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Pelo sonho olímpico, Bárbara faz luta com costela fraturada

Magson Gomes
09/02/2020

A atleta de Pouso Alegre participava da seletiva para o Pré-Olímpico de karatê. Foram 14 lutas em dois dias. Na final, entre lágrimas e golpes, Bárbara perdeu para a amiga Brenda Padilha. Abaixo você confere o relato da própria carateca sobre ir além do limite, dar mais que 100%.

Com câimbras e dores na costela fraturada, Bárbara é amparada por equipe médica. Foto: Renato Aoki – Além do Kiai

Neste fim de semana Bárbara Rodrigues participou da seletiva que definiu as vagas brasileiras para o Pré-Olímpico de Karatê, que será disputado em Paris. A atleta de Pouso Alegre superou seus “próprios limites e foi além dos 100%”. Bárbara fez 14 lutas em dois dias. Ela chegou na final da seletiva com a costela fraturada no dia anterior, e com a recomendação médica para ficar de repouso.

Sua adversária e amiga de seleção brasileira de Karatê, Brenda Padilha, também vinha de 14 lutas e vinha cheia de dores para a final.

Por tudo que envolvia, o ginásio parou para ver a luta das duas. Parentes, amigos e espectadores se emocionaram com as reações de dores, lágrimas das atletas no tatame.

A matéria escrita no site Globoesporte descreve que a luta das duas foi no estilo “Rocky Balboa” (personagem-título de filmes que vai até às últimas consequências para encarar seus adversários).

Bárbara e Brenda disputaram a categoria acima de 61 kg, que começou para ambas na quinta-feira, com quatro lutas para cada. Na sexta, seriam cinco lutas na fase de grupos, mais a final. Mas um empate triplo com outra atleta, Letícia Brito, obrigou que as três fizessem uma nova rodada de lutas. Com uma vitória para cada, foi necessária mais uma rodada de lutas até que Brenda e Barbara garantissem a vaga na final. O excesso de duelos cobrou seu preço na decisão.

Bárbara e Brenda fazem luta além do limite. Foto – Renato Aoki – Além do Kiai

Logo com dez segundos de luta, Barbara caiu no tatame chorando muito e não conseguia levantar. A equipe médica foi atender ela, a torcida gritava, a mãe se desesperava do lado de fora. Depois de alguns minutos e com ajuda dos médicos, Barbara levantou ainda chorando. Enquanto isso, Brenda tentava não ficar parada e também chorava.

Bárbara durante a final cai sentido dores. Foto: Renato Aoki – Além do Kiai
A mãe de Bárbara acompanhava a filha dentro do ginásio e também não segurava o choro. Renato Aoki – Além do Kiai

Neste domingo (09), Bárbara escreveu um longo texto em suas redes sociais contando tudo que viveu nessa seletiva. “O que aconteceu nessa final ficará marcado na minha memória para o resto da vida”, afirmou.

Confira trechos do relato da própria carateca sobre ir além do limite, dar mais que 100%:

Bárbara durante a final. Foto: Renato Aoki – Além do Kiai
  • Acredito que a vitória não está baseada apenas em ganhar uma medalha, mas em superar os próprios limites, ir além dos seus 100%, saber que deu tudo de si, deu o seu máximo. Nesse fim de semana participei da seletiva sênior para retornar à seleção brasileira e do pré-olímpico (competição que definiu os atletas que irão tentar as últimas vagas para as olimpíadas de Tokyo) mas infelizmente na final da seletiva tive uma lesão e fraturei a costela, não podendo continuar.

Naquele momento só pensava que eu precisaria me recuperar para disputar o pré-olímpico no outro dia. Fui ao hospital e a médica disse “repouso total, você não pode fazer movimentos bruscos ou seu quadro pode piorar muito e algo pior pode acontecer”.

Eu e minha mãe juntas começamos a chorar dentro daquela sala, nós conversávamos pelo olhar, ela sabia o tanto que eu queria aquilo e como aquela competição era importante pra mim. Voltamos para a casa, eu já medicada, com vários furos na bunda (triste kkk) e começamos a conversar e por horas ficamos na mesma, “ir ou não ir, ir ou não ir”.

Eu já estava decidida, iria, mas o problema era os meus pais, não queriam deixar. Acordei no dia seguinte e convenci os dois aos 45s do 2º tempo. Mas estava com dor e decidi não tomar o medicamento, pois ficaria mais lenta e lerda kkk, confesso que durante as lutas senti muitas dores e dificuldades para respirar.

Mas eu pensava “quero muito, continua, continua” e assim foi… o que eu não contava era aquele empate no rodízio, parecia que não tinha fim, finalmente fomos para a grande final, eu e minha amiga @breeh (foi um prazer fazer aquela final contigo) e o desgaste físico e emocional começou a ficar nítido, câimbras muito fortes começaram, em um momento da luta eu realmente pensei que não daria mais, que eu não aguentaria, mas a torcida, meus pais, as pessoas do lado de fora gritando “levanta, continua” com certeza fez com que nós duas continuássemos aquela final. Muitos falam que o karatê esportivo fez perder a essência da arte marcial, mas não, foi nítido o respeito que tivemos uma com a outra, nos momentos de dor, não faltamos com a essência. Tenho orgulho sim do que fiz, e se pudesse faria de novo. A dor passa, mas todo o resto, todo o processo fica na memória.
Bom, ainda não acabou o sonho, tenho a chance de ir pelo ranking, se for pra ser, será, tudo no seu tempo. Acredito em pensamentos positivos e sou muito positiva, quem sabe a força da atração e trabalho duro não me coloque nas olimpíadas. E obrigada a todos que estão comigo, vocês são essenciais.

Ps: esqueci de contar o pós luta, quem estava me esperando depois da luta? O pessoal do antidoping! e eu com muitas câimbras ainda, tive que subir as escadas , só consegui com ajuda (vlw pessoal) e com a desidratação não vinha o xixi, fiquei horas na sala e a ambulância ainda estava me esperando para ir ao hospital, até que deu tudo certo no fim e to aqui firme e forte”, reprodução texto de Bárbara Rodrigues.


No ano passado, a reportagem do Terra do Mandu fez uma reportagem sobre a rotina de treinos e competições que Bárbara enfrenta para tentar ir às Olimpíadas de Tóquio.

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