Polícia

Vereador é morto com tiro na cabeça na fazenda dele em Munhoz

João Bernardes, de 53 anos, foi encontrado morto em lavoura e vizinha ouviu tiros. Suspeito que alterou cena do crime e teria atritos com o vereador foi preso.

Nayara Andery / 31 março 2026

Vereador João Bernardes é assassinado na zona rural de Munhoz. Imagem Câmara de Munhoz.

O vereador de Munhoz, João Bernardes (União Brasil), de 53 anos, foi assassinado com tiro na cabeça lavoura dele, no bairro do Corrente, nesta segunda-feira (30/3). O suspeito é o vizinho de 25 anos, que foi preso ao alterar a cena do crime e há relatos de problemas entre ele e a vítima.

Uma moradora da região ouviu tiros. Moradores encontraram João caído embaixo do trator na lavoura, com sangramento na cabeça. A Polícia Militar foi acionada e o Samu constatou a morte da vítima no local.

Quando a PM chegou a cena do crime estava comprometida devido à aglomeração de pessoas. O vereador foi encontrado com lesão na cabeça e as roupas cobertas de sangue.

Policiais pediram que as pessoas saíssem do local para o trabalho da perícia. Uma faca foi encontrada no interior do terreno, ao lado do boné que segundo testemunhas era da vítima. Um cartucho de espingarda também estava no local.

Um homem desobedeceu a ordem de distanciamento e invadiu a área do crime. Ele pegou o cartucho e atirou no matagal, na frente de testemunhas e da PM.

A polícia deu voz de prisão por crime de fraude processual. O motivo é por ele alterar a cena e tentar ocultar elementos de possível prova do homicídio.

Testemunhas contaram à PM que o suspeito tem arma de fogo, usada para caçar capivaras e que ele e vereador já discutiram várias vezes. Os motivos seriam brigas frequentes envolvendo as propriedades rurais de ambos.

O suspeito teria mudado o curso do rio para a propriedade do vereador, prejudicando a lavoura de João. A denúncia é que os atritos também envolviam invasões de gado do suspeito na lavoura do vereador, com prejuízos.

O corpo do vereador foi levado para o Instituto Médico Legal de Pouso Alegre. O velório será na Câmara Municipal de Munhoz, é previsto para começar após às 16h desta terça-feira (31/3). O enterro será às 10h desta quarta-feira (1º/4), no Cemitério Municipal.

Vereador por 16 anos

João Bernardes nasceu em Munhoz, onde morou por toda a vida e deixa duas filhas e uma neta. O agricultor entrou na política em 2009 e foi reeleito sucessivamente como vereador, por 16 anos.

Joãozinho Vereador, como era apelidado, se destacou como presidente da Câmara e funções de liderança. Ele é citado pela Câmara como um homem sempre presente da vida no campo e com a comunidade local.

“Conhecido por sua participação ativa nas reuniões e projetos, João Bernardes mantém um mandato baseado na escuta da população e no diálogo com diferentes setores da sociedade”, informa o legislativo.

A Câmara Municipal publicou nota de pesar. ” Neste momento de dor, expressamos nossas mais sinceras condolências aos familiares, amigos e a toda a comunidade, que hoje se despede de um homem público que dedicou sua trajetória ao serviço e ao bem-estar da população. Seu legado de compromisso e trabalho permanecerá na história do município. Que Deus conforte o coração de todos.”

Investigação da PCMG

A Polícia Civil (PCMG) investiga as circunstâncias da morte do vereador. A perícia constatou uma perfuração na cabeça, perto do ouvido e outra no lateral do tronco.

A suspeita da investigação é de desavenças entre vítima e vizinho, por “questões de limites de propriedade, cercamento e passagem de rede de esgoto no local”, cita a nota da PCMG.

Dois cartuchos usados, faca, objetos pessoas da vítima e uma peça de roupa que seria do suspeito foram recolhidos pela perícia no local do crime. A PCMG confirma indícios de tentativa de alteração da cena do crime, por ocultação de materiais.

O suspeito prestou depoimento no quartel da Polícia Militar. Segundo a Polícia Civil, deu versões contraditórias dos fatos.

Foi feito exame residuográfico para detectar vestígios de pólvora. A PCMG encontrou no celular do suspeito, “registros recentes que indicam a posse de arma de fogo compatível com a utilizada no crime”. Ele foi encaminhado para o sistema prisional.

Testemunhas relataram comportamento incomum do suspeito antes e após o ocorrido, incluindo tentativa de simular situação diversa para justificar a presença no local.

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