse desta quinta-feira pertence a um ciclo conhecido como Saros, utilizado pelos astrônomos para identificar a repetição de eclipses com características semelhantes ao longo do tempo. Depois desta ocorrência, outros eclipses lunares ainda acontecerão, mas nem todos terão as mesmas condições de observação a partir do Brasil.

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