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Sexologia na Medicina: especialista explica importância da escuta sobre sexualidade

Docente da Faculdade Zarns Pouso Alegre destacou a importância de preparar futuros médicos para abordar o tema.

Faculdade Zarns/Por Amanda Azevedo / 22 setembro 2026

Sexologia na Medicina: especialista explica importância da escuta sobre sexualidade. Foto: Divulgação

Sexualidade também faz parte da saúde, mas ainda pode ser um assunto difícil de abordar durante uma consulta médica. Alterações no desejo, excitação, orgasmo ou presença de dor, por exemplo, podem estar relacionadas a questões hormonais, doenças e medicamentos. É nesse contexto que atua o médico sexologista, profissional com formação específica para avaliar e tratar questões relacionadas à sexualidade.

A ginecologista e sexologista Tetzi Brandão, professora da Faculdade de Medicina Zarns Pouso Alegre, defende que nesse contexto, a avaliação da saúde não se limita aos aspectos biológicos. “Precisamos investigar a pessoa, e não apenas o sintoma. Uma queixa sexual exige uma análise ampla, que considere a saúde, o uso de medicamentos, o sono, o humor, a relação com o próprio corpo e, quando pertinente, os relacionamentos”, explica.

Para a especialista, a investigação começa pela construção de um ambiente de confiança. Em vez de partir diretamente para perguntas sobre a vida sexual, o profissional precisa criar espaço para que o paciente se sinta seguro para falar. “Uma boa anamnese sexual é, antes de tudo, uma conversa bem conduzida, com técnica. A abordagem pode incluir questões sobre práticas sexuais, contracepção e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, sempre de acordo com a necessidade de cada caso e respeitando os limites do paciente”, conta.

O conhecimento sobre sexualidade, porém, não deve ser restrito a quem pretende se especializar na área. A temática pode aparecer em atendimentos de diferentes fases da vida e em situações relacionadas a condições como diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, depressão, menopausa e uso de medicamentos. “O médico não precisa ser sexologista para saber fazer uma abordagem inicial da sexualidade”, explica Tetzi. Para ela, o profissional precisa saber ouvir, fazer perguntas básicas, reconhecer quando pode conduzir a situação e identificar quando é necessário encaminhar o paciente.

Foi justamente para trabalhar essa habilidade que a professora levou o tema para a sala de aula da Faculdade de Medicina Zarns Pouso Alegre. Em uma atividade sobre anamnese de queixa sexual realizada no início do mês, os estudantes aprenderam como abordar o assunto de maneira técnica e respeitosa.

“Às vezes, chegamos pensando: ‘Será que eu realmente preciso saber sobre isso?’. E, depois da aula, saímos pensando: ‘Meu Deus, como isso é importante!’. É um assunto que está muito presente na vida das mulheres e que precisa fazer parte da nossa formação enquanto futuros profissionais da saúde. Saber como abordar a sexualidade sem constrangimento, sem preconceitos e sem julgamentos é fundamental para estabelecer uma relação de confiança e conseguir compreender a paciente de forma completa”, comenta a aluna da Zarns Pouso Alegre, Laís Carvalho.

Para Tetzi, preparar os futuros médicos para essa conversa é importante porque muitos pacientes podem querer falar sobre sexualidade, mas não sabem como iniciar o assunto. “Muitas vezes o paciente gostaria de falar sobre sexualidade, mas espera que o profissional abra essa porta. Por isso, aprender a perguntar faz parte de aprender a cuidar”, afirma.

A própria trajetória da professora na Sexologia começou a partir dessa percepção durante os atendimentos como ginecologista. Ao longo dos anos, ela percebeu que as pacientes frequentemente traziam dúvidas sobre desejo, dor, orgasmo e relacionamento, mesmo quando a consulta havia começado por outro motivo. “Você não precisa ser sexologista para perguntar sobre sexualidade. Todo médico precisa conseguir criar um espaço em que o paciente possa falar sobre isso”, conclui.