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Funcionários e alunos dão abraço simbólico no Instituto Federal em Pouso Alegre

Magson Gomes
13/05/2019

Ato em protesto contra o bloqueio de verba foi repetido na reitoria e outros campi na região. Segundo reitoria, corte chega a R$ 16 milhões no IFSULDEMINAS e prejudicará a manutenção de serviços e atividades.

Funcionários e alunos do campus do IFSULDEMINAS, em Pouso Alegre, deram um abraço simbólico na instituição na manhã desta segunda-feira (13). O ato foi repetido no mesmo horário na reitoria e em outros cinco campi da instituição no Sul de Minas. O protesto foi programado por toda rede federal de ensino no país contra o bloqueio de mais 30% da verba dessas instituições, anunciado no dia 30 do mês passado pelo MEC.

A reportagem do Terra do Mandu conversou com o reitor do IFSULDEMINAS, Marcelo Bregagnoli. A IFSULDEMINAS tem oito campi e quase 30 mil alunos na região. As unidades oferecem alimentação para os estudantes e, algumas delas, também tem alojamentos. Segundo o reitor, nos últimos anos a instituição já vem adotando medidas para diminuir custos. Mas o bloqueio de R$ 16,2 milhões vai impactar no custeio e no capital de investimento da instituição, prejudicando a manutenção das unidades. Os reflexos começarão a ser sentidos a partir do próximo semestre.

“O custeio é aquele valor que a gente usa para fazer a manutenção das atividades como pagamentos de água, luz, internet e pagamento de terceirizados. E o capital é aquele recurso que a gente utilizaria para comprar novos equipamentos, construir novas instalações”, afirma o reitor.

O reitor, que também é vice-presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação, o CONIF, tem participado de reuniões com a cúpula do Ministério da Educação, incluindo encontros com o ministro Abraham Weintraub. Bregagnoli rebate a informação divulgada pelo próprio ministro de que o corte do ensino superior seria de 3,5% e não os 30% anunciados pelo próprio MEC no dia 30 de abril.

“Na verdade, o valor é bem acima. Efetivamente, o que importa para gente é o seguinte: que o nosso bloqueio hoje, que já existe e vai começar a refletir no segundo semestre, é de 39,65% em cima da manutenção das unidades e da aquisição de novos equipamentos e instalações. (…) O nosso objetivo é que impacte o menos possível para o aluno”, diz Bregagnoli.

“O Instituto Federal, nessa formatação, é algo que não tem em lugar nenhum no mundo. O aluno chega aqui para fazer um curso de formação continuada, um curso pequeno, de até 120 horas. E aqui dentro ele tem a oportunidade de fazer um curso técnico, curso superior e até um mestrado. Hoje a gente tem campus em Pouso Alegre, cidade referência, mas você tem campus lá em Carmo de Minas, Inconfidentes, Muzambinho, Passos, Poços… Então, conseguimos levar educação onde o pessoal tinha dificuldade de se deslocar. Então é uma característica dada por lei, fora da questão do ensino à distância”.

O reitor do IFSULDEMINAS explica que o CONIF tem mostrado para o ministro da Educação a importância dos institutos federais. “Hoje a necessidade de cursos técnicos e tecnológicos é extremamente elevada, você não tem desenvolvimento de nação se você não tem investimento nessa área. Nós trabalhamos muito e, intrinsicamente,  a formação de professores, uma área também carente de nação.  Então, a gente tem feito esse estreitamento, levado às demandas e ele [ministro] já se sensibilizou, falando que o instituto tem uma forma de atuação diferenciada; e no segundo semestre, há possibilidades de a gente fazer uma demanda coletiva e encaminhar a ele para que a gente tenha um impacto um pouco menor em função desse bloqueio. Reforçando, através da demonstração da força da rede federal. Somos cerca de 650 unidades, quase 1 milhão de alunos e nove polos de inovação tecnológica que trabalham ciência de ponta, aplicada, mais de 20 mil projetos de pesquisa e extensão no país. Essa forma de atuação nossa que vai nos defender, será nosso escudo, principalmente, porque a gente conta com a sociedade que já nos reconhece”, defende Bregagnoli.

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