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Mais de 4 mil litros de cachaça são apreendidos em embalagens de agrotóxicos na Fernão Dias

Carga, que saiu da Capital Mundial da Cachaça, em Minas Gerais, era transportada em 208 bombonas que tinham avisos de "proibido reutilizar". Produto seguiria para SP.

Iago Almeida / 29 julho 2026
Mais de 4 mil litros de cachaça são apreendidos em embalagens de agrotóxicos na Fernão Dias

Foto: PRF

Uma operação conjunta da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), da Vigilância Sanitária de Oliveira e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) resultou na apreensão de 4.160 litros de cachaça que estavam sendo transportados em embalagens reutilizadas de agrotóxicos. O caso aconteceu na Rodovia Fernão Dias, em trecho de Oliveira.

A fiscalização ocorreu na tarde de terça-feira (28/7), no km 609. Segundo a PRF, a abordagem ao caminhão foi realizada após uma análise de risco feita pela Central de Comando e Controle da corporação em Minas Gerais, que identificou indícios de irregularidades envolvendo o veículo, um caminhão VW 24.250.

Durante a vistoria no compartimento de carga, os policiais encontraram 208 bombonas plásticas de 20 litros, totalizando aproximadamente 4.160 litros de aguardente. O motorista informou aos agentes que a carga era composta por cachaça destinada ao consumo humano.

No entanto, durante a inspeção das embalagens, os policiais verificaram que todas as bombonas apresentavam inscrições em relevo como “PROIBIDO REUTILIZAR” e “EFETUAR A TRÍPLICE LAVAGEM”, indicações obrigatórias em recipientes utilizados originalmente para armazenar agrotóxicos.

A PRF confirmou ainda que o caminhão tinha placas de Salinas/MG, conhecida mundialmente como Capital Mundial da Cachaça. O veículo, com a carga, seguia para Porto Ferreira/SP.

Órgãos apontaram risco à saúde

Diante da situação, equipes do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e da Vigilância Sanitária de Oliveira foram acionadas para avaliar a carga. Após a inspeção técnica, o IMA lavrou um Auto de Infração por considerar irregular a utilização de embalagens de agrotóxicos para armazenar um produto destinado ao consumo humano.

Já a Vigilância Sanitária determinou a apreensão de toda a carga e das 208 bombonas, que permaneceram sob responsabilidade do órgão. Conforme os fiscais, o acondicionamento da bebida em recipientes desse tipo representa um potencial risco à saúde pública, já que resíduos de produtos químicos podem contaminar o líquido, mesmo quando as embalagens tenham sido lavadas.

De acordo com a PRF, os fatos podem configurar, em tese, dois crimes. O primeiro é o previsto no artigo 272 do Código Penal, que trata de corromper, adulterar ou alterar substância alimentícia destinada ao consumo, tornando-a nociva à saúde.

O segundo está previsto no artigo 56 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que pune quem produz, armazena, transporta ou manipula resíduos ou substâncias perigosas em desacordo com a legislação.

A definição sobre uma possível responsabilização criminal caberá à Polícia Civil e ao Poder Judiciário, após a conclusão das investigações. O caminhão foi liberado ao advogado habilitado da empresa responsável pelo veículo.

A PRF informou ainda que toda a documentação produzida durante a fiscalização, juntamente com os envolvidos na ocorrência, foi encaminhada à Delegacia da Polícia Civil em Oliveira, que dará continuidade às investigações e adotará as providências cabíveis.

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