Escola Profissional de Pouso Alegre completa 100 anos dedicados ao ensino gratuito

Da tipografia à informática avançada, desde o início em 1917 a escola oferece cursos gratuitos e profissionalizantes para a comunidade.

Com a missão de criar oportunidades para crianças e adolescentes carentes de Pouso Alegre, a Escola Profissional Delfim Moreira completa 100 anos em 2017. Eventos marcam o centenário da escola que já formou dezenas de milhares de pessoas em seus cursos profissionalizantes.

Visita à tipografia da Escola Profissional (Foto: arquivo)

Fundada em 1917 pelo bispo dom Otávio Chagas de Miranda a escola sempre funcionou no mesmo prédio na rua Monsenhor José Paulino, em frente ao Colégio Estadual (E.E. Dr. José Marques de Oliveira), ao Colégio São José e ao palácio Episcopal. Ao longo dos anos recebeu ampliações e mudanças no quadro de cursos oferecidos.

No século passado, no início das atividades, os cursos oferecidos eram: sapataria, tipografia, práticas agrícolas, oficinas artísticas e marcenaria.

Atualmente, os cursos são: Informática básica e avançada, Corte e Costura básica e avançada, Panificação, Confeitaria e Salgado, Cuidador de Idosos e ainda o curso de Costura Industrial. Hoje, são 350 pessoas, entre adolescentes, participando dos cursos.

O pintor Estevão Dionísio do Prado, 54 anos, está no segundo semestre do curso de Informática. “Tudo está evoluindo e a gente tem que acompanhar. Hoje em dia tudo é internet”, justifica o pintor.

Desde o início, os cursos oferecidos pela Escola Profissional são gratuitos. Após os primeiros 30 anos, a Arquidiocese de Pouso Alegre passou a administração da Escola para a Congregação Religiosa dos Pavonianos.

O senhor Cândido Salvador Filho, hoje com 66 anos, lembra com saudade quando começou a frequentar a Escola Profissional Delfim Moreira. Ele tinha 10 anos de idade, era o ano de 1961. Foi na Escola Profissional que o senhor Cândido foi alfabetizado.

Cândido Salvador com a placa de homenagem como ex-aluno da Escola Profissional.

Durante os quatro anos que ficou na escola, Sr. Cândido trabalhou na horta, depois na encadernação gráfica e na tipografia. Na gráfica, ele ajudava a fazer os jornais da Semana Santa, convites de casamentos, notas ficais. “Lembrando que aqui eu fui alfabetizado. Cheguei na escola sem saber ler e escrever. Tudo que sou hoje, eu devo à Escola Profissional Delfim Moreira”, afirma.

Após deixar a escola, Sr. Cândido mudou-se para Piquete (SP) com a família, entrou para o exército e depois passou a trabalhar como técnico em manutenção na Cemig, onde se aposentou.

Ensino Integral em parceria com governo do Estado

Além dos cursos profissionalizantes, a Escola Profissional atende cerca de 300 alunos do 1º ao 9º ano de quatro escolas estaduais em atividades que complementam o ensino integral dessas crianças.

Em seu centenário, o diretor da Escola Profissional é o padre pavoniano André Callegari. Ele lembra que a escola faz parte da Associação das Obras Pavonianas de Assistência e que sua missão continuará nos próximos anos. “Nossa missão sempre esteve viva nos 100 anos da Escola Profissional, que é de criar oportunidades para as crianças carentes. E essa missão continuará a nortear nosso trabalho”.

Evento comemorou os 100 anos

Nesta semana, um evento foi realizado na quadra da escola para comemorar os 100 anos de sua fundação. Autoridades religiosas e políticas estiveram presentes. Homenagens foram prestadas a ex-alunos e funcionários.

Crianças fizeram apresentações teatrais para contar a história da escola e dos cursos oferecidos.