Azeite sul-mineiro ganha Ouro em concurso mundial na Itália
Azeite produzido na Epamig em Cristina (MG) está entre os cinco melhores da América Latina. Esse é o 1º concurso desde o início da produção em 2022.
Nayara Andery / 02 julho 2026Azeite produzido na Epamig em Cristina (MG) está entre os cinco melhores da América Latina. Esse é o 1º concurso desde o início da produção em 2022.
Nayara Andery / 02 julho 2026
Olival do Azeite Alto da Serra, no município de Cristina (MG). Imagem reprodução da marca.
Um azeite extraído na Epamig em Cristina, no Sul de Minas, conquistou Medalha de Ouro e é um dos cinco melhores da América do Sul em um dos concursos mais importantes do mundo, na Itália. A premiação é o Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC) que aconteceu em Palmi, na Calábria, em 26 de junho.
O evento mundial elege as marcas de azeite extra virgem pela alta qualidade e pureza. É a primeira vez que o azeite Alto da Serra Blend participa de um concurso. O olivicultor Alisson Moreira comemora o ouro e explica que “o foco sempre foi a qualidade e a gente está buscando mais excelência. Estamos muito contentes”.
A produção familiar começou em 2022, no sítio em Cristina, município vizinho de Maria da Fé. O produtor entrou para esse ramo ao conhecer o sucesso dessa região da Serra da Mantiqueira para a boa adaptação de oliveiras e produção de azeites de qualidade.
“Quando conheci a história da oliveira e soube que o azeite daqui era muito bom, passei a me aprofundar no assunto. Em 2016 fomos à Epamig buscar informações e, no final de 2017, iniciamos o plantio.”
A área de plantio tem 340 distribuídas distribuídas em 1,5 hectare com altitude de 1,5 mil metros. A primeira produção (2022) rendeu cerca de 12 litros de azeite. Em 2024 nasceu a marca Alto da Serra. Dois anos depois, a produção saltou para 304 litros de azeite.
Especialistas da olivicultura alertaram Alisson sobre a alta qualidade desse azeite e ele inscreveu no concurso. “Sabia que era bom, mas minha percepção é de consumidor. Tenho vontade de fazer um curso de sommelier para conhecer melhor as características e a complexidade do azeite que produzimos aqui.”
Para o pesquisador da Epamig, Luiz Fernando de Oliveira, as medalhas comprovam a complexidade dos azeites nacionais e a dedicação dos produtores. “A produção é incipiente, desafiadora e, safra após safra, temos obtido produtos que se destacam por atributos de qualidade como frutado, amargor e picância.”
O Sul de Minas tem quatro azeites entre os dez finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 – Azeite de Oliva, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Parte deles é produzido na Serra da Mantiqueira.
O júri popular aconteceu em 27 de junho. As categorias são monovarietal e blend. Os parâmetros consideram características como amargor, picância, frutado, complexidade e equilíbrio.
A avaliação técnica foi realizada em Brasília (DF) e contou com a participação de especialistas de instituições como Epamig, Embrapa e UFCS Porto Alegre. Os pesquisadores Luiz Fernando de Oliveira, como jurado, e Carolina Zambon, nas conferências dos laudos químicos, amostras e preparo, foram os representantes da Epamig.
Também integram o prêmio, a etapa de júri popular e o julgamento da história da produção que considera a identidade dos azeites e valoriza o terroir e o trabalho desenvolvido no campo.
De Maria da Fé foram reconhecidos os azeites Mantikir Summit Premium (categoria Blend) e Mantikir Grappolo (categoria monovarietal). Mais dois finalistas da região se destacaram na categoria monovarietal. O azeite Alto das Oliveiras, de Delfim Moreira e o Aiu, de Aiuruoca.
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