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Homem que recebeu primeiro transplante de coração no Samuel Libânio recebe alta

Homem que recebeu primeiro transplante de coração no Hospital Samuel Libânio recebe alta

Após uma longa trajetória marcada por desafios, superação e esperança, o paciente Edmilson Feliciano dos Santos, primeiro a se submeter a um transplante de coração no Complexo Hospitalar Samuel Libânio (CHSL), recebeu alta hospitalar nesta semana.

Foto: CHSL

Ao todo, ele permaneceu internado por quase nove meses, em um dos casos de maior complexidade já atendidos pela instituição. O paciente é natural de Três Corações. Em junho, Edmilson apareceu na matéria aqui no site com o título ‘Pai internado à espera de transplante cardíaco conhece filha de 17 dias em hospital’.

A saída do paciente do hospital foi marcada por um momento de emoção e reconhecimento ao trabalho da equipe multiprofissional que acompanhou toda a sua recuperação. Profissionais de diferentes setores do hospital participaram da despedida, celebrando não apenas a alta, mas um marco histórico para o CHSL.

“Hoje é um dia muito especial para todos nós do Complexo Hospitalar Samuel Libânio. Nosso paciente, Edmilson, que passou por um transplante cardíaco, está retornando para casa após uma jornada longa e extremamente desafiadora”, afirmou Dra. Sasha Barbosa da Costa Pimenta Duarte, responsável pelo acompanhamento clínico do paciente.

Foto: CHSL

Segundo a médica, Edmilson era portador de insuficiência cardíaca, uma doença de alta mortalidade. Durante a internação, ele aguardou cerca de seis meses na fila por um órgão compatível. O transplante aconteceu em outubro de 2025.

“Em pacientes de alta complexidade, é esperado um tempo prolongado de internação, assim como intercorrências. Conseguir superar cada uma delas demonstra o preparo, a dedicação e a qualificação de uma equipe multidisciplinar altamente capacitada”, destacou.

A cardiologista também ressaltou a importância do gesto da família doadora. “Mesmo em um momento de tanta dor, essa família transformou a perda em esperança e tornou possível a realização do transplante. Esse ato de generosidade trouxe uma nova oportunidade de vida”, declarou.

Foto: CHSL

Emocionado, Edmilson agradeceu a todos que estiveram ao seu lado durante o período de internação. “Só tenho gratidão. Quero agradecer a todo mundo do hospital, desde as enfermeiras até as copeiras. Foram pessoas que viram meu sofrimento de perto e nunca me deixaram sozinho”, disse.

Ao final, o paciente resumiu a experiência com fé e emoção. “Foi uma caminhada difícil, mas, graças a Deus, deu tudo certo. Hoje eu só posso dizer muito obrigado. De coração”, enfatizou.

Foto: CHSL

Autorização pelo Ministério da Saúde

O Complexo Hospitalar Samuel Libânio foi autorizado pelo Ministério da Saúde em fevereiro desde ano a realizar transplantes cardíacos. Além de Pouso Alegre, cirurgias cardiovasculares são realizadas em Belo Horizonte (três equipes) e Itajubá.

O procedimento em Pouso Alegre foi comandado pelo cirurgião cardiovascular Alexandre Ciappina Hueb e durou sete horas. Mas, considerando todas as etapas que envolveram a retirada do órgão do doador até a finalização da cirurgia no paciente receptor foram 28 horas das equipes trabalhando.

“Foi um dia muito especial para todo Complexo Hospitalar Samuel Libânio, porque nós tivemos a oportunidade de mudar a história de vida de um paciente que está conosco há seis meses, tempo que ele ficou internado, privado de ficar com sua família por conta da necessidade de drogas que o mantinham vivo”, afirma dr. Alexandre Hueb.

O procedimento em Pouso Alegre foi comandado pelo cirurgião cardiovascular Alexandre Ciappina Hueb / Foto: divulgação CHSL

O hospital não informou o nome do doador. O coração veio de um paciente que “doou todos os órgãos do seu corpo, os rins, o fígado, coração, as córneas beneficiando muitas pessoas e propiciando este primeiro transplante”, conta o cirurgião cardiovascular.

Na época do transplante, Dr. Hueb falou da complexidade do procedimento cirúrgico. “Retirar o coração de um paciente com insuficiência cardíaca e fazer o implante de um outro coração de uma outra pessoa é muito difícil. Então é um procedimento que precisa de uma larga experiência da equipe cirúrgica. A energia vital para que o procedimento tenha sucesso é imensurável. As pessoas da minha equipe, eu elenco toda a cardiologia, todos os cirurgiões cardíacos, toda a equipe assistencial entregou a vida a cuidar de pessoas. Isso faz com que nós nos sintamos bem, porque sabemos que com esse procedimento nós podemos mudar a história de vida de uma pessoa jovem. É gratificante, do ponto de vista é emocional, é rejuvenescedor para nós e é uma energia vital muito grande, então a gente se sente muito bem”, afirmou emocionado.

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