A vigilante patrimonial Elizângela Oliveira Lima, de 31 anos, luta contra o tempo para o tratamento contra um câncer de mama. Natural de Pouso Alegre, Sul de Minas, a mulher segue internada no Hospital do Câncer, em Barretos, São Paulo. No dia 30 de maio, Elizângela completará 32 anos. Ela tem quatro filhos.
A família ganhou na Justiça o direito de receber um remédio de alto custo para o tratamento. Mas, o plano de saúde Hapvida/Notredame não cumpriu com o prazo estipulado pelo Juiz e não entregou o medicamento Sacituzumab. Segundo a família, são necessários quase R$ 70 mil por mês para compra do medicamento para o tratamento da mulher.
Elizângela descobriu o câncer de mama triplo negativo, que é raro, durante a gestação do filho caçula, hoje com 11 meses de vida. O câncer de mama triplo negativo (CMTN) é um dos subtipos mais desafiadores e agressivos da oncologia.
A família cobra o convênio e pede ajuda, com a criação de uma Vakinha, para que a vigilante prossiga o tratamento. Confira a decisão da Justiça, em liminar!
O Terra do Mandu procurou a Hapvida/Notredame, por meio de suas Relações Públicas, e aguarda um posicionamento. A empresa ficou de enviar um retorno para a reportagem. A advogada da paciente confirmou que recebeu ligação do plano de saúde no fim da tarde desta quarta-feira.
Entenda o processo na justiça
Em contato com a advogada que está pleiteando judicialmente a obrigação do Plano de Saúde Notredame em oferecer o medicamento Sacituzumab Govitecan (nome comercial Trodelvy), Rosicler Vilela, o Terra do Mandu foi informado que o plano de saúde não cumpriu até o momento nenhuma das ordens judiciais.
A advogada citou que foi procurada no dia 14 de abril por Elizângela, para dar entrada na Justiça contra a empresa, uma vez que foram esgotadas todas vias administrativas sem êxito, para fornecimento da medicação.
No dia 16 de abril, então, foi dada a entrada com o pedido de liminar, a qual foi concedida no dia seguinte, 17 de abril. A Justiça deu prazo de 15 dias para o plano de saúde fornecer a medicação. O prazo venceu no dia 14 de maio e não foi cumprido.
Ainda segundo a advogada, outros processos semelhantes pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, contra a mesma empresa, cita a teoria da “perda de uma chance” visto que, “o atraso ou a negativa de tratamento oncológico resultou em prejuízos significativos, reconhecendo que a recusa da operadora priva o paciente da oportunidade de lutar pela vida com os recursos disponíveis”, explicou a advogada.
O plano de saúde teria entrado com recurso no TJMG, pedindo a suspensão da liminar deferida. No dia 23 de abril, a advogada entrou novamente com outro pedido de liminar, sendo apreciada pelo juiz de plantão que deferiu multa diária pelo descumprimento da liminar anteriormente deferida.
“Entretanto, até a presente data, infelizmente não foi cumprida pela Empresa do Plano de Saúde, Notredame. Resumindo, o Judiciário entendeu a urgência da Sra Elizângela deferindo os pedidos pleiteados com base em toda documentação juntada no processo, entretanto, a Empresa Requerida não cumpriu até o momento nenhuma das ordens judiciais”, enfatizou a advogada da paciente.
Gestação em meio ao tratamento
O marido de Elizângela, Diego Gomes Silva, que também é vigilante patrimonial, gravou um vídeo ao lado da mulher no hospital de Barretos, que foi enviado ao Terra do Mandu. Ele citou a situação atual, dizendo que a saúde da mulher está debilitada.
A mulher teve uma gestação em meio ao tratamento contra o câncer, que começou em 2024. A família decidiu manter a gestação e o pequeno Mateus nasceu prematuro, mas com saúde. Foi aí que o câncer se tornou mais agressivo e ela precisou passar por cirurgias.
“Em uma semana a gente também descobriu a doença do câncer na mama (quando estava grávida) e aí, mediante aos médicos, ficou a critério sobre seguir com a gestação e assumir os riscos, que são esses que a gente tem enfrentado, ou fazer um aborto. Pela foto a gente escolheu a atitude mais nobre, a minha esposa é a heroína do meu filho. Nisso que evoluiu a doença, mesmo ela fazendo a primeira quimioterapia, ela foi pra mesa de cirurgia, ela fez mastectomia, ela removeu a mama, aí tinha que esperar a cicatrização dessa cirurgia da mastectomia, com 30 dias, retornou de novo o câncer, né, na própria cicatrização, entendeu? E aí ela teve que entrar pra segunda cirurgia”, explicou o marido.
Foto enviada ao Terra do Mandu
Ainda segundo o marido, o plano de saúde estaria dificultando o acesso ao tratamento. “Nisso que o câncer evoluiu, 32 semanas, então rompeu a gestação, meu filho nasceu prematuro. Nisso era já para iniciar o tratamento do câncer de forma imediata, e aí começou os primeiros abusos do nosso convênio, a Notredame. Assim que interrompeu a gestação, ela deveria só cicatrizar a cesárea e já iniciar, coisa de 7 dias a 14 dias uma cicatrização. Aí eles (convênio) começaram a dificultar o acesso ao tratamento, já logo de começo não liberaram imunoterapia e depois quimioterapia”, relatou o marido.
Cirurgia com complicação
O marido falou ainda sobre uma cirurgia que a mulher teria feito pelo SUS no Complexo Hospitalar Samuel Libânio, onde a mulher foi enviada para casa no dia seguinte, sem que houvesse avaliação médica específica da cirurgia. Segundo ele, a esposa teve complicações já em casa, após receber alta sem que um médico avaliasse a cirurgia que tinha sido realizada. Fotos mostram como ficou a mama, após uma suposta infecção atingir o local da cirurgia.
“Nesse dia que a gente recebeu alta ninguém verificou como estava a cirurgia, chegamos à noite em casa, fomos dormir, no outro dia de manhã a gente viu que essa cirurgia tinha dado uma complicação e foi negligenciada, a gente recebeu alta sem receber uma avaliação médica do que foi feito, ela saiu do hospital com necrose. A alta hospitalar ocorreu um dia após o procedimento”, relatou o marido.
Fotos enviadas ao Terra do Mandu
O Terra do Mandu entrou em contato com o Complexo Hospitalar Samuel Libânio, em Pouso Alegre/MG, por meio da Assessoria de Comunicação, que respondeu que “devido às disposições da LGPD, somos impossibilitados de divulgar quaisquer informações sobre nossos pacientes. O hospital não divulga nenhuma informação à imprensa sem o consentimento prévio da família. A divulgação de informações sobre pacientes é protegida pelo sigilo médico e pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), além do Código de Ética Médica”.
Família faz vakinha
Amanda Amorim, prima de Elizangela, abriu uma vakinha para ajudar a paciente. O objetivo é R$ 145.000,00 para iniciar o tratamento com o remédio que o convênio não quer fornecer. Ajude na Vakinha, clicando aqui!
“Eu sou Amanda Amorim, prima da Elizangela Oliveira que esta passando por um momento muito difícil, ela luta contra um câncer raro e muito agressivo, ela precisa urgentemente conseguir os recursos financeiros pra começar seu tratamento. O SUS não fornece o medicamento e o convênio não quer liberar a medicação, mesmo diante de uma liminar da justiça. Peço encarecidamente que nos ajudem com qualquer quantia, ela esta entre a vida e a morte, é mãe de 4 crianças e precisa da nossa ajuda”, escreveu a prima.

