Após dois feminicídios, Bom Repouso cria lei de prevenção e enfrentamento à violência doméstica

Bruna Aline Rodrigues de Souza, de 27 anos, e Patrícia Nogueira, de 29 anos, foram mortas nos primeiros dias do ano na cidade, que tem menos de 13 mil habitantes

Iago Almeida / 04 março 2026

Foto enviada ao Terra do Mandu

Uma lei aprovada pelos vereadores e sancionada pelo prefeito Edmilson do Tião do Roque (Republicanos), institui a lei de prevenção e enfrentamento à violência doméstica em Bom Repouso, no Sul de Minas. Segundo o Jurídico da Prefeitura, agora a lei deve voltar ainda nesta semana para a Câmara, para ser publicada e começar a valer.

A criação da lei acontece em um começo de ano violento em Bom Repouso, que tem pouco menos de 13 mil habitantes. Bruna Aline Rodrigues de Souza, de 27 anos, e Patrícia Nogueira, de 29 anos, foram mortas nos primeiros dias do ano na cidade.

A lei recebeu o nome de “Patrícia Vive”, com diretrizes voltadas à prevenção, conscientização e enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher, bem como ao fortalecimento da rede de proteção e acolhimento às vítimas.

São objetivos da lei, promover a conscientização da população acerca da violência contra a mulher e do feminicídio; incentivar a denúncia e o rompimento do ciclo de violência; contribuir para o fortalecimento da rede de apoio e acolhimento às mulheres em situação de risco; estimular ações integradas de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar; e preservar a memória de Patrícia como símbolo de luta e proteção à vida das mulheres.

Foto enviada ao Terra do Mandu

Além disso, o poder público poderá adotar ações educativas e informativas, tais como campanhas anuais de conscientização sobre violência doméstica e familiar, inclusive durante o Agosto Lilás; palestras, rodas de conversa e atividades educativas em escolas, unidades de saúde, CRAS, associações comunitárias, entidades religiosas e demais espaços coletivos; e divulgação de informações sobre direitos das mulheres e canais oficiais de denúncia e acolhimento.

A Prefeitura poderá ainda promover divulgação dos canais de denúncia e apoio às mulheres em situação de violência (como o disque denúncia 180, canais da PMMG e PCMG e demais serviços), em prédios públicos, unidades de saúde, escolas, eventos e campanhas institucionais.

O Município poderá ainda incentivar a capacitação de profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social, para identificar sinais de violência doméstica e familiar; orientar e acolher mulheres em situação de risco; e realizar encaminhamentos adequados aos serviços competentes.

Foto enviada ao Terra do Mandu

Um local ou serviço deverá ser criado pelo Executivo, para acolhimento, orientação e encaminhamento de mulheres em situação de violência. Um desses serviços é a ferramenta tecnológica de proteção, conhecida como “Botão do Pânico”, que funciona por meio de aplicativo ou sistema eletrônico, destinada a mulheres com medida protetiva de urgência vigente.

“A ferramenta prevista no artigo anterior poderá permitir o acionamento imediato de força de segurança pública ou órgão competente, com compartilhamento de localização em tempo real, quando tecnicamente possível e conforme regulamentação”, diz a justificativa do projeto, que tem autoria da vereadora Micheli Silva Alcântara, única mulher que compõe o cargo na Câmara de Bom Repouso.

Dia em memória de Patrícia

A lei cria ainda o Dia Municipal em Memória de Patrícia, a ser celebrado anualmente, em data a ser definida pelo Poder Executivo, com ações voltadas à conscientização e prevenção da violência contra a mulher.

A jovem mulher, de 29 anos, foi morta a tiros, em uma emboscada, na zona rural de Bom Repouso, Sul de Minas. O crime foi no dia 10 de janeiro de 2026. O autor do crime foi o ex-namorado para produtora rural, que não aceitava o fim do relacionamento. Os dois ficaram juntos por 11 meses.

Patrícia Nogueira tinha medida protetiva contra o ex. Mas foi morta em uma emboscada / Imagem: Reprodução

A vítima foi alvejada quando seguia para a colheita. O autor dos disparos estava escondido em um milharal e foi preso em flagrante pela polícia militar. Patrícia Nogueira faleceu no local do crime.

Em áudio enviado a um conhecido, a vítima desabafou o que vinha sofrendo do ex. Patrícia fala que o ex-namorado esteve na casa dela e quebrou a televisão e fazia ameaças de morte para ela e o filho dela.

 

Ex-namorado continua foragido após matar Bruna Aline

Mulher é vítima de feminicídio em Bom Repouso. Imagem: reprodução

No dia 1º uma mulher, de 27 anos, foi morta a facadas. O principal suspeito do crime é ex-namorado, de 21 anos, que não aceitava o fim do relacionamento. Bruna Aline Rodrigues de Souza estava em um bar quando foi à casa de uma testemunha para cuidar de sete crianças, incluindo dois filhos da vítima. O suspeito teria invadido o imóvel.

Ele agrediu a mulher na frente das crianças, que saíram correndo para fora da residência pedindo ajuda. Ao entrar na casa, a testemunha encontrou Bruna caída com vários ferimentos e acionou o socorro, mas a jovem já estava sem vida

Ainda segundo a PM, o rapaz fugiu em uma moto. A mãe de Bruna contou que anteriormente, a filha já tinha sido ameaçada pelo suspeito, por motivos de ciúmes. O corpo de Bruna Aline Rodrigues de Souza foi sepultado em São Sebastião do Tocantins (TO), cidade natal dela. O homem ainda não está preso, continua foragido.

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