“Sou um milagre vivo”: Paciente fala do sucesso de transplante renal em Pouso Alegre

Representante comercial, de 53 anos, recebeu um novo rim em julho de 2024 e hoje celebra a recuperação e a oportunidade de estar mais perto da família

Iago Almeida / 14 setembro 2026
“Sou um milagre vivo”: Paciente fala do sucesso de transplante renal em Pouso Alegre

Foto: CHSL

“Eu sou um milagre vivo”. É assim que o representante comercial Marcos de Araújo, de Pouso Alegre, define a própria história. Aos 53 anos, ele vive uma nova fase desde 31 de julho de 2024, quando recebeu um novo rim em um transplante realizado no Complexo Hospitalar Samuel Libânio (CHSL).

Mais de dois anos depois do procedimento, Marcos conta que se sente cada vez melhor e mantém a gratidão como uma das principais marcas da sua trajetória.

“Toda vez que venho no hospital passo nessa capela para agradecer. Nunca vim aqui para pedir, só para agradecer. Quem tem fé, tem tudo. Aqui fiz amizade com todos, desde as pessoas da limpeza até os profissionais de saúde, que sempre me ajudaram na recuperação e no tratamento. São muitas pessoas que participaram do meu processo e tenho muita gratidão por todos”, conta.

Diagnóstico mudou os planos

A história de Marcos com a doença renal começou em 2018. Ele percebeu que estava urinando com muita espuma e, após conversar com a mãe, decidiu procurar atendimento médico. Em setembro daquele ano, descobriu que sua função renal estava reduzida.

“Sou um milagre vivo”: Paciente fala do sucesso de transplante renal em Pouso Alegre

Foto: CHSL

O diagnóstico foi de GESF (Glomeruloesclerose Segmentar e Focal), uma doença que provoca cicatrizes em partes dos glomérulos, estruturas responsáveis por filtrar o sangue nos rins.

“Eu descobri que tinha GESF e que teria que ser transplantado. Depois disso, comecei a correr atrás de um milagre, buscando informações em tudo e em todos”, lembra.

Em 2023, Marcos iniciou o acompanhamento no CHSL com a médica Yara. Segundo ele, o atendimento foi fundamental para que pudesse compreender o processo e se preparar para o transplante.

Quando a função renal chegou a 15%, ele entrou na fila para o transplante. Depois de uma série de exames, foi considerado apto para o procedimento.

Transplante aconteceu antes da hemodiálise

Quando recebeu a notícia de que faria o transplante, Marcos apresentava creatinina de 15,8 e apenas 3% de função renal, segundo seu relato.

“Quando fui informado do meu transplante, a equipe médica não acreditava em como eu estava de pé ao lado deles. Acredito que minha força vem da minha espiritualidade. Quando fui informado, comecei a dizer para mim mesmo: ‘esse rim é meu’. Acreditei, fiquei firme naquela fé, naquela vontade e deu tudo certo”, conta.

Após o procedimento, ele permaneceu sete dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e depois foi encaminhado para o quarto. O transplante foi realizado de forma preemptiva, ou seja, antes que fosse necessário iniciar a diálise. Marcos também destaca que o órgão recebido não veio de um familiar.

“No meu caso, eu rejeito 80% dos rins que são compatíveis comigo. Então, foi incrível ter participado com sucesso desse transplante renal preemptivo e sem ser familiar. É um milagre. Eu falo que eu sou um milagre vivo”, afirma.

Família foi uma das principais motivações

Quando descobriu que precisaria de um transplante, uma das maiores preocupações de Marcos de Araúji era o tempo que ainda teria ao lado da família.

“No início, fiquei muito emocionado com tudo e chorava de alegria por saber que passaria mais tempo ao lado deles. Meus familiares e meus amigos verdadeiros foram muito importantes para minha recuperação. Dessa forma, eu tive força de lutar pela vida”, relata.

“Sou um milagre vivo”: Paciente fala do sucesso de transplante renal em Pouso Alegre

Foto: CHSL

Católico, Marcos encontrou na fé um dos principais pilares para enfrentar o período de tratamento, os exames e a espera pelo transplante. Hoje, sempre que retorna ao hospital, ele faz questão de passar pela capela para agradecer.

Mais de 300 transplantes realizados

A história de Marcos faz parte de uma trajetória que já soma mais de 300 transplantes renais realizados pelo Serviço de Transplante Renal do CHSL desde a fundação, em 1989.

Para a médica Daniela Zica, coordenadora e responsável técnica do Serviço de Transplante Renal do hospital, cada procedimento representa muito mais do que uma intervenção médica.

“Este número não representa apenas procedimentos médicos, ele representa vidas modificadas e transformadas. A importância do transplante renal vai muito além de uma intervenção em uma sala de cirurgia. Para os pacientes com insuficiência renal, o transplante representa uma oportunidade de poder retornar às suas atividades cotidianas, uma nova chance de vida”, destaca.

“Sou um milagre vivo”: Paciente fala do sucesso de transplante renal em Pouso Alegre

Foto: CHSL

Segundo Daniela, os transplantes também têm impacto sobre todo o sistema de saúde, já que podem reduzir a necessidade de tratamentos contínuos, como a hemodiálise, permitindo que recursos sejam destinados a outras necessidades da área.

Ela ressalta ainda a importância da conscientização sobre a doação de órgãos. “Para que possamos continuar a realizar esse trabalho vital, precisamos da conscientização e do apoio da população. A doação de órgãos é um ato de solidariedade e altruísmo que pode salvar vidas. Cada doador é um herói que deixa um legado duradouro de compaixão e generosidade”, afirma.

Para Marcos, a experiência deixou uma certeza: a vida ganhou um novo significado depois do transplante. E cada retorno ao hospital é também uma oportunidade de lembrar de todas as pessoas que fizeram parte desse caminho.

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