Família de Wanessa afirma que havia histórico de violência doméstica

Mulher foi morta por asfixia. Marido está em prisão preventiva como suspeito do crime de feminicídio. Veja entrevista com irmã da vítima!

Terra do Mandu / 05 fevereiro 2026

A família de Vanessa Aparecida da Silva, vítima de feminicídio em 1º de fevereiro em Pouso Alegre, recebeu o Terra do Mandu para falar do caso. O marido de Vanessa está preso como suspeito do crime. Vanessa tinha 44 anos e o relacionamento do casal tinha cerca de 25 anos.

Cristina, irmã da vítima, fala que Vanessa sofria violência doméstica. “Nós já sabíamos do histórico de violência. Foi achado um registro de boletim de ocorrência de 2005, que ela abriu contra ele, mas não deu continuidade”, conta a irmã.

A irmã da vítima fala que Wanessa sempre aparecia com algum hematoma de agressões. “Ela aparecia sempre com o olho roxo, só que ela não aceitava separar. Meu pai hoje se sente culpado, porque meu pai sempre tentou que ela viesse pra cá, mas era uma dependência emocional que ela tinha muito grande nele [marido]”.

“Em dezembro foi a última vez que eu vi ela muito, muito machucada, inclusive nós tivemos que chamar o SAMU para ela, que ela não queria ir no hospital”.

Wanessa foi encontrada morta na manhã de domingo (1/2), no sítio do pai dela, onde morava com o marido. O homem, de 47 anos, contou à Polícia Militar que a esposa havia caído da cama e ele percebeu que ela estava morta apenas duas horas depois.

No entanto, o laudo do IML constatou que a Wanessa havia morrido por asfixia mecânica. Então, a PM prendeu o marido na funerária, enquanto ele esperava a liberação do corpo da esposa para o velório. A prisão foi convertida em preventiva e o homem segue no presídio de Pouso Alegre.

Confira os detalhes da entrevista com a irmã da vítima no vídeo acima!

Mais trechos da entrevista com a irmã da vítima:

“Muitas pessoas julgam, falam, porque ela não separa. Mas nós, como família, nós tentávamos de tudo para ela separar dele. Às vezes, apontar é fácil, mas a dependência emocional é muito forte. Então, as brigas eram frequentes, nós sabíamos que as brigas eram frequentes, nós tentamos de tudo, de tudo, de tudo”.

A morte de Wanessa dilacerou a família. Ela deixou uma filha de 21 anos, a irmã, Cristina, e os pais idosos. Quem ia fazer essa entrevista era a minha mãe, mas eles não estão em condições de receber, de falar, e meu pai está se culpando a todo momento, a todo momento minha mãe se culpa, porque que eles não tiraram, né, trouxeram ela antes, mas igual eu falo, agora não tem mais o que fazer.

Era a minha única irmã, e a gente tinha muitos planos para esse ano, mas, assim, eu acho que não caiu a ficha ainda, tá caindo aos poucos, porque a dor, cada dia que passa, tá maior.

Wanessa venceu o câncer de mama descoberto aos 33 anos.  “Ela fez mastectomia total, retirada das duas mamas, passou por quimioterapia, por radioterapia, depois, por muito tempo, ela tomou uma medicação, foi uma guerreira. Eu nunca vi minha irmã reclamar, sabe, ela sempre estava com um sorriso no rosto, ela foi uma guerreira, ela deixou um legado muito lindo aqui. O câncer não levou ela. Deus curou. Ela venceu o câncer. E veio uma morte assim, tão trágica.

Se a gente tivesse perdido por uma doença, dói, mas dessa forma, assim, rasga, sabe, dilacera a alma, é inacreditável. Justiça, esse é o apelo da família para que Vanessa não seja mais uma mulher nas estatísticas de feminicídio no Brasil, e para que o responsável pelo crime seja punido. Que a justiça seja feita, eu peço em nome, porque eu sei que agora meus pais já estão idosos.

E a lei da vida, o que que é? Os filhos enterrados dos pais. Eu sei que a minha dor é gigante, mas eu não consigo imaginar a dor dos meus pais. A dor dos meus pais, eu vejo meu pai dormindo, dopado de remédio, amanhece o dia, ele chora o dia inteiro, minha mãe chora o dia inteiro, sabe, eu tenho que fingir que está tudo bem, porque eu tenho eles para me cuidar agora, que eles são o que eu tenho mais importante.

“Recentemente, ela já não estava feliz mais no sítio com ele, eu acho que ela queria ficar mais próxima da família, mas não separar. Meu pai estava comprando uma casa para os dois virem para cidade. Ela estava muito feliz com isso, mas esse sonho dela não concretizou, porque, até o momento, o que o laudo do IML aponta é que ele é o autor [da morte dela]”.

Mais Lidas