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Campanha da prefeitura alerta que esmola distancia pessoas em situação de rua de serviços sociais

A orientação é que, ao se deparar com uma pessoa em situação de rua, seja feito contato com os centros de acolhimento do município. Contatos abaixo

Magson Gomes
21/07/2021

Alana está em Pouso Alegre, no Sul de Minas, há pouco mais de uma semana. Ela é transexual que veio de Muriaé, na Zona da Mata, para a cidade do Sul de Minas em situação de rua. Alana diz que amou a receptividade dos pouso-alegrenses. Ela já usou os espaços vinculados à secretaria municipal de Políticas Sociais, mas também dorme nas ruas, nessas noites frias.

“É uma tristeza. É muita covardia, muita loucura. Mas os outros me respeitam porque, quando eu viro homem, acabou. Os outros me vem como mulher, mas, quando viro homem, nem o diabo segura”, conta sobre ficar nas ruas.

Assim como Alana, outras tantas pessoas chegam em Pouso Alegre toda semana e ficam nas ruas, tentando sobreviver pedindo esmolas. No mês de junho foram 205 abordagens feitas pelas equipes do serviço social da prefeitura.

No mesmo período, foram 137 passagens liberadas para quem quis voltar para suas cidades de origem ou ir até o próximo destino.

“Pouso Alegre é um eixo que recebe muitas pessoas de várias cidades. E a demanda acaba sendo grande. Então, mensalmente, a gente tem uma condição de pessoas, em termos de números, que a gente faz o chamado ‘recambiamento’ por natureza voluntária”, afirma o gerente do Departamento das Pessoas em Situação de Rua da prefeitura, Roberto Aparecido da Silva.

Campanha de conscientização

Para atender o maior número de quem vive nas ruas, a secretaria de Políticas Sociais lançou uma campanha de conscientização, onde reforça que a doação de esmolas distancia essas pessoas dos serviços sociais.

“O objetivo dessa campanha é sensibilizar a sociedade pouso-alegrense que há muitas maneiras positivas de cuidar das pessoas que estão em situação de rua, que elas podem ser acolhidas junto ao Centro POP, e o nosso CEMAPA, que são centros de referência das pessoas em situação de rua, para que eles possam sem alimentados e cuidados; para evitar que eles fiquem a mercê das ruas, tendo aquela situação imaginária de que um real, dois reais vão facilitar a sua vida. Pelo contrário, isso vai nortear para que eles continuem em uma situação ruim, vulneráveis, utilizando-se de álcool, drogas e inviabiliza o serviço social na cidade”, explica o gerente.

No Centro POP, é servido um café da manhã; as pessoas podem tomar banho, lavar roupas; é feita também a emissão de documentos e o atendimento psicológico. Monique está em Pouso Alegre há quatro anos. Hoje com 26 anos, além do Centro POP, ela é atendida no CAPS AD onde trata a dependência química, e no CEMAPA, que é o antigo albergue.

“Graças a Deus, aqui em Pouso Alegre tem alguma coisa que nos acolhe. Bem melhor do que a gente ficar em situação de rua”, conta Monique de Jesus Araújo, que saiu da Bahia.

A coordenadora do centro, Larissa Lopes, explica que, quando identificada uma pessoa com dependência química por álcool ou outras drogas, é feito o encaminhamento para uma rede de apoio.

“Nós já tivemos casos de sucesso de pessoas que puderam ser atendidas e assistidas e conseguiram, de uma forma bem tranquila, erradicar o uso das drogas”, afirma Larissa Lopes.

Além disso, o Centro POP realizou no mês de junho, 153 atendimentos psicossocial, 785 cafés, 386 banhos e 54 pessoas conseguiram fazer contato com suas famílias.

Pessoas em situação de rua atendidas no Centro POP. Foto: Terra do Mandu

No período da noite, as pessoas em situação de rua têm a opção de ir para o CEMAPA. Onde é servido jantar e podem passar a noite. Para isso, um veículo da secretaria de Políticas Sociais percorre as ruas em busca de quem quer passar a noite no abrigo municipal. Porém, como há regras para ficar sem uso de álcool e qualquer outro tipo de droga, por exemplo, algumas pessoas preferem permanecer nas ruas.

Como acionar o serviço social

Nesse inverno, a orientação é no sentido de que, ao se deparar com uma pessoa em situação de rua, seja feito contato com o Centro POP [(35) 3423-3550 ou (35) 3449-4252] ou CEMAPA [(35) 3449-4098 ou (35) 99714-7610] para que as pessoas que necessitam de ajuda possam ser auxiliadas.

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