
Foto: Rafael Huhn
A tradição dos Congados e Moçambiques marcou presença neste sábado (23) durante a ‘3ª Roda Cultural Afro: Nossas Raízes’, realizada em Pouso Alegre, no Sul de Minas. O evento reuniu diferentes manifestações culturais afro-brasileiras e indígenas em um grande encontro de valorização da ancestralidade, resistência e preservação das raízes populares da região.
Participaram da programação o Moçambique Mãe África, de Ipuiúna, e a Congada do Rosário, de Machado, além de grupos de Maracatu, Jongo, Capoeira, representantes indígenas e ações ligadas às comunidades quilombolas do Sul de Minas.
A iniciativa teve como objetivo fortalecer o reconhecimento das manifestações afrodescendentes como patrimônio vivo da cultura brasileira, promovendo a troca de saberes, apresentações culturais, rodas de conversa e reflexões sobre identidade, memória e resistência negra.

Foto: Rafael Huhn
Neste ano, os Reinados, Congados e Congadas foram oficialmente reconhecidos pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O registro, denominado “Saberes do Rosário”, reconhece a importância histórica, religiosa e cultural dessas manifestações populares, construídas a partir do sincretismo entre tradições africanas e o catolicismo popular.
Os grupos de Congado e Moçambique carregam séculos de história e resistência. Os cortejos, cantos, tambores, danças e símbolos religiosos representam a memória dos povos africanos escravizados e a preservação das suas tradições ao longo das gerações. Em Minas Gerais, especialmente no Sul do estado, essas manifestações possuem forte presença histórica nas comunidades negras e rurais.

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O Capitão da Congada do Rosário de Machado, Waltinho do Rosário, destacou a importância da transmissão oral e familiar dos saberes tradicionais. “Aprendi os fundamentos do Congado com meu pai e ele aprendeu com o pai dele. Isso é passado de geração para geração. Temos um compromisso muito forte em manter viva a tradição dos cantos, dos tambores e da nossa história, que representa muito a trajetória do povo preto no Sul de Minas, especialmente em Machado”, afirmou.
Já o Capitão Elbiton Tingalá, do Moçambique Mãe África de Ipuiúna, ressaltou o papel do evento no resgate da memória afro em Pouso Alegre. “Infelizmente, Pouso Alegre perdeu muito da sua história ligada aos Congados. Antigamente existiam congadeiros e grupos na região da Tijuca. A própria Praça João Pinheiro é conhecida historicamente como Largo do Rosário. Para nós, participar deste evento é contar as histórias dos pretos cativos, da luta, da liberdade e da nossa existência”, destacou.

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Além das apresentações culturais, o encontro também serviu como espaço de fortalecimento das políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e da valorização das culturas tradicionais afro-brasileiras.
A 3ª Roda Cultural Afro: Nossas Raízes foi organizada pela ASCCA — Semeando Capoeira, Cultura e Arte, de Pouso Alegre, e viabilizada por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

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