Novo protocolo transforma avaliação dos cafés especiais no Brasil
/ 07 abril 2026
Novo protocolo para avaliação de cafés
Modelo CVA torna análise mais objetiva, aproxima consumidor e amplia critérios de valor do produto
A forma de avaliar cafés especiais está passando por uma mudança relevante com a adoção do protocolo CVA (Coffee Value Assessment), que propõe uma abordagem mais objetiva, compreensível e alinhada ao consumidor final, sem abrir mão do rigor técnico.
A nova metodologia já começou a ser implementada e, a partir deste ano, todos os Q-Graders passam a utilizar o novo formulário em exames e avaliações oficiais. Instrutores do Sistema Faemg Senar já foram capacitados em 2025, na sede da Brazil Specialty Coffee Association (BSCA), em Varginha.
Avaliação mais clara e acessível
A principal mudança está na forma de descrever aromas e sabores. Antes, os campos eram abertos e dependiam da interpretação livre do provador. Agora, o formulário apresenta direcionamentos com notas predefinidas, tornando a avaliação mais padronizada.
┃ Antes, os campos eram totalmente abertos. Agora, o formulário traz direcionamentos com as principais notas, o que torna tudo mais objetivo, explica o especialista em café do Sistema Faemg Senar, Marcos Reis.
Na prática, isso significa descrições mais diretas e compreensíveis, como:
Amanteigado
Nozes
Chocolate
Frutado
Cítrico
Frutas amarelas
┃ A ideia é simplificar e destacar os principais atributos, facilitando o entendimento do consumidor, completa.
De um formulário para quatro
O novo protocolo amplia a estrutura da avaliação, que passa a ser dividida em quatro formulários:
Análise física: avaliação de defeitos no grão verde
Descritivo: caracterização de sabor, acidez, corpo e doçura
Afetivo: pontuação dos atributos em escala de 1 a 9
Extrínseco: avaliação de fatores além da bebida
Para concursos e situações práticas, também existe uma versão combinada dos formulários descritivo e afetivo.
Valor além da bebida
O grande diferencial do CVA está na inclusão dos chamados atributos extrínsecos, que consideram fatores como:
História do produtor
Práticas sustentáveis
Processo produtivo
┃ É o produtor podendo contar melhor a história do café. Isso agrega valor de forma muito significativa, destaca Marcos Reis.
Para o cafeicultor e supervisor do ATeG Café+Forte, Daniel Prado, a mudança fortalece principalmente os pequenos produtores.
┃ Favorece quem tem um cuidado artesanal e os torna mais competitivos no mercado, valorizando a qualidade do produto.
Padronização e adaptação do mercado
A metodologia será adotada oficialmente por instituições como a BSCA, que já iniciou a implementação no Brasil. Apesar de questionamentos sobre possível aumento da subjetividade, especialistas defendem a confiabilidade do modelo.
┃ Os Q-Graders passam por calibração constante. A variação entre avaliadores é mínima, reforça Marcos.
A expectativa é que o setor se adapte rapidamente ao novo formato, mantendo a consistência das avaliações, mas com ganhos importantes em clareza, comunicação e valorização do café especial.
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