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Criança que sobreviveu a acidente que matou família recebe alta em Pouso Alegre

Magson Gomes
26/11/2019

A pequena Eliza, de 2 anos e 3 meses, perdeu os pais e o irmão no acidente, ocorrido no dia 15/11, na Fernão Dias, em Pouso Alegre. A criança está na casa da avó materna, em Campinas, junto com outra irmã do primeiro casamento da mãe. Obs: No dia do acidente foi divulgado que o casal seria avós da menina e o rapaz seria o pai. Mas a informação que vale é essa de agora.

Eliza com a tia Nadir Araújo. Foto enviada ao Terra do Mandu por Verônica, irmã de Eliza

Já está na casa da avó materna a criança que sobreviveu a queda do carro da família de um viaduto na Fernão Dias. Eliza Araújo, de 2 anos e 3 meses, foi a única sobrevivente. Morreram no acidente os pais da menina e o irmão por parte de pai. A criança ficou 10 dias internada no Hospital das Clínicas Samuel Libânio, em Pouso Alegre, e recebeu alta no último domingo (24).

A reportagem do Terra do Mandu conversou, por telefone, com a irmã de Eliza por parte de mãe. Verônica Araújo, de 19 anos, que mora em Campinas com a avó materna, veio para Pouso Alegre ficar com a irmãzinha.

O acidente foi por volta das 05h do dia 15 de novembro, na altura do km 857 da Fernão Dias, em Pouso Alegre, Sul de Minas. O carro, com placas de Betim, Região Metropolitana de BH, saiu da pista e entrou no canteiro central. O motorista não conseguiu voltar para pista, bateu na proteção de concreto e virou sobre o viaduto, caindo na pista de baixo, cerca de seis metros e altura.

Três pessoas morrem após queda de carro em viaduto na Fernão Dias em Pouso Alegre. Foto: Magson Gomes/Terra do Mandu

Há quatro meses a família havia se mudado de São Caetano (SP) para Betim. Eles iriam aproveitar o feriado para visitar amigos, parentes e resolver algumas questões da mudança.

Verônica conta que no veículo estavam a mãe dela, Fabiene de Araújo Ferreira, de 37 anos, e o padrasto, Everaldo Marques de Oliveira, de 48 anos. O casal morreu no local do acidente. Também estava no veículo o filho do primeiro casamento de Everaldo, Ivair Bartu, de 22 anos. O rapaz faleceu ao dar entrada no hospital.

A menina Eliza, filha do casamento entre Everaldo e Fabiene, foi socorrida pelos socorristas da concessionária Arteris Fernão Dias e levada em estado grave para o HCSL e foi direto para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Eliza sofreu algumas fraturas na cabeça e no rosto. Depois que tinha saído da UTI e iniciado a fisioterapia foi descoberto que a menina estava com as duas pernas quebradas.

“A gente descobriu que a Eliza estava com as pernas quebradas uma semana depois do acidente. Consideramos que isso foi uma negligência do hospital porque iniciaram a fisioterapia na Eliza sem ter feito o raio-x para ter certeza se ela necessitava de fisioterapia ou cirurgia. Uma negligência muito grande. Tudo bem que eles dão prioridade quando a criança chega na UTI pela vida. Mas deveriam ter feito o exame antes de ter feito a fisioterapia, não é?” questiona a irmã Veronica.

Ainda de acordo com a irmã, o raio-x foi realizado na sexta-feira (22) quando a tia dela chegou no hospital e pediu o exame ao ver as penas da menina inchadas e reclamando de dor ao tentar andar. “Aí minha tia solicitou o exame de raio-x e constou as duas pernas estavam quebradas acima dos joelhos. Ela teve as pernas engessadas no sábado e recebeu alta no domingo”, conta Verônica.

Nossa reportagem entrou em contato com a assessoria de impressa do hospital sobre o assunto, mas não obtivemos retorno até o momento.

Eliza teve as pernas engessadas um dia antes de deixar o hospital. Foto: enviada pela irmã Verônica ao Terra do Mandu

CADEIRINHA SALVOU A MENINA

Verônica conta que os laudos do IML e os boletins do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Federal informam que toda a família usava cinto de segurança na hora do acidente. E foi a cadeirinha que salvou a vida da irmã Eliza. “Eliza se salvou porque estava na cadeirinha própria para a idade e presa ao cinto de segurança”.

IRMÃ DE 15 ANOS DESISTIU DE VIAJAR NO DIA DO ACIDENTE

Verônica tem outra irmã de 15 anos por parte de pai e mãe que estava morando em Betim e não quis viajar com a família, preferindo ficar na casa da irmã do padrasto.

“Ela simplesmente sentiu vontade de não viajar no feriado e quis ficar com a irmã do Everaldo. Poderia ter sido mais uma vítima do acidente. Agora, a gente deve ficar as três juntas aqui na casa da nossa avó, para não separar mais”, diz Verônica.

AGRADECE AO ACOLHIMENTO EM POUSO ALEGRE

Mesmo diante de tanta tristeza, a jovem Verônica fez questão de pedir para destacar o agradecimento dela às pessoas de Pouso Alegre que a ajudaram nesses dias difíceis na cidade.

“Agradeço muito pelo acolhimento da cidade. Não conhecia Pouso Alegre. Realmente, fiquei em choque de minha mãe ter morrido nesse lugar. Mas, ao mesmo tempo me trouxe alegria. As pessoas foram muito receptivas comigo, me ofereceram casa, conforto, cama, banho. Eu tenho que agradecer pelas pessoas, pela população em geral”.

Verônica passou quase todos os dias no hospital, ao lado da irmã. Apenas um dia que ela dormiu na casa de uma família.

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