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Tatuador de Pouso Alegre doa sua arte para esconder cicatrizes

Por Terra do Mandu
19/10/2019

Por Taciana Vitale

A auxiliar administrativo Wanessa recebeu a tatuagem através do projeto ‘Marcas da Vida’. Após ter câncer de mama e passar por uma mastectomia, ela decidiu ressignifar a cicatriz e recuperar a autoestima. Uma exposição no Serra Sul shopping mostra alguns exemplos do projeto.

Tatuador Carlos Galina (Foto: Daniel Silva) e Wanessa que recebeu a tatuagem Marcas da Vida (Foto: arquivo pessoal)

A paixão do tatuador de Pouso Alegre, Carlos Galina, pela arte de desenhar no corpo das pessoas começou ainda criança.  Ele até inventou sua própria máquina de tatuar para ‘brincar’ com frutas e papel. Depois de muitos cursos, Galina se profissionalizou. Hoje, aos 33 anos, o tatuador mantém projeto social para cobrir cicatrizes de acidentes ou doenças que deixam ‘Marcas na Vida’ das pessoas.

O projeto solidário surgiu há cinco anos, quando uma mulher foi até o estúdio de Galina com o desejo de cobrir uma grande cicatriz na barriga, provocada por uma queimadura. Desde então, dezenas de pessoas de várias partes do Brasil já foram beneficiadas e renovaram a autoestima. O projeto do tatuador já foi destaque na imprensa regional e até nacional, com reportagem no jornal Folha de São Paulo.

Após a primeira mulher aparecer com o pedido de cobrir aquela cicatriz enorme, Galina foi procurar mais conhecimento. “Como eu não tinha muita experiência em cicatrizes, foi logo correndo atrás. Estudei e me aperfeiçoei nas técnicas de cada cicatriz, tudo que envolve pele em geral. Esse projeto tomou forma, ficando conhecido como ‘Marcas da Vida’. É uma satisfação, uma alegria muito grande conseguir ajudar essas pessoas”, conta o tatuador.

As mulheres que participam do projeto social são convidadas a dar um depoimento. Galina registra o antes e o depois e posta com a história da pessoa, que deixa o passado ali e sai renovada, com a felicidade estampada na pele.

Galina realiza até três tatuagens solidárias por mês. A escolha é feita a partir de histórias de traumas, vítimas e acidentes, doenças que esteticamente deixam as pessoas com vergonha de si mesmas, traumatizadas e até com depressivas. Há também alguns critérios para os tipos de marcas elegíveis para o projeto: abdominoplastia não é aceita, cicatrizes de cesariana e nem estrias. Os interessados devem se cadastrar para participar do projeto.

Wanessa decidiu ressignifar a cicatriz e recuperar a autoestima

Foto: arquivo pessoal

A auxiliar administrativo Wanessa Aparecida da Silva, de 38 anos, fez uma tatuagem com Galina pelo Projeto Marcas da Vida. Wanessa teve câncer de mama e passou por uma mastectomia, que é a retirada total da mama.

“Fui diagnosticada com câncer de mama aos 33 anos. Passei por todo tratamento, quimioterapias, radioterapias e a mastectomia. Passei por várias cirurgias para reconstrução da mama. Mas, não obtive sucesso em refazer a auréola e já estava com várias cicatrizes. Já tinha desistido”, conta Wanessa.

Até que ela assistiu a uma reportagem na televisão sobre o projeto do tatuador Carlos Galina.

“Foi aí que percebi que ainda tinha uma chance de me sentir melhor, ter de volta minha autoestima”, lembra.

Wanessa, que sempre gostou de tatuagens, entrou em contato com o tatuador e contou sua história. Passados alguns dias, ela recebeu a ligação de volta para ir até o estúdio.

“Foi quando o Carlos, com todo seu cuidado e profissionalismo me atendeu. É um ser humano de coração gigante. Ele começou com seu trabalho de cobrir as cicatrizes que me incomodava muito. Falo que o projeto ‘Marcas da Vida’ me devolveu o prazer de me olhar novamente no espelho e ainda apagar tudo que tinha passado. E isso sem custo algum, tudo feito com a dedicação e amor em fazer o bem ao próximo”, afirma Wanessa.

EXPOSIÇÃO NO SERRA SUL SHOPPING

Nesta sexta-feira (18) teve início uma exposião no Serra Sul Shopping que mostram alguns resultados do projeto Marcas da Vida. São painéis que mostram o antes e o depois de cicatrizes cobertas pelos desenhos do tatuador Carlos Galina.

Na foto abaixo tem o destaque para a tatuagem feita em uma jovem de 21 anos, que tem uma grande cicatriz na perna após sofrer um acidente de moto. Ao cobrir as marcas do acidente, Natália pôde tem mais confiança em usar roupas um pouco mais curtas e mostrar sua tatuagem.

A exposição fica até novembro no hall de entrada do shopping.

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