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Audiência Pública debate futuro do Indústria do lítio no Vale do Jequitinhonha 

Moradores e representantes da Sigma Lithium debateram sobre desenvolvimento, impactos sociais e sustentabilidade no avanço da indústria do lítio na região. 
 
Audiência pública ouviu moradores das comunidades no entorno da operação da Sigma Lithium 
Agência  Minera  Brasil 
A audiência pública que discutiu os impactos das operações da Sigma Lithium no Vale do Jequitinhonha, transformou-se em um amplo espaço de debate sobre o futuro da indústria do lítio na região. Realizada com o objetivo de ouvir moradores das comunidades no entorno do empreendimento, o encontro reuniu representantes do Ministério Público, da justiça, empresa, lideranças comunitárias, moradores e movimentos sociais. 
Mais do que um embate entre posições favoráveis e críticas à mineração, a audiência revelou um território que busca o desenvolvimento econômico e social para superar   o estigma de “Vale da miséria” para um “Vale de oportunidades” impulsionado pela chegada de novos investimentos.
A promotora de Justiça de Araçuaí, Úrsula Oliveira, ressaltou que o papel do Ministério Público é garantir o cumprimento da legislação e promover o diálogo entre todos os atores envolvidos.

“Ouvir a empresa e os moradores, é parte do processo de conciliação de desenvolvimento sustentável”, afirmou.

“Não estamos aqui para demonizar de maneira nenhuma a empresa e muito menos os projetos sociais que a gente ouviu que são benéficos para a comunidade. O papel do Ministério Público é fazer cumprir o que está na lei”, declarou.

Representando a Sigma Lithium, o vice-presidente jurídico Bruno de Albuquerque afirmou que a companhia apresentou dados técnicos e indicadores operacionais para responder às dúvidas das comunidades no entorno do empreendimento. 

“A gente trouxe números, a rigidez na nossa licença. A nossa operação é limpa e regular,”, disse. O executivo destacou ainda os indicadores sociais e de segurança da companhia no Vale do Jequitinhonha.

“Mais de 1.000 dias sem incidentes. A gente gera 18 mil empregos diretos e indiretos na cidade. Trouxemos todas as nossas ações sociais e como estamos ajudando, dentro das nossas possibilidades, a mudar a realidade do Vale do Jequitinhonha”, afirmou.

Veja o video clicando aqui: https://www.youtube.com/watch?v=TuhfU319YPE

Compromisso como as comunidades

A vice-presidente de Relações Institucionais da Sigma, Lígia Pinto, reforçou o posicionamento da empresa sobre segurança operacional e saúde dos trabalhadores e moradores.
“A vida e o cuidado das pessoas são a nossa prioridade, afirmou. 
Segundo ela, a companhia possui relatórios técnicos e dados médicos que não apontaram adoecimento dos moradores ou trabalhadores relacionado às atividades da empresa.
“Se houvesse uma granulometria inadequada, se houvesse uma poeira inadequada para aspiração, certamente os nossos funcionários, inclusive nós, estaríamos adoecidos. Não estamos”, ponderou. 
Lígia também defendeu que hospitais da região possam ser oficialmente consultados para atestar sua afirmação de que não há impactos à saúde pública,

Igreja defende mineração responsável

O bispo de Araçuaí, Dom Geraldo Maia, afirmou que a Igreja Católica não é contrária ao desenvolvimento econômico ou à mineração, mas defendeu responsabilidade socioambiental no avanço da cadeia do lítio.
“Nós precisamos da tecnologia, nós precisamos da matéria-prima, mas que seja de maneira responsável”, declarou.
A fala reforçou uma percepção recorrente no debate regional: o reconhecimento da importância econômica da mineração aliado à preocupação com os impactos sociais e ambientais de longo prazo.

 
Audiência Pública foi realizada na Câmara Municipal de Araçuaí

Moradores relatam transformação econômica

Entre os depoimentos mais marcantes da audiência estiveram os relatos de moradores das comunidades próximas à operação Grota do Cirilo. Eles destacaram mudanças econômicas e melhorias de infraestrutura após a chegada da Sigma Lithium à região.
A moradora Cláudia Renata Florentin, da comunidade de Piauí Poço Dantas, lembrou o histórico de vulnerabilidade social do Vale do Jequitinhonha.
“Antes o Vale do Jequitinhonha era conhecido como o Vale da Miséria.”
Ela relatou que a chegada da Sigma permitiu que moradores permanecessem na região.
“Hoje a Sigma está aqui dando emprego para várias pessoas. Minha filha trabalha lá e não precisou ir embora. Outros que estavam fora também voltaram”, afirmou.
Moradores de Taquaral Seco também relataram ausência de impactos diretos percebidos em suas residências.
“Lá não vem poeira, na nossa casa não vem rugido, não tem casa rachando”, afirmou Maria Rita, que disse morar a cerca de 600 metros da operação da Sigma. 
Ela também   relatou melhorias em estradas e infraestrutura local.
“Estrada maravilhosa, nunca teve uma estrada tão boa igual até o momento”, afirmou Maria Rita.

Debate sobre narrativas

O historiador Higino Pedro chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate público sobre o futuro do Vale do Jequitinhonha sem reduzi-lo a posições polarizadas.
“O debate é muito importante. Por isso é importante ouvir sempre os dois lados.”
Segundo ele, parte das narrativas sobre o território historicamente foi construída sem conhecimento direto da realidade local.
“Pessoas que dizem defender o Jequitinhonha às vezes nem conhecem o território, nunca entraram numa mina. Então a gente tem que construir o debate ouvindo todas as partes”, afirmou.
A audiência pública mostra que o avanço da indústria do lítio no Vale do Jequitinhonha envolve disputas sobre desenvolvimento regional, segurança ambiental, geração de empregos, dialogo social e o papel estratégico do Brasil na cadeia global de minerais críticos para a transição energética.
A audiência pública foi convocada pela juíza Patrícia Bergamaschi de Araújo no âmbito da ação civil pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

 

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