Polícia

Projeto inédito da PCMG de Pouso Alegre ajuda mulheres vítimas de violência

O projeto VIRA oferece vagas de emprego, ensino e apoio psicológico para vítimas de violência doméstica. Sistema tem aplicativo criado pela Delegacia Regional de Pouso Alegre.

Nayara Andery / 12 dezembro 2025

Projeto VIRA, da PCMG de Pouso Alegre vai ajudar vítimas de violência doméstica. Imagem Nayara Andery.

Um programa inédito da Delegacia Regional de Polícia Civil de Pouso Alegre vai ajudar mulheres a romperem o ciclo de violência doméstica ao trazer independência e inserção social. O VIRA foi lançado nesta sexta-feira (12/12) e tem um aplicativo criado pela PCMG.

A parceria entre Polícia Civil, prefeitura, órgãos de ensino e empresas oferece cursos e empregos às mulheres vítimas de violência. O sistema do VIRA conecta as DEAM’s (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher) à essa rede de apoio às vítimas.

O idealizador do programa é o delegado regional adjunto, Rodrigo Cavassoni. Ele acrescenta que a parceria criada pelo VIRA também inclui a prefeitura, com acompanhamento psicológico para as vítimas. As mães que conseguirem a vaga de emprego pelo projeto terão direito a vagas emergenciais para as crianças em creches públicas.

Segundo Cavassoni, toda mulher que têm medida protetiva ou foi vítima de violência doméstica pode participar do VIRA. É só procurar a delegacia para ela ser inclusa no sistema, com base no que ela deseja mercado de trabalho ou capacitação profissional.

O nome VIRA, se refere à vítima virar a chave e quebrar o ciclo de violência. O atendimento feito pela Polícia Civil constata que muitas mulheres permanecem presas a esse ciclo, seja por dependência financeira do parceiro, anos dedicados à casa, aos filhos ou à renúncia da vida profissional.

Oportunidades de ensino e mercado de trabalho são ferramentas para ajudar as vítimas a terem uma vida com dignidade e independência pessoal, profissional e financeira. Esse impulso pode ser um importante aliado psicológico para quem passa ou passou por situações de violência e precisa retomar a vida social.

A Polícia Civil também está aberta a parceiros da área educação e empresas com vagas de trabalho para essas vítimas. O intuito é ampliar o VIRA e levar ele a todas mulheres que precisam de ajuda após os casos de violência.

A iniciativa tem participação do SENAC, que já abriu vagas específicas para as mulheres que se cadastrarem no VIRA. A instituição também dá apoio à família, com vagas de Jovem Aprendiz para os filhos dessas mulheres.

Violência doméstica e feminicídios são alarmantes no Brasil

Os crimes contra mulheres têm se tornado frequentes no Brasil. Dezenas de feminicídios foram registrado no Sul de Minas, nos últimos anos. Esse crime bateu um recorde histórico no país, em 2024.

O feminicídio tirou a vida de cerca de 4 mulheres por dia, no Brasil, no ano passado. Os dados são do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025.

Crimes de feminicídio são a conclusão de um ciclo em que a mulher é vítima de ofensas, brigas, humilhação e agressões físicas, morais e psicológicas, citam a Polícia Civil e Polícia Militar. A maioria das vezes, pelo próprio parceiro ou familiar.

Os dados são alarmantes. Em 2024, o 190 da PM recebeu 1.067.556 de denúncias de violência doméstica. O dado significa que a cada minuto, duas denúncias são feitas.

Todo ato de violência deve ser denunciado. A vítima tem que ter consciência de que agressões não devem ser toleradas e podem evoluir para crimes como feminicídio. É preciso buscar ajuda e denunciar pelo 190 da PM, Disque Denúncia 181 ou diretamente em uma Delegacia de Polícia Civil.

O objetivo do VIRA é ampliar as formas de ajuda para a reinserção social dessas vítimas. Estudos recentes do Ipea/ONU Mulheres sobre empregabilidade feminina apontam que 70% querem das vítimas querem voltar ao trabalho. indicam que a renda própria é pilar fundamental do recomeço e autonomia.

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