Aposentado de Pouso Alegre constrói trem e linha férrea no quintal de casa

O ex-bancário desenhou e construiu vagões e locomotiva. Recentemente, adquiriu e botou no quintal uma locomotiva a vapor, fabricada na Inglaterra em 1914.

O aposentado Tarcísio Silva Santos está com 81 anos de vida. É nascido e criado por aqui mesmo, na Terra do Mandu. Se formou em direito, mas fez carreira como bancário. O pai de seu Tarcísio foi ferroviário, telegrafista, na rede Sul Mineira. Daí, desde criança tomou gosto pelo assunto. “Sou amante da ferrovia, meio fanático”, confessa.

Seu Tarcísio lembra com saudosismo o tempo em que ia com o pai até a estação de Pouso Alegre. “Passeava no trem, que naquela época era só a vapor. Não existia outro meio de transporte, era só ferrovia mesmo”.

A ideia de montar a linha férrea em casa

Tarcísio Silva, um apaixonado por ferrovias

Depois de casado e com o nascimento do casal de filhos, quis montar um trem para as crianças brincarem. “Aí fui ampliando a linha com eles, fazendo outros vagões, colocando desvios para as locomotivas mudarem a rota”, conta feliz seu Tarcísio.

São seis veículos construídos. Tem locomotiva a diesel, vagões de passageiros e vagões de carga. A linha férrea tem 70 metros de comprimento.  Para seu Tarcísio, é mais um pátio para manobras do que uma linha. Tudo foi projetado, desenhado pelo aposentado e montado numa serralheria, com ele acompanhando de perto.

Faz 30 anos que seu Tarcísio deu início à empreitada. O que ele queria mesmo é ter um espaço maior para ter mais linha e o trem andar mais rápido. “Mas até agora não deu condição não”.

Mas mesmo com o trenzinho na linha de 70 metros a criançada, os sobrinhos do seu Tarcísio fazem a festa. “De 15 em 15 dias eles vêm para cá dar uma volta no trenzinho e eu ligo para eles e dão uma volta aí”.

Seu Tarcísio observa filho conduzindo um trenzinho

O filho de seu Tarcísio, Daniel Paiva Santos, diz que o pai começou a construir o trem e a linha para si, porque era um sonho dele ter, construir uma pequena estrada de ferro. “E como a gente foi tomando gosto, vendo, foi passando de pai para filho e a gente vai ajudando e fazendo aos poucos também, criando outros trens e ampliando a linha”, diz Daniel que montou no quintal mesmo uma locomotiva com as peças que sobraram dos outros trens.

A compra da locomotiva a vapor fabricada na Inglaterra

Recentemente, o bancário aposentado realizou um sonho maior. Ele adquiriu uma locomotiva a vapor fabricada na Inglaterra no ano de 1914. A máquina foi usada em usina de cana de açúcar de Pernambuco até a década de 60. Seu Tarcísio pagou R$ 100 mil na locomotiva que estava com um restaurador em Pindamonhangaba, Vale do Paraíba, SP. E ainda teve que pagar toda a restauração.

Locomotiva Kerr Stuart de 1914.

A máquina está em perfeitas condições no quintal da casa do aposentado e também anda para a alegria da criançada. Essa locomotiva 10 toneladas. “Eu comprei essa máquina a vapor com a intenção de quando eu tiver um espaço maior, colocar ela para rodar junto com esses trenzinhos. Então, esse gosto pela ferrovia começou desde criança, finaliza seu Tarcísio, não antes de lamentar que “é uma pena o Brasil não ter uma ferrovia que precisava. Porque o brasil é um continente, no entanto, optou-se mais pelo sistema rodoviário”.