Categoria: Aniversário de Pouso Alegre

Diretor de multinacional de origem indiana afirma que outros negócios do grupo poderão vir para a cidade nos próximos anos.

Executivo da ACG, Fernando Teixeira, fala dos investimento da farmacêutica em PA. Foto: Daniel Silva/Revista Terra do Mandu

Revista Terra do Mandu, edição especial, trouxe os números dos investimentos feitos pela indústria farmacêutica em Pouso Alegre. O levantamento, com os dados colhidos diretamente com as farmacêuticas e com a prefeitura, mostra que, até 2021, elas investem R$ 1,4 bilhão na cidade.  Terra do Mandu entrevistou executivos dessas empresas. Hoje, publicamos a reportagem sobre as projeções da gigante indiana ACG, que irá dobrar os investimentos já feitos na cidade, gerando novos empregos.

Em 2019, a multinacional farmacêutica ACG iniciou as suas operações em sua fábrica em Pouso Alegre. A empresa, que já mantinha um centro de distribuição no município desde 2011, fez um investimento da ordem de R$ 350 milhões na construção da fábrica. Cerca de 200 pessoas foram contratadas para as linhas de produção, que estão em funcionamento. Até o ano que vem, mais 100 empregos diretos devem ser gerados. Sem contar os empregos indiretos criados nas áreas de logística, segurança, limpeza, entre outros.

Em Pouso Alegre, a ACG produz cápsulas gelatinosas vazias que são fornecidas para a indústria farmacêutica para o enchimento com medicamentos, suplementos alimentares, nutrição, entre outros.

Planta inaugurada em 2019 é a primeira construída fora da Índia. Foto: Daniel Silva/Revista Terra do Mandu

A ACG é de origem indiana, que no decorrer dos anos se tornou uma empresa global. A fábrica em Pouso Alegre foi a primeira unidade greenfield, ou seja, construída do zero fora da Índia. O diretor de Operações da multinacional, Fernando Teixeira, conta que essa unidade foi projetada para atender o mercado brasileiro e exportar para outros países, o que já vem acontecendo.

“A nossa planta foi dimensionada para o atendimento nacional, latino-americano, também norte-americano e alguns países da África”, explica o diretor da ACG.

Só no Brasil, a ACG atende mais de 20 farmacêuticas, incluindo todas as que estão instaladas no Sul de Minas e que utilizam cápsulas para seus compostos.

“Hoje, a fábrica que está em Pouso Alegre é uma das maiores e mais tecnológica do mundo. A ACG é a única empresa mundial capaz de atender a indústria farmacêutica de A até Z”, afirma o diretor.

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Meta é dobrar investimentos nos próximos anos

A ACG está instalada numa área de 15 mil m², no bairro Limeira, próximo a Fernão Dias. Esta é apenas a primeira fase do projeto da empresa, que não informa qual a capacidade de produção, por questão estratégica de mercado. O diretor afirma que o grupo irá dobrar os investimentos na planta, chegando a um total de 500 empregos diretos nas linhas de produção.

“Essa fábrica foi uma concepção modular. Hoje, nós estamos com nossa capacidade de 10 linhas, e a ideia é dobrar essa capacidade. Todo o projeto foi feito para dobrar em alguns anos. E também trazer outros segmentos do negócio da ACG, se possível, aqui para Pouso Alegre”, conta Fernando Teixeira.

Segundo o diretor, ainda não é possível dizer quando começam os novos investimentos. “Existem sim planos de investimento futuro, tanto na parte financeira, que poderá até dobrar os investimentos, quanto na questão de empregabilidade, que envolve contratar novos colaboradores. Nós pretendemos ter mais de 500 pessoas trabalhando com a gente nos próximos anos”, antecipa o diretor.

Por que Pouso Alegre

O diretor explica os motivos que levaram a ACG escolher Pouso Alegre para a instalação de sua fábrica: localização estratégica, atratividade da indústria farmacêutica, clientes instalados na região, oferta de mão de obra qualificada e ainda incentivos fiscais dos governos estadual e municipal.

Além de possuir um parque industrial farmacêutico forte, Pouso Alegre fica, praticamente, no centro das demais indústrias do setor. A cidade também é um centro estratégico para deslocamento da produção: “Está próxima do Porto de Santos, perto do Aeroporto de Guarulhos e também do Aeroporto de Campinas, que são internacionais de carga. Então, tem aí o approach logístico. Adicional a isso, a gente tem uma mão de obra bastante qualificada aqui na região, isso ajudou bastante”, diz Fernando Teixeira.

Funcionário viaja 140 km todos os dias para trabalhar em Pouso Alegre

Tiago mora em Itapeva e trabalha na ACG em Pouso Alegre. Foto: Daniel Silva/Revista Terra do Mandu

A chegada de novas empresas tem atraído pessoas de outras cidades, que vem para Pouso Alegre em busca de emprego e aqui estabelecem moradia.

O caso de Tiago Omena Ramos, de 40 anos, é um meio termo nesse sentido. Ele é casado e tem um filho ainda criança. Tiago é técnico em segurança do trabalho e estava desempregado até surgir a oportunidade na ACG. Ele foi contratado para chefiar a equipe que garante as normas de segurança em toda a unidade.

Ele é de Itapeva, cidade a 70 km do local de trabalho. Por enquanto, o técnico de segurança está ‘num bate e volta’ todos os dias. “Mas eu tenho pretensões futuras de ter uma residência fixa aqui em Pouso Alegre, mas preciso convencer a família. Por mim, eu já estaria aqui”, conta o funcionário.

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Empresa é hoje o maior empregador privado da cidade, com 2.300 funcionários, sendo 33,5% com nível superior. Nova fábrica já está em construção no município e vai gerar mais 500 empregos diretos.

Sede industrial do Grupo Cimed. Foto: Magson Gomes/Terra do Mandu

A Revista Terra do Mandu, edição especial, trouxe os números dos investimentos feitos pela indústria farmacêutica em Pouso Alegre. O levantamento, com os dados colhidos diretamente com as farmacêuticas e com a prefeitura, mostra que, até 2021, elas investem R$ 1,4 bilhão na cidade.  Terra do Mandu entrevistou executivos dessas empresas. Hoje, publicamos a reportagem sobre os investimentos e projeções que estão sendo feitos pelo Grupo Cimed, que cresce em ritmo acelerado de mais de 20% ao ano.

A companhia é a quarta farmacêutica do Brasil, em números de produção. Para suportar esse crescimento, a empresa faz novos investimentos e a cidade que recebe esses aportes é Pouso Alegre, onde está localizado o complexo industrial da farmacêutica. Com 2.300 funcionários, a Cimed é a maior empregadora do município, no setor privado. Sendo que 33,5% dos funcionários são pessoas com nível superior de escolaridade.

Entre 2018 e 2020, o investimento projetado pelo grupo será de R$ 400 milhões, somente em Pouso Alegre. O diretor executivo industrial, Amaraí Furtado, conta que R$ 130 milhões estão sendo investidos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), R$ 70 milhões foram em estrutura do atual parque industrial e o maior investimento de R$ 200 milhões será na construção da nova fábrica.

“Nós temos um desafio importante que é o faturamento de R$ 2 bilhões, em 2020. Nós faturamos R$ 1 bilhão em 2017. Então, vamos dobrar a companhia em três anos”, afirma Amaraí Furtado.

Diretor Executivo, Amaraí Furtado, em frente a sede industrial do Grupo. Foto: Daniel Silva/Revista Terra do Mandu

Em 2019 e 2020, a Cimed irá produzir 400 milhões de unidades de produtos, contra 370 milhões em 2018. “Tivemos que fazer uma série de investimentos na planta atual para suportar o crescimento de produção. Porque a nova fábrica fica pronta para utilização em 2021”, explica o executivo.

O complexo industrial do Grupo Cimed de Pouso Alegre tem as linhas de medicamentos, de suplementos e vitaminas, e a linha de higiene e beleza. Marcas que são destaque no mercado são Cimegripe, Lavitan e Dermafeme.

O diretor executivo afirma que o mercado de genéricos é estratégico para a Cimed, com forte investimento nessa categoria. “A divisão de genéricos é a que mais cresce no Brasil e na Cimed não é diferente, sua participação no faturamento do grupo vem aumentando significativamente”.

Nova fábrica de R$ 200 milhões e 500 empregos diretos

As obras da nova fábrica do Grupo Cimed, em Pouso Alegre, tiveram início no segundo semestre de 2019. A unidade está sendo construída numa área de 283 mil m², mais que o dobro da área do atual parque industrial. O terreno fica às margens da Fernão Dias, onde funcionou a empresa Locomotiva.

Dos R$ 200 milhões investidos na construção, R$ 100 milhões vieram através de financiamento junto ao BNDES e a outra metade são recursos próprios do Grupo Cimed. A previsão é que essa nova unidade fique pronta no fim de 2020, para entrar em operação no ano seguinte, gerando 500 empregos diretos.

“A opção por ampliar é porque nós temos uma demanda reprimida. Necessitamos ter uma nova estrutura para comportar o crescimento que nós tivemos nos últimos períodos; e também o investimento que fizemos em P&D, que vai transformar em necessidade produtiva. Por isso, nós optamos por construir outra unidade,” conta o diretor executivo.

Obras da nova fábrica já estão em andamento. Foto: divulgação

A nova fábrica será destinada, exclusivamente, à produção de medicamentos sólidos, que são cápsulas e comprimidos simples e revestidos. “Nessa ‘etapa 1’ vamos sair de uma capacidade produtiva,  hoje de 26 milhões de unidades sólidas ao mês e passar para 40 milhões de unidades sólidas ao mês, com a possibilidade de ampliação da produção  para 60 milhões unidades”, aponta Amaraí Furtado.

Além da fábrica, áreas de suporte ao negócio vão se instalar no local, como administrativo, laboratório de controle de qualidade e manutenção industrial. Terá ainda uma segunda unidade da Associação Educacional Claudia Marques, com 160 vagas para crianças de 0 a 3 anos, para as mães que vão trabalhar na unidade. No complexo 1, já são 120 vagas para os filhos de funcionárias.

Mesmo depois de inaugurar sua nova fábrica, a Cimed manterá a unidade atual ativa, com foco nas demais linhas de produtos, medicamentos isentos de prescrição, vitaminas, produtos de higiene, beleza e nutrição.

20 anos de Pouso Alegre

A Cimed inaugurou sua primeira unidade em Pouso Alegre no ano de 1999, há exatos 20 anos. “Enquanto as companhias estavam saindo de Minas Gerais, a Cimed veio para o estado. A empresa sempre acreditou no estado e na região do Sul de Minas, especificamente. Nós estamos numa posição geográfica estratégica,” relata o diretor executivo industrial. Segundo Amaraí Furtado, o maior mercado da farmacêutica é o Sudeste e o Sul do Brasil.

Outro fator importante em Pouso Alegre, diz Amaraí, é a mão de obra qualificada na região, que é muito importante para a indústria farmacêutica. São diversas faculdades públicas e particulares, nas proximidades, que garantem a presença dessa mão de obra diferenciada.

Empresa é o maior empregador privado de Pouso Alegre. Foto: Lucas Soares/G1

Amaraí acrescenta que essas são as características básicas que fizeram a Cimed vir para Pouso Alegre, permanecer e investir em seus negócios por aqui.

“E o que é importante: a gente traz para cá, empresas de suporte. Por exemplo, a ACG [multinacional indiana fabricante de cápsulas] foi implantada aqui em virtude de nós termos essa alta demanda de cápsulas. Nós temos também as empresas de segurança e diversos parceiros que vieram para a região, baseados nesta demanda do polo farmacêutico”, destaca.

O diretor executivo ainda comenta que a empresa tem um bom relacionamento com o estado e com o município, e recebe incentivos fiscais, mas pondera: “Acreditamos que Minas pode evoluir nesse sentido, porque há estados onde o incentivo é muito maior do que em Minas”.

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Até 2021 serão 2 mil novos empregos gerados apenas pelas indústrias farmacêuticas.

Biolab investe R$ 450 milhões na construção de seu complexo industrial em Pouso Alegre. Arte reprodução

Se Minas Gerais é o estado onde a indústria farmacêutica mais cresce no Brasil, Pouso Alegre se consolida como cidade polo desse setor. Até 2021, a cidade do Sul de Minas deve receber aportes de R$ 1 bilhão e 440 milhões, com geração de 2 mil empregos diretos. Duas novas fábricas de medicamentos já foram anunciadas e, recentemente, empresas tiveram empreendimentos inaugurados no município.

De acordo com a Agência de Promoção de Investimentos de Minas Gerais (Indi), os fabricantes de produtos farmacêuticos e farmoquímicos localizados no estado tiveram o maior crescimento no Brasil em 2018, alcançando os 15,44% em relação ao ano anterior.

O economista e diretor do Indi, João Paulo Braga, diz que o crescimento em Minas Gerais, mostrado pela Pesquisa Industrial Anual do IBGE, supera todas as unidades da federação pesquisadas, incluindo São Paulo, maior produtor nacional. “A depender dos investimentos em curso e das ações do Indi, a expansão da indústria farmacêutica no estado deve se intensificar e a projeção é que o faturamento triplique no horizonte dos próximos cinco anos”.

A previsão do Indi é que o faturamento anual passe dos R$ 3,18 bilhões, em 2018 para R$ 9 bilhões nos próximos cinco anos. Maior parte dessa receita sairá de Pouso Alegre já que, apenas a Cimed, que tem sede no município, espera faturar R$ 2 bilhões, em 2020, e está com expectativas ainda mais altas a partir de 2021, quando a nova fábrica entrará em operação.

De todos os investimentos anunciados nesses últimos anos para cinco cidades mineiras, Pouso Alegre concentra mais que o dobro das demais juntas. Os outros quatro municípios de Minas que recebem aportes do setor são Montes Claros, Nova Lima, Poços de Caldas e Varginha.

As farmacêuticas

Pouso Alegre abriga atualmente gigantes como: Cimed, ACG, União Química, Sanobiol (do grupo Cristália), Supera RX Medicamentos. Todas essas empresas estão fazendo e/ou fizeram grandes investimentos recentes na cidade. Ainda tem a Biolab e Cimed construindo novos complexos industriais na cidade.

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O fator Pouso Alegre

O diferencial logístico – considerando a proximidade com os grandes mercados do país, principalmente São Paulo – impulsiona a indústria farmacêutica em Pouso Alegre. Além da infraestrutura, disponibilidade de energia elétrica, escolas, creches, hospitais e a presença de instituições de ensino que formam a mão de obra especializada para atender às necessidades do mercado.

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ARTIGO: Por Elaine Luisa de Faria e Renan Moreira Gouvêa, da Superintendência Municipal de Cultura.

Pastel de farinha de milho é tombado como patrimônio imaterial de Pouso Alegre. Foto – Daniel Silva

As memórias da vida cultural em Pouso Alegre são muitas. Construções centenárias e monumentos dão conta de um centro urbano que já se projeta há anos como eixo histórico, mantendo signos de um período cultural marcado pela arquitetura e pela função de edifícios e personalidades no cotidiano da sociedade que aqui se desenvolveu. Marcas a olho nu da memória do pouso-alegrense, do comércio, da justiça, da produção artística e científica, do trem e da fé.

Outras memórias são significadas pelo imaterial, por aquilo que não se pode ver de pronto. Nesse caso, pode mais interessar à preservação o processo, a receita, o meio de produção, do que o produto em si, acabado.

É assim com o Pastel de Farinha de Milho de Pouso Alegre, que tem seu modo de fazer tombado como patrimônio cultural imaterial. A partir da sua popularidade, tornou-se reconhecido publicamente, por meio de lei, como patrimônio cultural a ser preservado pela sociedade e pelos órgãos gestores da cultura. Quando degustamos essa delícia nas ruas ou em casa, estamos saboreando a nossa memória em comunidade.

A origem do Pastel de Farinha de Milho na história de Pouso Alegre é marcada por personagens, lendas e fatos históricos. Bandeirantes e negros escravizados figuram nessas histórias que hoje conhecemos através da oralidade passada de geração em geração e poucos registros em documentos e livros. Não se pode afirmar, com precisão, quando surgiu o Pastel de Farinha de Milho na história de Pouso Alegre, mas sabe-se que ele faz parte da tradição local há muito tempo, como nos informa os autos de tombamento municipal.

Pastel de farinha de milho é tombado como patrimônio imaterial de Pouso Alegre. Foto – Daniel Silva

AS TRÊS VERSÕES DO SURGIMENTO DO PASTEL

“Há três lendas para o surgimento da receita do Pastel de Farinha de Milho. Segundo o Sr. Claudinei Marcantônio, uma delas seria no tempo dos bandeirantes. Eles teriam saído de Delfim Moreira e foram descendo o rio. Com a caminhada, eles ficaram sem suprimentos e sobrou apenas a farinha de milho. Com o que eles tinham, fizeram uma massa que rechearam com carne de caça e fritaram. Essa fritura seria semelhante ao pastel atual. A outra história que contam é que os escravos recebiam a farinha de milho para comer todos os dias. Com o tempo, eles foram fazendo misturas até chegarem num bolinho cuja massa era semelhante à do pastel. Aprimoraram até chegar à massa do pastel de farinha de milho. A terceira história é que o pastel de farinha de milho seria uma adaptação do pastel de angu, também tradicional em Minas. O pastel de angu foi uma criação dos escravos da casa grande da fazenda dos Portões, em Itabirito. Duas escravas conhecidas como Philó e Maria Conga usavam as sobras de angu que comiam com umbigo da banana, na falta da carne. Algumas vezes, eles escondiam pedaços de carne no meio de bolinhas de angu. Essas bolinhas eram assadas. Assim, as primeiras receitas de pastel de angu eram arredondadas e achatadas para serem assadas e tinham o nome de Boroa. Mais tarde, o pastel tomou a forma atual e foi difundido pela fama de ser uma iguaria muito saborosa” – trecho retirado do Dossiê de Tombamento do Pastel de Farinha de Milho, documento da Superintendência Municipal de Cultura.

COMERCIALIZADO NAS FEIRAS DA CIDADE

Nosso Pastel de Farinha de Milho começou a ser comercializado nas feiras da cidade como um aperitivo e logo começou a ser vendido também nos bares e botecos da cidade. Há indícios de que nos anos 30 já havia essa comercialização nas ruas. Com o passar do tempo só foram aumentando esses comerciantes pasteleiros e no ano de 2005 alguns desses mestres da culinária popular se reuniram e fundaram a primeira associação do setor, a ASSEASAPA, atualmente ASPAFAM – Associação do Pastel de Farinha de Minho.

Em 2010, o Prefeito de Pouso Alegre, então o Sr. Agnaldo Perugini, sancionou o Decreto 3.405/2010, onde declara o Pastel de Farinha de Milho como Patrimônio Imaterial do Município de Pouso Alegre.

Seja pelo seu potencial econômico, com a geração de renda na venda do produto, ou por seu aspecto simbólico, como fiel representante da culinária local, a história do Pastel de Farinha de Milho é uma história de permanência da receita mesmo em uma vida cultural dinâmica, que transforma seus hábitos a cada geração. Essa preservação é muito mais que uma política cultural, é, de fato, uma memória que o povo de Pouso Alegre escolheu manter, viva e deliciosamente presente no nosso dia a dia.

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Em 2019, Museu Tuany Toledo completa 35 anos. Fundado por Alexandre de Araújo em 1984, a instituição é mantida pela Câmara Municipal de Pouso Alegre, e possui um acervo com mais de seis mil itens.

  • Ao contrário do que muitos pensam, em 19 de outubro não comemoramos a data da emancipação política de nossa cidade. Pouso Alegre foi elevada à vila em 13 de outubro de 1831, data em que se emancipou, pois já não fazia mais parte da vila de Campanha. Em 19 de outubro, comemoramos o dia em que a Vila de Pouso Alegre se tornou cidade no ano de 1848.
  • Em nossa cidade, existiu um clube de negros chamado Clube 28 de Setembro. Fundado em 1904, por Isidoro da Silva Cobra, Mirabeau Ludovico e Cassimiro de Abreu, tinha como finalidade a promoção de atividades culturais como piqueniques, bailes e folguedos de carnaval. Possuía também escola noturna, escola de música e grupo de teatro. Seus membros publicaram dois jornais: A Verdade e O 28 de Setembro.
Clube 28 de setembro no desfile de carnaval no início do século XX. Foto: acervo Museu Tuany Toledo
  • A Revolução de 1932 envolveu a cidade de Pouso Alegre. O Exército Paulista invadiu o Sul de Minas e chegou a Borda da Mata, o que levou os soldados pouso-alegrenses a cavarem trincheiras e colocarem canhões e metralhadoras nos bairros da Vendinha, das Cruzes e São Geraldo. O combate teve início às 3 horas da tarde do dia 20 de julho e se prolongou por toda a noite, até às 10 horas da manhã de 21, com a rendição dos soldados paulistas. Foram recolhidos no campo de luta 11 cadáveres de paulistas e 22 feridos. Os soldados legalistas tiveram apenas um morto.
Revolução de 1932 em Pouso Alegre
  • Em 1937, o presidente Getúlio Vargas decretou o Estado Novo, dando início ao período da história do Brasil que muitos denominam como Ditadura Vargas. Em Pouso Alegre, através do Decreto-lei de 3 de novembro de 1938, a Avenida Doutor Lisboa passou a ser denominada Avenida Governador Benedito Valadares, nome do governador de Minas à época nomeado pelo presidente Getúlio. Essa denominação permaneceu até 1948, quando a avenida voltou a ter o nome de Doutor Lisboa.
Av. Dr. Lisboa no período em que esteve denominada Av. Governador Benedito Valadares, déc. 30-40
  • Até o século 20, Borda da Mata, Congonhal e Estiva faziam parte de nosso município. Em 1923, Pouso Alegre perdeu o distrito de Borda da Mata, que se tornou cidade. Estiva pertenceu a Pouso Alegre até o ano de 1948. Em 1953, o distrito de Congonhal também se desmembrou de nossa cidade.
  • No dia 18 de agosto de 1942, a população de Pouso Alegre, revoltada com o ataque nazista a embarcações brasileiras, apedrejou e saqueou a Padaria Alemã, cujo edifício se localizava na Praça Senador José Bento, esquina com a Rua Dom Nery. Em fotos da época, vê-se que pouso-alegrenses picharam as paredes da padaria com os dizeres: “Alemães, cães covardes”.
Depredação da Padaria Alemã, Praça Senador José Bento, 1942.

Conheça mais sobre nossa história! Visite o Museu Tuany Toledo!

O Museu realiza visitas guiadas para grupos de escolas e outras instituições e recebe pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, além de promover eventos e atividades para os visitantes durante o ano.

Localizado no prédio da Câmara Municipal de Pouso Alegre, Av. São Francisco, 320, Primavera.

Horário de funcionamento: de segunda a quinta-feira, das 12h às 18h; sexta-feira, das 8h às 14h; e sábado, das 10h às 16h. Entrada franca.

**Texto: Equipe do Museu Tuany Toledo. Fotos: acervo do Museu.

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Por Taciana Vitale

A auxiliar administrativo Wanessa recebeu a tatuagem através do projeto ‘Marcas da Vida’. Após ter câncer de mama e passar por uma mastectomia, ela decidiu ressignifar a cicatriz e recuperar a autoestima. Uma exposição no Serra Sul shopping mostra alguns exemplos do projeto.

Tatuador Carlos Galina (Foto: Daniel Silva) e Wanessa que recebeu a tatuagem Marcas da Vida (Foto: arquivo pessoal)

A paixão do tatuador de Pouso Alegre, Carlos Galina, pela arte de desenhar no corpo das pessoas começou ainda criança.  Ele até inventou sua própria máquina de tatuar para ‘brincar’ com frutas e papel. Depois de muitos cursos, Galina se profissionalizou. Hoje, aos 33 anos, o tatuador mantém projeto social para cobrir cicatrizes de acidentes ou doenças que deixam ‘Marcas na Vida’ das pessoas.

O projeto solidário surgiu há cinco anos, quando uma mulher foi até o estúdio de Galina com o desejo de cobrir uma grande cicatriz na barriga, provocada por uma queimadura. Desde então, dezenas de pessoas de várias partes do Brasil já foram beneficiadas e renovaram a autoestima. O projeto do tatuador já foi destaque na imprensa regional e até nacional, com reportagem no jornal Folha de São Paulo.

Após a primeira mulher aparecer com o pedido de cobrir aquela cicatriz enorme, Galina foi procurar mais conhecimento. “Como eu não tinha muita experiência em cicatrizes, foi logo correndo atrás. Estudei e me aperfeiçoei nas técnicas de cada cicatriz, tudo que envolve pele em geral. Esse projeto tomou forma, ficando conhecido como ‘Marcas da Vida’. É uma satisfação, uma alegria muito grande conseguir ajudar essas pessoas”, conta o tatuador.

As mulheres que participam do projeto social são convidadas a dar um depoimento. Galina registra o antes e o depois e posta com a história da pessoa, que deixa o passado ali e sai renovada, com a felicidade estampada na pele.

Galina realiza até três tatuagens solidárias por mês. A escolha é feita a partir de histórias de traumas, vítimas e acidentes, doenças que esteticamente deixam as pessoas com vergonha de si mesmas, traumatizadas e até com depressivas. Há também alguns critérios para os tipos de marcas elegíveis para o projeto: abdominoplastia não é aceita, cicatrizes de cesariana e nem estrias. Os interessados devem se cadastrar para participar do projeto.

Wanessa decidiu ressignifar a cicatriz e recuperar a autoestima

Foto: arquivo pessoal

A auxiliar administrativo Wanessa Aparecida da Silva, de 38 anos, fez uma tatuagem com Galina pelo Projeto Marcas da Vida. Wanessa teve câncer de mama e passou por uma mastectomia, que é a retirada total da mama.

“Fui diagnosticada com câncer de mama aos 33 anos. Passei por todo tratamento, quimioterapias, radioterapias e a mastectomia. Passei por várias cirurgias para reconstrução da mama. Mas, não obtive sucesso em refazer a auréola e já estava com várias cicatrizes. Já tinha desistido”, conta Wanessa.

Até que ela assistiu a uma reportagem na televisão sobre o projeto do tatuador Carlos Galina.

“Foi aí que percebi que ainda tinha uma chance de me sentir melhor, ter de volta minha autoestima”, lembra.

Wanessa, que sempre gostou de tatuagens, entrou em contato com o tatuador e contou sua história. Passados alguns dias, ela recebeu a ligação de volta para ir até o estúdio.

“Foi quando o Carlos, com todo seu cuidado e profissionalismo me atendeu. É um ser humano de coração gigante. Ele começou com seu trabalho de cobrir as cicatrizes que me incomodava muito. Falo que o projeto ‘Marcas da Vida’ me devolveu o prazer de me olhar novamente no espelho e ainda apagar tudo que tinha passado. E isso sem custo algum, tudo feito com a dedicação e amor em fazer o bem ao próximo”, afirma Wanessa.

EXPOSIÇÃO NO SERRA SUL SHOPPING

Nesta sexta-feira (18) teve início uma exposião no Serra Sul Shopping que mostram alguns resultados do projeto Marcas da Vida. São painéis que mostram o antes e o depois de cicatrizes cobertas pelos desenhos do tatuador Carlos Galina.

Na foto abaixo tem o destaque para a tatuagem feita em uma jovem de 21 anos, que tem uma grande cicatriz na perna após sofrer um acidente de moto. Ao cobrir as marcas do acidente, Natália pôde tem mais confiança em usar roupas um pouco mais curtas e mostrar sua tatuagem.

A exposição fica até novembro no hall de entrada do shopping.

Categoria: Aniversário de Pouso Alegre

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Localização estratégica, por onde passam duas rodovias federais e três estaduais. Foto: Trevo Fernandão – arquivo

Pouso Alegre é hoje a maior economia do Sul de Minas. Nos últimos anos, a cidade deu um salto de crescimento. Mesmo no período de crise iniciado em 2014, e que o Brasil ainda atravessa, os dados econômicos do município continuaram avançando. O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas produzidas no município, subiu quase 120% entre 2010 e 2016, ano do último índice divulgado pelo IBGE.

No início desta década, Pouso Alegre tinha um PIB de R$ 3 bilhões e 123 milhões e ainda aparecia como a terceira economia do Sul de Minas, atrás de Varginha e Poços de Caldas. O ano da virada foi 2015, quando o PIB de Pouso Alegre chegou a R$6,55 bilhões, aparecendo, pela primeira vez, como o maior da região.

O crescimento diante da crise nacional

Nos dados referentes a 2016, no ápice da crise econômica nacional, o PIB do município subiu mais um pouco, fechando em R$ 6,8 bilhões.

Enquanto o Brasil vivia um momento de recessão em sua economia, com o PIB nacional chegando a recuar -3,8%, em 2015, e -3,6%, em 2016, a economia de Pouso Alegre ainda avançava. Em 2015, a soma de todas as riquezas produzidas naquele mesmo ano pelos pouso-alegrenses registrou um avanço de 10,6%. Já em 2016, o crescimento foi menor em relação ao ano anterior, mas foi positivo em 5%.

Em Minas, Pouso Alegre ocupa a 11ª posição no ranking das maiores economias, entre os 853 municípios. Para especialistas, era questão de tempo para confirmar a cidade como a principal economia regional.

Para a economista Nayla Daniella da Costa, do Centro Universitário UNA, um conjunto de fatores contribui para o crescimento da economia local.

“Existem as ações do governo, para atrair esses novos investidores para Pouso Alegre; além da posição geográfica estratégica, próxima dos grandes centros consumidores do Brasil, que é São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Então, esse conjunto de fatores e atrações faz com que outros investidores tenham esse olhar para Pouso Alegre”, comenta a economista.

Economista Nayla Costa. Foto: Daniel Silva/Revista Terra do Mandu

Realmente, o município Sul Mineiro encontra-se numa posição privilegiada. A cidade está no entroncamento da BR-381 (Rodovia Fernão Dias) com a BR-459, a 200 km de São Paulo, 373 km do Rio de Janeiro e 395 km de Belo Horizonte, considerados os eixos econômicos mais importantes do país.

Nayla ainda cita que notícias com dados e ranking do posicionamento da cidade também são utilizados pelas empresas, como termômetro de onde fazer novos investimentos.

No mais recente ranking da revista Exame, especialista em economia e negócios, Pouso Alegre apareceu na 29ª posição entre as 100 melhores cidades do país para se fazer investimentos. Em Minas, Pouso Alegre ficou em 2º lugar, atrás apenas da capital do estado, Belo Horizonte. Nesse ranking são analisados 42 indicadores socioeconômicos e de infraestrutura.

“Todas estas notícias, todo este cenário, faz com que Pouso Alegre esteja neste momento de crescimento, mesmo em meio à crise que a gente já vive”, finaliza a economista.

Gráfico: revista Terra do Mandu

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Foto que está na capa da revista foi feita esse ano, durante a florada do ipê amarelo, na Pç Senador José Bento. Foto: Daniel Silva

Magson Gomes – Editor Executivo

Terra do Mandu apresenta sua primeira edição em revista. E por um motivo especial: Pouso Alegre completa 171 anos e não para de crescer.

A partir desse sábado (19), dia do aniversário da cidade, a gente traz reportagens que apresentam esse desenvolvimento que atrai indústrias, movimenta o setor de comércio e serviços e traz milhares de novos moradores para a cidade.

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Pouso Alegre se destaca no Sul de Minas: É a maior economia da região, a cidade que mais cresce em números populacionais e a que mais gera empregos formais.

Dados do IBGE mostram que, em nove anos, Pouso Alegre ganhou uma nova cidade, em números de novos habitantes. São 20.122 pessoas que chegaram para morar, trabalhar e estudar. A economia saltou do terceiro para o primeiro lugar, com o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Sul de Minas.

Números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) mostram que foram criados mais de 4 mil novos postos de trabalho com carteira assinada, nos últimos dois anos e meio em Pouso Alegre.

Entre os diferenciais do município, estão a localização estratégica, próximo dos grandes centros consumidores do país; a infraestrutura, com faculdades e universidades que garantem formação de mão de obra qualificada; além de escolas, creches, hospitais, hotéis e toda uma rede que serve quem está de passagem, a trabalho ou quem decidiu montar um novo lar por aqui.

Justamente por isso, a cidade se transformou no polo farmacêutico de Minas Gerais, atraindo novas indústrias do segmento, a cada dia.

Na opinião de especialistas, a cidade não vai parar de crescer, recebendo novos investimentos e mais moradores. O desafio das empresas e do poder público é garantir que Pouso Alegre desenvolva com qualidade de vida, para seus atuais e novos habitantes que chegarão nesses próximos anos.

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