Pais de garoto que morreu após mal súbito comentam lei que leva nome do filho Vitor

Saiba quem foi Vitor Anastácio de Oliveira Neto, que morreu aos 17 anos e como ele inspira Projeto de Lei de primeiros socorros nas escolas de Pouso Alegre.

Nayara Andery / 26 março 2026

Trocar o sentimento de dor pela esperança, é assim que a família de Vitor Anastácio de Oliveira Neto, que morreu aos 17 anos, vê a aprovação da Lei que leva o nome do garoto, em Pouso Alegre. Vitor teve parada cardíaca em 16 de outubro de 2025, enquanto jogava futebol.

A Lei que cria o programa de ensino de primeiros socorros na educação básica municipal não vai trazer o adolescente de volta, mas pode ajudar a salvar outras vidas. A ideia surgiu do pai, Vitor Anastácio, que procurou o vereador Delegado Renato Gavião que transformou o sonho em projeto de lei, aprovado nesta semana na Câmara.

Ele destaca que é necessário ensinar primeiros socorros nas escolas, o que ele via apenas quando trabalhou em indústrias, que têm grupos de socorristas e brigadistas. Após a aprovação do projeto, ele espera que o texto seja sancionado pelo prefeito Cel. Dimas e se torne prática nas escolas. “Vai fazer diferença para as novas gerações.”

A família na época recebeu a informação que as ambulâncias do Samu e Bombeiros estavam em outras ocorrências. Um policial à paisana fez o socorro até que o Samu chegasse, cerca de 20 minutos depois.

A mãe de Vitor, Verônica Camargo, recorda que o prontuário da morte do filho citou a demora no socorro. Ela fala da importância de cada vez mais pessoas saberem fazer o socorro adequado e nos primeiros instantes, inclusive por manobras de ressuscitação que podem necessitar de mais de uma pessoa revezar o procedimento.

Técnicas de primeiros socorros podem ser úteis em diferentes situações. Desde identificar parada cardiorrespiratória, crises convulsivas, ataques epiléticos e outros e saber como agir.

“Isso faz toda a diferença. Tudo pode acontecer, e tendo um adolescente ou criança que fica em casa com os avós, que em Pouso Alegre tem muito, vai fazer muita diferença no futuro”, destaca o pai do garoto.

Legado do filho para salvar vidas

Vitor deixa cinco irmãos e é lembrado como um adolescente brincalhão, alegre, trabalhador, amava a família, praticava diversos esportes e era saudável. Verônica mantém intacto o quarto do filho na casa dela, junto com as roupas, calçados e objetos dele. Tudo lembra o garoto que estava sempre disposto a ajudar o próximo.

“Ele era a alegria da casa, era tudo. A saudade é muito grande. Ele não era para esse mundo, porque era um menino espetacular. (Que) essa lei não seja em vão. Que sirva para outros, para salvar mais vidas.”

Verônica trabalha em uma creche. Ela e os colaboradores têm treinamento de primeiros socorros. Conhecimento que é exigido para funcionários da educação básica pública e privada e de estabelecimentos recreativos, por meio da Lei Federal, conhecida como Lei Lucas.

Como profissional e mãe de uma vítima, ela vê a importância de Pouso Alegre levar esse aprendizado para os estudantes e fazer a atualização frequente.

“Porque se todos tivessem, se os amigos deles tivessem o conhecimento dos primeiros socorros, talvez ele teria uma chance. Que novas vidas podem ser salvas com esse projeto. Não é só trabalhar o conhecimento, é na hora do acontecido ter calma para lidar com a situação.”

Lei Vitor homenageia adolescente que morreu de parada cardíaca e cria programa de primeiros socorros nas escolas. Imagem cedida pela família.

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