Categoria: Gente do Mandu

A direção do asilo Betânia da Providência, em Pouso Alegre, confeccionou uma cortina do abraço para proporcionar o momento mais esperado pelos internos: receber o carinho e o amor dentro de um abraço de seus familiares.

A recreadora do asilo faz a última higienização antes da estreia da cortina do afeto. Dona Tereza dos Santos estava ali do lado, aguardando o instante para abraçar a filha. Nirlene já estava emocionada.

Aí foi emoção para todo lado. As lágrimas escorreram. A filha não queria parar de abraçar a mãe. Dona Tereza também ganhou o abraço da neta.

A recreadora do asilo, Luciene Prado, se emocionou, assim como as demais pessoas que presenciaram o abraço entre mãe e filha.

Já são 18 meses de pandemia, em que, mesmo com todos os idosos vacinados com as duas doses, os abraços tradicionais ainda não são permitidos.

Alguns idosos do asilo não têm parentes e o abraço é dado pelos próprios funcionários

VEJA A REPORTAGEM EM VÍDEO:

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O médico psiquiatra, Munir Jacob, explica que a ansiedade é um sentimento natural do ser humano. Todos nós sentimentos ansiedade. “Quando está em um grau dentro do normal, nos impulsiona pela vida. Vem da nossa ancestralidade essa expectativa apreensiva que a gente tem, diante do mundo, diante de coisas novas. Portando, é um sentimento que nos acompanha”.

Mas há graus de ansiedade e é importante que o indivíduo se informe melhor sobre esse sentimento, para saber até que ponto é normal e conseguir ter a vida com menos sofrimento, diz o psiquiatra.

“A ansiedade passa ser um transtorno psiquiátrico quando deixa de ser algo funcional. Uma ansiedade que acompanha a pessoa em todos os lugares, prejudicando no trabalho, na família, na vida social. Começa a surgir sinais físicos, após a ativação da amídala cerebral, que demonstra o sofrimento do indivíduo”.

Veja a entrevista os graus de ansiedade e o momento em que você deve buscar ajuda de um profissional. Munir Jacob comenta ainda sobre a campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio.

ASSISTA:

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Pouso Alegre e região irá contar com um hospital oncológico, anexo ao Hospital das Clínicas Samuel Libânio. O anúncio do empreendimento foi realizado nesta sexta-feira (10), durante um seminário de saúde, realizado na Câmara Municipal, que contou com a presença de prefeitos e secretários de saúde da região.

O prefeito de Pouso Alegre, Rafael Simões (DEM), assinou as leis municipal que autorizam a doação da área de 2.800 m², onde será construído o hospital, e o repasse de R$ 13,7 milhões do município para o início das obras do novo Hospital do Câncer.

A aprovação dos projetos de lei que autorizam a doação do terreno e do repasse da verba à Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí (FUVS), mantenedora do Samuel Libânio, já havia ocorrido no mês passado.

O terreno doado fica ao lado do HCSL, no antigo campo da Lema, em frente à UPA. Na área de 2,8 mil m² será erguido o Hospital do Câncer, que terá cinco pavimentos e mais de 11 mil m² de área construída, com capacidade de mais de 100 leitos para atender pacientes de 53 municípios.

“Dia histórico não só para Pouso Alegre, mas com toda certeza para todo o Sul de Minas. Isso vai ao encontro do anseio da população que quer assistência. Não é oncológico apenas para adultos, é para todos, inclusive infantil. Então, a gente fica muito satisfeito de poder participar desse momento histórico para a saúde de nossa grande Pouso Alegre e de toda a região”, disse prefeito de Pouso Alegre, Rafael Simões.

Ainda de acordo com o prefeito de Pouso Alegre, que também preside o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Sapucaí (Cisamesp), que reúne 33 municípios, as prefeituras da região também irão contribuir financeiramente para a execução da obra, além de emendas parlamentares vindas do governo estadual e federal, através dos deputados da região. A obra está estimada em cerca de R$ 30 milhões. Terá ainda a aquisição de equipamentos. VEJA MAIS DETALHES NO MANDU NEWS DESTA SEXTA, ÀS 18H30 NO FACEBOOK E YOUTUBE DO TERRA DO MANDU

Para o diretor do Hospital das Clínicas Samuel Libânio, Alexandre Hueb, essa nova unidade hospitalar vem suprir uma carência importante em um momento delicado da saúde. “É um momento fundamental a criação desse novo complexo do Hospital Oncológico de Pouso Alegre, do hospital Oncológico Samuel Libânio, porque nós já trabalhávamos há algum tempo com uma saturação na ocupação. Então essa dádiva que estamos recebendo vem num momento muito propício”, disse.

VEJA MAIS FOTOS DO PROJETO:

Localização do hospital oncológico de Pouso Alegre. Imagem: reprodução
Fachada do projeto do hospital oncológico de Pouso Alegre. Imagem: reprodução
Fachada do projeto do hospital oncológico de Pouso Alegre. Imagem: reprodução

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Bruno Reis e André Moreira no pico Huayna Potosi, que fica a 6.088 metros de altitude. Foto: Bruno Reis

Foi escalando o Pico dos Marins, montanha situada na serra da Mantiqueira, em 2014, que Bruno Reis, de 34 anos, descobriu sua paixão pelo alpinismo. O comerciante e alpinista de Pouso Alegre decidiu explorar montanhas ainda mais altas. A aventura mais recente foi há poucos dias na Bolívia, quando ele tentou escalar dois picos acima de 6 mil metros de altitude – o Huayna Potosi, com 6.088 m, e o Illimani, com 6.448 m.

O primeiro desafio foi escalar o Huayna Potosi. Após passar por um processo de aclimatação, adaptação do organismo em um novo ambiente, Bruno Reis e seu amigo André Moreira, também de Pouso Alegre, começaram a escalada às 1h da madrugada. Ele conta que em montanhas com gelo a escalada deve acontecer à noite, já que durante o dia o sol aumenta o risco de deslizamento de pedras, devido ao derretimento do gelo, e avalanches.

“Conseguimos chegar ao topo, embora estivéssemos exaustos. Foi muito lindo apreciar um nascer do sol a 6.088 metros de altitude em relação ao nível do mar. É gratificante estar no topo de uma montanha tão alta e imponente”, comemora Bruno Reis sobre a escalada ao Huayna Potosi.

Após voltar para La Paz e descansar por cinco dias, o alpinista começou a se preparar para seu maior desafio – uma escalada de 3 dias para alcançar a montanha mais alta da Cordilheira Real e a segunda mais alta de toda Bolívia, o Illimani – cartão postal da cidade, também conhecido como o Guardião de La Paz. Dessa vez, Bruno Reis foi acompanhado de um guia local, já que seu amigo decidiu não fazer uma nova escalada.

Escalada ao Illimani

O maior desafio da expedição começou no dia 28 de agosto, quando ele e o guia local foram até o campo base do Illimani, a 4.400 m de altitude. Nesse local, eles acamparam para definirem os últimos detalhes para subir ao topo mais alto. O alpinista relata que foi uma noite tranquila. No outro dia, eles acordaram, tomaram um café reforçado e caminharam aproximadamente cinco horas, com desnível de 1.100 m, para chegar ao Nido de Condores, a 5.500 m de altitude. Mas dessa vez, o trajeto não foi tão tranquilo. 

“Foi cansativo, a mochila com os equipamentos pesam mais de 20 kg. Detalhe que durante essa caminhada  presenciamos várias avalanches. Embora o guia sempre estivesse me falando que era normal, eu confesso que não havia presenciado isso ainda e senti um pouco de medo. Mas segui em frente. Montamos o acampamento e fizemos uma refeição para descansarmos, já que às 00:00 de domingo pra segunda iniciaríamos a nossa escalada final rumo ao Illimani, de 6.448 m de altitude”, conta Bruno Reis.

Illimani é a segunda montanha mais alta da Bolívia, com 6.448 metros de altitude. Foto: Bruno Reis

Apesar do frio intenso, medo das avalanches e outros percalços do caminho, o alpinista disse que a bela paisagem da montanha era a principal motivação pra estar ali e realizar o objetivo. A altitude já não era mais um problema. Eles caminharam por duas horas e meia até começarem a subir a escada do céu, nome dado a um trecho bem inclinado da montanha. Mas desse vez, ele não conseguiu completar a missão.

“Foi nessa parte que ouvi uma avalanche terrível muito próximo da rota onde estávamos. Minhas mãos e meus pés latejavam nas extremidades, eu sentia frio e medo. Nesse momento tomei a difícil decisão de regressar ao acampamento. E não estava mais em condições de seguir em frente, embora o guia insistisse para que continuássemos. Eu não tinha mais psicológico para seguir. Pensei na minha família, amigos, e decidi que não seguiria em frente. Foi bastante triste pra mim, restavam uns 350 metros para alcançar o topo, cerca de três horas a mais de escalada. Dediquei muito nesse projeto, mas foi a hora de refletir e tomar a decisão”, relata o alpinista.

Novos desafios

Apesar de não chegar ao topo do Illimani, Bruno Reis refletiu que precisa de equipamentos melhores, de um melhor preparo físico e psicológico para ir além. Mas a experiência agregou em sua trajetória como alpinista. Ele já escalou a Mantiqueira; pico de Orizaba (5.636 m), no Mexico; o Cotopaxi (5.897 m) e Chimborazo (6.268 m), ambas no Equador; e, agora, o Huayna Potosi (6.088 m), na Bolívia.

Vulcão Cotopaxi fica a 5.897 metros de altitude, segunda montanha mais alta do Equador. Foto: Bruno Reis

A meta é escalar ao menos dez montanhas acima de 6.000 metros de altitude ao longo de sua vida. Entre essas, está o Aconcagua, montanha mais alta da América e também a mais alta fora dos Himalayas.

“Claro que pra tudo isso se concretizar, seria importante apoio financeiro, já que tudo o que consegui até hoje foi por conta própria, sem nenhum auxílio. Enquanto não surge patrocínio, caminho a passos lentos rumo aos meus objetivos. Eu sinto uma enorme honra em levar o nome da nossa cidade para o topo das montanhas mais altas da América, e estou buscando um espaço no cenário do alpinismo nacional. Tenho planos de escrever um livro contando tudo sobre a trajetória: da Mantiqueira ao topo das Américas!”, comemora Bruno Reis.

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O monumento do Cristo Redentor de Pouso Alegre será restaurado. Essa é a promessa feita pelo presidente do Grupo Cimed, João Adibe. Ele postou vídeos e fotos de um sobrevoo a estátua, com texto onde se compromete com a restauração da peça. A publicação foi feita no início da tarde desta terça-feira (17).

“O 3º maior Cristo do Brasil fica na nossa querida Pouso Alegre – MG. Tenho um carinho enorme por essa cidade que faz parte da minha história e da Cimed. Em dezembro o Cristo de Pouso Alegre completa 21 anos, e me comprometi em nome da Cimed a restaurar esta obra tão especial para todos nós!”, escreveu o executivo da Cimed.

Estátua deteriorada

O Cristo Redentor de Pouso Alegre apresenta grandes rachaduras em várias partes da estátua. Partes do concreto se desprenderam e foram ao chão. O dedo indicador de uma das mãos e a cabeça são as partes mais danificadas. Com trincas em diversos pontos, a umidade e o ferrugem vão corroendo o monumento.

Em 2020, um grupo de amigos realizou um trabalho de pintura da base do Cristo e a limpeza do entorno. Porém, o local segue em situação de abandono, assim como sempre foi desde sua inauguração, em dezembro de 2000.

O topo da cabeça e um dedo da estátua perderam partes do concreto. Foto: Lincoyán Fernando Reyes Olate

Lugar para contemplar a natureza

Com sete quilômetros de trilha sinuosa, a partir do bairro São João, o caminho até o monumento é usado para lazer e práticas esportivas. A imagem do Cristo é cercada por muito verde, com remanescente de Mata Atlântica que segue até o Parque Municipal, fazendo divisa com a área que pertence ao Exército. A vista lá de cima impressiona.

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ATUALIZAÇÃO 19/08: Lucas Aparecido Pereira faleceu nesta quinta-feira. Ele lutava contra uma Leucemia Linfoblástica Aguda de Células T. Leia a nova matéria e a destinação que a família deverá dar ao valor arrecadado na campanha.

Lucas Aparecido Pereira tem 22 anos e luta contra um câncer raro e muito agressivo. Há 10 meses, o rapaz, que trabalhava em lavouras de morango, na zona rural de Pouso Alegre, foi diagnosticado com uma leucemia linfoblástica aguda de células T. O rapaz tem dois doadores de medula óssea compatíveis na família, mas o câncer precisa estar controlado para ser feito o transplante.

A esposa de Lucas, Gislene Fernanda Pereira, conversou com a reportagem do Terra do Mandu. Ela conta que ouvir de médicos que o esposo não tem mais tratamento disponível no SUS.

Sem tratamento e com o câncer evoluindo, a família entrou com uma ação na Defensoria Pública e conseguiram uma decisão contra o Estado de Minas Gerais e o Município de Pouso Alegre para o fornecimento de uma medicação para o tratamento do jovem. A decisão é do juiz da 2ª Vara Cível de Pouso Alegre, do dia 09 de agosto. A causa é de R$ 106 mil, para quatro meses de tratamento.

Como o estado e o município têm um prazo para manifestar, e diante da urgência, Gislene e amigos decidiram fazer uma campanha e pedir a ajuda da população para conseguir, pelo menos, o valor de R$ 26.500,00, necessário para os primeiros 28 dias de tratamento, até que o medicamento possa ser fornecido via decisão judicial.

Na madrugada desta segunda-feira Lucas passou mal e teve que ser levado às pressas ao hospital.

Se você pode ajudar, o PIX é o telefone 35 99884-5739, e a conta no Bradesco está em nome de LUCAS APARECIDO PEREIRA.

Trecho da decisão judicial para medicamento para Lucas Aparecido. Imagem: reprodução

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O Asilo Betânia da Providência, em Pouso Alegre, não tem mais nenhum idoso ou funcionário infectado com a Covid-19. A instituição viveu um surto da doença no mês passado. Dos 20 idosos contaminados, dois, com 90 e 91 anos, faleceram. Os demais tiveram sintomas leves. Sete funcionários também contraíram o coronavírus e estão livres da quarentena.

Nesta semana, o asilo comemorou o momento em que os últimos idosos foram liberados da ala de isolamento, criada dentro da própria instituição. Com balões e cartazes, os internos e funcionários celebravam o momento, registrado em fotos e vídeo (VEJA NA ENTREVISTA ABAIXO).

Asilo passou mais de um ano sem nenhum caso

A enfermeira responsável pelo asilo, Rosália Guimarães, contou ao Terra do Mandu que o primeiro caso de idoso contaminado com o coronavírus foi detectado no dia 08 de julho, um ano e quatro meses após o primeiro registro de um morador de Pouso Alegre infectado com a doença. “A gente sabe que quando há um caso positivo, como a propagação do vírus é rápida, a gente já esperava que surgissem mais casos. Isolamos o primeiro e fomos testando os idosos que foram aparecendo com sintomas”.

Eficácia da vacina

A enfermeira Rosália ressalta a importância da vacina. “A vacina não vai proibir de você se contaminar. Ela vai te ajudar a não ter sintomas mais graves. Ela previne o agravamento da doença. E foi isso que a gente conseguiu ver aqui. Infelizmente, tivemos essas duas perdas”, explicou a enfermeira.

Desde o início da pandemia, o asilo mantém os protocolos sanitários desde o início da pandemia, indicados pelo Ministério da Saúde. As visitas permanecem suspensas. Mesmo com todos internos e funcionários vacinados, o distanciamento social é exigido, assim como o uso de equipamentos de proteção individual, como máscaras, luvas e álcool 70%

 

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Isabela Laís Gonçalves Rodrigues é um exemplo de superação. Em 2018, quando tinha apenas dois anos, foi diagnosticada com Meningoencefalite, uma inflamação do cérebro. A princípio, os médicos achavam que era apenas uma gastroenterite, mas o quadro foi se agravando, ela começou a ter convulsões e perdeu a consciência.

“Até então eles acreditavam que era um quadro doloroso, abdominal. Mas aquilo foi piorando até que ela teve uma convulsão. A partir desse momento, ela não recuperou mais a consciência. Foi quando eu fiz contato com uma amiga minha de colégio, que é neurologista, e pedi que ela intercedesse por nós, porque eu tinha medo de perder minha filha. Foi um momento muito crítico da nossa vida”, explica o pai da Isabela, Fernando Luiz Rodrigues.

Sua amiga entrou em contato com a equipe médica. Eles coletaram o liquor, que deu sugestivo para meningite viral ou bacteriana. Então, ela foi encaminhada para UTI para começar a fazer o tratamento. Porém, o quadro foi se agravando e foi confirmado que Isabela estava com Meningoencefalite Viral.

“Ela foi piorando, entrou em coma. A Isa, estava totalmente “desconectada” do mundo, não expressava nenhuma reação, nem apresentava estímulo a dor, não se movimentava de forma normal, apenas apresentava crises convulsivas muito intensas e persistentes, e nem com medicação encontrava-se melhor. E era bem complicado ouvir dos médicos que se ela melhorasse, seria muito pouco”, afirma a mãe, Regiane Carla Gonçalves Rodrigues.

Isabela ficou internada por 26 dias, sendo 21 na UTI e 15 em coma. Ela perdeu a consciência. Não conseguia andar, falar, nem interagir com seus pais. Os médicos chegaram a dizer para Regiane que sua filha iria ficar em estado vegetativo.

“A enfermeira de plantão, naquela ocasião quando eu fui recebida na enfermaria, foi bem categórica. ‘Essa é sua nova filha. Aqui você vai aprender a dar banho no leito, a manusear a sonda nasogástrica e vesical, porque é assim que você vai levar ela para casa’”, conta Regiane Carla.

Recuperação da Isabela

Após receber alta, a rotina da família mudou completamente. O casal teve que se mudar de Pouso Alegre para Campinas (SP) para que a Isabela pudesse fazer reabilitação. Regiane, que era funcionária da prefeitura, inclusive pediu exoneração do cargo para se dedicar melhor às necessidades da filha em Campinas. O outro filho do casal, hoje com 11 anos, teve que morar com os pais do Fernando por dois meses.

“Fomos para Campinas porque lá existe uma clínica que é referência em fisioterapia neurológica. Então a Isabela todos os meses passava por intensivo de fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia. Muitas vezes quatro, cinco, seis sessões por semana”, destaca Fernando Luiz Rodrigues.

Hoje, aos cinco anos, Isabela tem uma rotina normal. Ela estuda em uma escola regular, voltou a falar, embora ainda com um pouco de dificuldade, a andar, possui sequência lógica do pensamento e tem seu aspecto cognitivo preservado. Regiane e Fernando acreditam que a história de recuperação da filha é um milagre.

“O caso da Isa, a gente realmente acredita que é um caso de fé. Embora a gente tenha recebido muitas informações que ela poderia ficar em estado vegetativo, a gente sempre acreditou. A gente sempre teve fé e rezou. Acreditamos numa intervenção divida, que a Isa realmente é um milagre, uma obra de Deus. E por isso que hoje ela está aqui, voltou a andar, a falar. Ela teve hemiparesia em um bracinho, não mexia, hoje ela consegue movimentar normal. Ela tem o cognitivo preservado “, diz Regiane Carla.

Pais acreditam que foi um milagre

A mãe conta que quando a Isabela estava no processo de tratamento, o médico do Programa Saúde da Família (PSF) e das Irmãs do Carmelo, William de Freitas Clemente, entregou para ela uma relíquia da Mãezinha do Carmelo, que foi colocada em baixo do travesseiro da filha. Após a recuperação da Isabela, William fez um prontuário do caso e mandou para o Vaticano, em Roma, para ser analisado como milagre por intercessão da Mãezinha.

William explica que quando uma família procura as irmãs para relatar um possível milagre, elas pedem para que seja apresentada toda a documentação médica para que o relato seja encaminhado para Roma. Porém, os processos demoram alguns anos para serem concluídos.

“O caso especifico da Isabela, além de ser uma grande graça, que isso nós podemos dizer sem sombra de dúvidas, é um forte candidato a ser reconhecido como milagre. Ele ainda não está encerrado, porque, conforme nós recebemos a orientação do vaticano, é necessário aguardar um completa reabilitação dela. Quando nós tivermos a Isabela em total reabilitação, como qualquer criança, sem nenhum déficit, esse processo é reavaliado pelo Vaticano. Mas não há dúvida nenhuma de que tudo que a família passou e, principalmente, a gravidade do quadro com que ela chegou, fez com que nós chegássemos a conclusão que se trata de um fato extraordinário”, afirma William de Freitas.

Mensagem de fé e esperança

Regiane e Fernando decidiram levar fé e esperança para outras pessoas por meio da história de superação da sua filha – principalmente nesse momento de pandemia em que muitas pessoas têm sofrido com a perda de familiares ou parentes com sequelas da Covid-19.

“O que a gente quer aqui é justamente nesse momento de pandemia levar para as pessoas esperança. Que isso vai passar. O momento é difícil pra todos. Para alguns é mais, porque a nossa dor sempre é maior do que a dor do outro, porque ela é nossa, né?! É você quem vivencia. Mas que tem que ter fé, esperança, que Deus age por nós. É assim que a gente encarou até lá, que a gente encara, e vai encarar daqui pra sempre”, ressalta Luiz Rodrigues.

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O padre Andrey Nicioli encontrou um doador de medula óssea 100% compatível. O padre já está internado no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, para receber o transplante na próxima semana. A infusão está prevista para terça-feira (03/08).

Em fevereiro deste ano, na Quarta-feira de Cinzas, durante exames de rotina, o vigário da Paróquia São José Operário, em Pouso Alegre, descobriu que estava com uma pré-leucemia. O diagnóstico foi para a doença chamada de mielodisplasia, em que o tratamento indicado é o transplante de medula óssea.

“Eu fui fazer um hemograma. Na verdade, foi um sopro de Deus no ouvido de uma médica amiga. Até então, era uma suspeita de Covid. Do nada, ela pediu o PCR e um hemograma. Assim descobriram as plaquetas muito baixas e novos exames foram feitos e descobriram a mieolodisplasia, que é uma pré-leucemia”, contou o padre Andrey em entrevista ao Mandu News, em abril.

Padre Andrey Nicioli. Foto: Arquivo pessoal

Ainda de acordo com o padre, os médicos disseram que é uma doença rara para a sua idade. Mas foi descoberta no início, facilitando o tratamento. Porém, a cura depende do transplante.

As chances de encontrar um doador 100% compatível são de 25% dentro da própria família e 1 em 100 mil entre outras pessoas em um banco de medula óssea. No caso do padre Andrey, ele é filho único, o que diminuiu o número de chances em parentes de primeiro grau.

Foi então que o padre começou uma campanha para incentivar as pessoas a se cadastrarem no Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea) para ser um doador de medula óssea. O objetivo não era apenas conseguir para ele, mas para tantas outras pessoas com leucemia e outros tipos de câncer que esperam por doador compatível.

Doador de outro país

O doador de medula do padre Andrey é do exterior. “Fiquei sabendo há dois meses do doador 100%”, conta o padre, que passou por dezenas de exames para dar continuidade no processo. Padre Andrey foi internado na última quarta-feira (28), após a medula do doador chegar ao Brasil.

O processo de transplante inclui quimioterapias e a infusão da medula do doador no padre está marcada para a próxima terça-feira (03/08). “Daí, é torcer para ter a ‘pega’ da medula”, diz.

Mesmo após o transplante, o padre Andrey ficará mais um período internado no hospital e, na sequência, sai do hospital, mas continua morando na capital paulista, isolado, para completar o processo do pós-transplante.

“Vou fazer o transplante da medula, que é a cura. É um tempo de recuperação… no Início do ano já volto às atividades”, postou ele nas redes sociais.

Como doar medula?

Para ser um doador, é necessário ter entre 18 e 55 anos, boa saúde e não apresentar doenças infecciosas ou hematológicas. Além disso, o interessado precisa fazer um agendamento no site da Hemominas, a fim de evitar aglomerações, para poder doar sangue e medula.

Nesse primeiro momento, será feita apenas uma coleta de sangue para o exame de Antígenos Leucocitários Humanos (HLA), que irá determinar as características genéticas necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente. O tipo de HLA será cadastrado no Redome, vinculado ao Instituto Nacional do Câncer (Inca). Aí, se a pessoa for compatível com algum paciente, que dará início ao processo de doação da medula, que também não traz nenhum tipo de sequela para o doador.

REVEJA A ENTREVISTA DO PADRE EM ABRIL DESSE ANO AO MANDU NEWS:

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Desde que encerrou a carreira de goleiro de futebol, em 2018, Mario Lúcio Duarte Costa, ou apenas Aranha, se dedica, exclusivamente, ao trabalho que já desenvolvia nos tempos de atleta: o combate ao racismo contra os negros. Entre palestras e lives, Aranha acaba de lançar seu primeiro livro sobre assunto.

O tema escolhido para a publicação é uma nova perspectiva da história dos negros no Brasil. O título do livro é ‘Brasil Tumbeiro’ (editora Mostarda), que se contrapõe ao termo usado na época em que os negros eram trazidos em navios da África para a América, principalmente, para o Brasil.

“A gente se acostumou a ouvir navio negreiro. E isso me incomoda porque passa a impressão que aquele navio era para transportar negros. E não. Era para transportar mercadorias. E tumbeiro era mais apropriado. Naquela época, algumas pessoas já usavam esse termo porque, do contingente que vinha da África, metade ou mais da metade acabava morrendo. Era um volume muito grande de pessoas que morriam. Então, se remetia mais a uma tumba”, conta Aranha.

VEJA A ENTREVISTA DE ARANHA AO MANDU NEWS:

Conteúdo do livro

No livro, Aranha faz uma relação entre o passado da escravidão com o Brasil atual, onde se ‘tem morrido muito negros’. Ao mesmo tempo que fala de heróis e heroínas negros da história do país; da importância de existir exemplos em todas as áreas profissionais para estimular as novas gerações.

“A princípio, seria um livro somente escolar. Eu tinha a ideia de trazer para o aluno e para o jovem, a participação negra na história do Brasil para que, nas aulas, quando o assunto foi sobre a escravidão, não fosse uma aula vergonhosa para quem está ali ensinando, e que não fosse uma coisa humilhante, desagradável para quem estava aprendendo”, explica o autor.

“A gente sempre estudou e aprendeu a história do Brasil, principalmente a parte da escravidão, como se os negros só fizessem parte de uma modalidade. Como se eles fossem escravos e, num belo dia, a princesa Isabel acordou e decidiu acabar com tudo e libertar todos os negros. E não foi bem essa a história. Então, eu procurei contar de uma maneira mais justa essa história da escravidão, como ela começa, como ela chegou no Brasil. Como ela se desenvolveu e terminou”, narra.

A importância das referências

Aranha lembra que o Brasil tem grandes personagens negros na sua história, que poderiam servir de exemplos, espelho, e mostrar para os jovens que não é só na arte, só no futebol que existe oportunidade.

“Se no pior período para ser negro, no período da escravidão, tivemos engenheiros, médicos, advogados, escritores… porque hoje, que as coisas estão mais fáceis, a gente não tem esses grandes exemplos, não tem uma grande maioria nessas áreas? Se você não tem exemplos, referências, como é que você vai se estimular em ser alguma coisa que nem passou pela sua mente, que você julgava uma coisa impossível?”, questiona.

O próprio Aranha, que nasceu e cresceu no bairro São João, periferia de Pouso Alegre, no Sul de Minas, não teve referências para seguir uma carreira que não fosse no futebol, como muitos jovens que saem das periferias para buscar vencer no esporte ou na arte.

“Eu nunca pensei em ser um advogado, um médico, um engenheiro. Nunca tive estímulo para estudar. E nem a minha família me cobrava isso. Porque ninguém, próximo da nossa realidade, chegou a ser. Porque nós seríamos? Então, o exemplo vem daí”, destaca.

Racismo no futebol: Episódio de 2014

Aranha encerrou a carreira em 2018 no Avaí, time de Santa Catarina. Passou por Ponte Preta, Joinville, Palmeiras, Santos e Atlético-MG. Quando estava no Santos, ele viveu um dos mais marcantes episódios de racismo no futebol brasileiro.

Em 2014, numa partida contra o Grêmio pela Copa do Brasil, parte da torcida do time gaúcho começou a emitir sons de macaco quando Aranha pegava na bola. As câmeras da televisão flagraram as ofensas racistas e o clube de Porto Alegre foi punido com a exclusão da competição.

Aranha já trabalhava para combater o racismo contra os negros. Após o episódio de 2014, ele passou a ter ainda mais voz sobre o assunto. “A grande mídia, principalmente, começou a me dar atenção e espaço para falar de outras coisas que não fosse sobre futebol, sobre o esporte, sobre a minha carreira. E, quanto mais eu falava, mais gente interessada em ouvir aparecia”.

Prêmio Direitos Humanos

A luta contra o racismo e pela igualdade deu a Aranha o reconhecimento do Governo Federal, em homenagem entregue pela então presidente Dilma Rousseff. O ex-goleiro, campeão da Libertadores, considera o troféu do ministério dos Direitos Humanos como um dos maiores títulos da vida e da carreira.

Mário Aranha reforça que não existe outra maneira de resolver um problema que não seja falando e debatendo sobre ele. O autor de Brasil Tumbeiro ainda cita que não tem como combater, firmemente o racismo no Brasil sem magoar alguém.

“Direta ou indiretamente, quem não é negro acabou levando uma vantagem. Enquanto os negros eram proibidos de estudar, outras pessoas, filhos de fazendeiros, ganhavam bolsas em universidades. Então assim, teve todo esse lance em que muitas coisas refletem hoje. Um tema muito complicado que os próprios negros não gostam de tocar, de debater porque acaba magoando alguém. Mas hoje é necessário. Como disse, não tem como resolver um problema, sem discutir, sem falar sobre ele”, finaliza o ex-goleiro.

Aranha recebe prêmio dos Direitos Humanos do Governo Federal, em 2014. Foto: Arquivo pessoal