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Jovem de Heliodora faz rifa para estudar na França, após ser aprovado em universidade de lá

Magson Gomes / 28 julho 2019

Ele aprendeu francês sozinho e foi aprovado na universidade de Paris. Falta o dinheiro para se manter nos primeiros meses na Europa. O rapaz precisa viajar até o início de setembro. Ele também criou uma ‘vakinha’ online para arrecadar parte do dinheiro.

Luiz Othavio dá aulas de inglês particulares e gratuitas em projeto social. Além de pintar quadros e fazer maquiagens. Foto: reprodução

Luis Othavio, de 19 anos, mora em Heliodora, cidade do Sul de Minas com cerca de 6 mil habitantes. O jovem começou a estudar línguas estrangeiras sozinho e aprendeu a falar espanhol, inglês, italiano e alemão. Mas foi o idioma francês que mais o encantou e dedicou ainda mais para ter domínio total da língua. A partir disso, Luis Othavio decidiu que queria fazer faculdade na França. Ele conseguiu a aprovação numa universidade de Paris e agora faz rifa de um carro, doado pela irmã, para conseguir pagar os primeiros meses de aluguel na Europa. Luis tenta juntar dinheiro também pintando quadros, dando aulas de inglês e fazendo maquiagens.

Porque estudar na França e como conseguiu ser aprovado

O jovem é o caçula e tem duas irmãs. Os pais já passaram dos 60 anos e estudaram na zona rural até a 4ª série do fundamental I. A irmã mais velha conseguiu entrar na faculdade aos 29 anos. Luis Othavio diz que, tendo a irmã como inspiração, começou a estudar as línguas estrangeiras sozinho, quando percebeu que queria fazer o curso de ciências políticas na França. Foram dois anos de dedicação para aprender os idiomas.

Para conseguir ser aprovada na universidade Paris 8, Luis Othavio teve que estudar francês diariamente para passar no primeiro teste: o de proficiência que é demonstrar que tem habilidade para falar o idioma. O teste com entrevista em francês foi feito na Aliança Francesa em São Paulo, onde ele demonstrou que tinha o nível exigido para entrar numa universidade da França. Em seguida, Luis Othavio teve que ser aprovado no ‘vestibular’ da universidade. E ele conseguiu.

“Eu fiz o processo via campus francês. Eu precisei ter passado em uma universidade no curso de relações internacionais no Brasil, em uma instituição reconhecida pelo MEC. A universidade olhou isso, a nota do Enem, a nota do meu ensino médio. Eu tive que fazer um currículo em francês; uma carta de motivação em francês; meus professores tiveram que escrever duas cartas de recomendação em português e eu tive que traduzi-las para o francês. Depois disso tudo, a universidade olha se eu sou capaz ou não de entrar para a universidade”, explica Luis Othavio.

Currículo em francês apresentado na universidade. Foto: reprodução

A rifa de um carro doado pela irmã

Mas o sonho do jovem ainda está no começo do caminho. A família do Luis Othavio não tem condições para banca-lo em Paris nem por dois meses. E ele precisará morar por lá cinco anos até concluir o curso. Luis também dá aulas particulares de inglês, faz maquiagens e pinta quadros. Mas o valor que arrecada não é suficiente para viajar à Europa.

Luis Othavio corre contra o tempo e tentar vender uma rifa de um carro para levantar o dinheiro para se manter nos primeiros meses. Ele sabe que o aluguel por lá é caro e pretende dividir moradias com outras pessoas e arrumar trabalho para se manter.

O carro que está na rifa é um Effa M-100, ano 2011, completo.  O sorteio será no dia 28 de setembro pela loteria federal. Quem tirar os 3 últimos números do primeiro prêmio da loteria federal ganha. O valor do bilhete da rifa é R$ 25. Veja como participar na foto abaixo.

Luis Othavio postou vídeos nas redes sociais explicando como foi seu processo de aprovação na universidade francesa. Ele também fez um dos vídeos falando em francês.

O curso de ciências políticas na universidade de Paris começa em setembro, quando e Luis Othavio tem que chegar lá.

“Eu vou trabalhar na França para conseguir me manter. Porém. Nos primeiros meses pretendo me dedicar 100% à universidade, pois vai ser tudo novo para mim e também eu vou ter dificuldade no começo,  pelo fato das aulas serem em francês. Então eu preciso me dedicar muito nos primeiros 6 meses”, conta.

Ele também criou uma ‘vakinha’ online para arrecadar parte do dinheiro. Me ajude a estudar na França.

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