Marido nega que matou a própria esposa; defesa vai pedir para suspeito responder em liberdade

Advogado de defesa, Moisés Rosa, concedeu entrevista ao Terra do Mandu. O esposo segue preso preventivamente. Veja entrevista na matéria!

Nayara Andery / 05 fevereiro 2026

O marido suspeito de matar a própria esposa em Pouso Alegre, Sul de Minas, nega a autoria do crime. A informação foi dada ao Terra do Mandu pelo advogado de defesa. Moisés Rosa concedeu entrevista em seu escritório, nesta quinta-feira (5/2), logo após visitar seu cliente no presídio.

O advogado afirma à repórter Nayara Andery que não há elementos que comprove a autoria do crime de feminicídio. Que a versão do marido é que Wanessa Aparecida da Silva teria caído e ele percebeu que ela não respirava e entrou em contato com o Samu para pedir socorro.

Seguindo orientações, o marido teria iniciado as manobras para ressuscitar a esposa, o que teria causado algumas lesões. Confira o vídeo da entrevista acima.

Wanessa e o marido estavam juntos há mais de 25 anos. O corpo dela foi encontrado no sítio onde o casal morava, no bairro Afonsos. Em depoimento à Polícia Militar, o marido disse que ela caiu da cama e ele percebeu que ela estava morta depois de duas horas.

A irmã da vítima, Fátima Cristina da Silva, concedeu entrevista ao Terra do Mandu. Ela afirmou que Wanessa sofria violência doméstica desde o início do relacionamento. A suspeita é que o marido a agrediu naquela noite no sítio.

Mais sobre a versão do marido

O advogado de defesa deu a versão do marido sobre o que teria acontecido na noite da morte. O suspeito contou que os dois passaram bem o sábado, beberam à noite e foram dormir, até ela morrer na madrugada de domingo.

“Ele acordou com ela fora da cama já, aparentemente ela tinha tido uma queda. Ele levantou e verificou que ela realmente não estava respirando e acionou o socorro. Foi orientado durante esse percurso para que pudesse fazer as reanimações até que o SAMU chegasse.”

A reportagem questionou sobre a versão que Wanessa teria caído da cama, pois segundo a família dela, Wanessa foi encontrada morta no colchão no chão da sala.

O advogado argumentou que “a perícia do local especificamente, nós não temos isso. O que temos é o laudo necroscópico, muito precário e que deixa muitas dúvidas na apuração do fato. O laudo, o que ele preconiza ali é que houve uma asfixia”.

Ele viu a entrevista de Cristina no Terra do Mandu e se solidariza com a família, mas acrescenta que não teria algo oficial que conste que Wanessa teria sido asfixiada. A reportagem não teve acesso ao laudo, que agora está em segredo de justiça. Segundo a família da vítima, o laudo traria a informação de asfixia mecânica, ou seja, causada.

Para o advogado, “quem fala de asfixia mecânica, infelizmente, é a juíza que estava no plantão e que fez a conversão do flagrante em preventiva, e ela utiliza essa expressão na decisão. O laudo não tem essa conotação de asfixia mecânica, muito pelo contrário, ele diz asfixia, e o meio utilizado é o meio físico-químico. O laudo, para caracterizar a tipicidade de feminicídio, ele é imprestável”.

O corpo de Wanessa, segundo a família, tinha marcas de hematomas e múltiplas lesões e marcas de sangue foram encontradas no travesseiro. De acordo com o advogado, as marcas na região do pescoço, tórax e costas condizem com a versão do marido dela, de que teria tentado fazer a ressuscitação ao acordar e ver ela sem sinais vitais.

E sobre a violência?

Cristina relatou que a irmã sempre chegava com hematomas e machucados, mas não se separava do marido pela dependência emocional. Ela ressalta que a família descobriu que Wanessa registrou um boletim de ocorrência de agressão contra o marido, em 2025, mas que foi arquivado.

O advogado contesta. “Não há no contexto ainda na fase da investigação (de feminicídio), no inquérito, nada evidentemente formal de que ele a agredia. Não há nenhum único registro, nenhum boletim de ocorrência nessa circunstância.”

A família disse que socorreu Wanessa no fim de 2025, quando ela teria sido gravemente agredida e levada para o hospital, mas teria sido retirada do local pelo marido. Segundo o advogado, a família do marido contou que ela teria tido um ataque de fúria em casa, se machucou e fugiu do hospital pedindo para o marido a buscar. A defesa dele pediu o histórico do atendimento ao hospital.

“Qualquer pessoa que chega agredida no hospital, o próprio hospital tem que comunicar à polícia, isso é uma obrigatoriedade clínica do hospital, se ela tivesse, se os médicos que a atenderam, que fizeram com que ela ficasse internada, verificasse que ela tinha vestígios de ofensa, integridade física ou agressão, a polícia teria sido chamada”, contextualiza o advogado.

Defesa vai pedir habeas corpus

A defesa do preso pediu a suspensão da prisão preventiva à justiça. O pedido foi negado pela justiça, nesta quarta-feira (04/2). Rosa agora vai pedir Habeas Corpus em segunda instância, para tentar que o cliente responda ao processo em liberdade.

“Ele tem uma patologia grave e está no presídio na enfermaria, ele não está no convívio porque ele não tem condições de saúde, ele está sob medicamento.” O advogado alega que os elementos do laudo e da prisão preventiva “são precários”.

“Eu tenho a sensação, no meu sentido, de que ele será absolvido, porque não há nada no laudo que demonstre que ali havia uma intenção homicida.”

CONFIRA A REPORTAGEM EXCLUSIVA COM A FAMÍLIA DE WANESSA – ENTREVISTA EM VÍDEO:

Família de Wanessa afirma que havia histórico de violência doméstica

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