Com mais de 200 anos de tradição, Silvianópolis celebra a Festa do Rosário neste final de semana

A Festa do Rosário de Silvianópolis chega a sua 237ª edição. Como dizem os festeiros e congadeiros, ‘é a festa do povo, feita pelo povo’.

Neste sábado, os festejos têm início bem cedinho, às 05h com a tradicional alvorada. Às 14h tem o ponto alto da festa que é a Subida do Reinado. “Um dos rituais mais belos da cultura popular do Sul de Minas’, afirma a jornalista e historiadora Ana Beraldo. O cortejo percorre as ruas principais da cidade e vai até a igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Casal de festeiros desse ano (Foto Ana Beraldo)

O cortejo tem como figuras principais o rei e a rainha e a guarda-coroa. O rei e a rainha são representados na figura dos festeiros que, protegidos com sombrinhas, conduzem as coroas, símbolos da FestaA guarda-coroa, um grupo de “soldados” uniformizados e munidos de espadas, tem como missão proteger as coroas.

“Este ritual tem suas raízes nas antigas lutas entre mouros e cristãos na Idade Média. Esta representação dramática foi introduzida no Brasil pelos jesuítas com o objetivo de catequizar os índios e escravos africanos, ressaltando o poder da fé cristã”, conta Ana Beraldo.

Participam também do ritual, as congadas da cidade e as congadas convidadas. Muita música, com seus batuques envolventes, gingados coreografados e cores vibrantes, as congadas dão brilho ao cortejo.

O povo também participa do cerimonial com alegria. A festa envolve cultura e religiosidade. Muitas pessoas cumprem promessas diante dos festejos.

No domingo, último dia da festa, às 14h tem o esperado encontro de congadas em frente à igreja matriz de Silvianópolis. É um dos momentos emocionantes com a transferência das coroas dos festeiros antigos para os novos. E, em seguida, é fetia a Descida do Reinado pelas ruas da cidade com a participação das congadas.

História da festa

Segundo pesquisas historiadora Carlina de Morais Dutra, (falecida em 2009) que foi membro da Associação Nossa Senhora do Rosário, a Festa foi fundada pelo padre Manoel Negrão de Monte Carmelo, natural de Guaratinguetá, SP.

Para organizar os festejos, ele criou a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos que, com o passar dos anos, passou a ser denominada de Associação Nossa Senhora do Rosário, em atividade até hoje.

“Acredito que a finalidade dessas irmandades era proteger o negro e propiciar-lhe divertimentos. Os senhores de escravos faziam concessões aos escravos permitindo que esses se alegrassem com suas festas nas senzalas”, documentou a historiadora.

Em suas pesquisas, a historiadora cita um episódio acontecido em 1920, quando o bispo da época, Dom Otávio Chagas de Miranda, em visita à cidade constatou que a Festa era muito profana e que a Capela do Rosário estava em péssimo estado de conservação. Indignado, ordenou a demolição da Igreja. Mas a população se rebelou e nova capela foi construída, conhecida hoje por Casa da Santa.

*com informações de Ana Beraldo – Jornalista e historiadora